LX. old habits

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—ENTÃO QUER DIZER que é só essa garota piscar os olhos na sua frente que você vai atrás, é isso? Depois de tudo que ela te fez?

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ENTÃO QUER DIZER que é só essa garota piscar os olhos na sua frente que você vai atrás, é isso? Depois de tudo que ela te fez?

A voz firme e sábia de Ali ecoou pelo quarto de Carina, que estava sentada na beira da cama amarrando o tênis quando a mãe escancarou a porta aberta assim que soube dos planos da filha.

— Não é bem assim, mãe

— Não, você tem razão, foi bem pior! — ela balançou os braços dramaticamente. — Essa menina apareceu na porta da minha casa com um pé de cabra atrás da minha filha!

Propositalmente a mais nova fixou o olhar num canto aleatório da parede, evitando cruzar os olhos com a mãe e transformar essa conversa numa discussão de verdade.

— Eu não sei que tipo de modelo de amizade conturbada é esse que vocês tem no século 21, mas eu não criei minha filha pra apanhar na rua e depois abaixar a cabeça.

Ela bufou, desistindo da tarefa de amarrar o cadarço e se virando para a mãe, ainda parada na porta com a mesma expressão dramática.

— Ela é uma menina complicada, — ela bufou antes de continuar. — Cuida da mãe doente, do irmão, trabalha em dois empregos e ainda serve condicional.

— Não é desculpa.

— Eu sei que não — Carrie interrompeu Ali no meio da fala, com as mãos pro alto. — Mas o Cobra Kai tem o poder de mudar as pessoas, transformar elas em sua pior versão. E eu acredito nisso porque sei que o Eli também já foi assim, e não é mais.

A expressão de Ali se alterou e por um minuto — melhor, um mílesimo de minuto — ela enxergou na mãe que estava perdendo o argumento, cedendo seu lado.

— O Eli escolheu sair, ela não. Inclusive, ela tem um troféu na casa dela que diz isso.

— Eu sei — a mais nova passou a mão pelo rosto sem se importar com a maquiagem que usava, um sinal de estresse. — É isso que eu pretendo consertar hoje, com uma conversa. Como duas mulheres civilizadas.

Ali se pareceu (ou fingiu) estar convencida, cruzou os braços e apenas se permitiu observar a filha andar de um lado para o outro pelo quarto, procurando o que fazer.

— E posso saber qual é o seu plano pra domar esse dragão, São Jorge?

Carina agarrou sua bolsa em cima da escrivaninha e seu óculos escuros, se virou para a mãe com a postura mais confiante que encontrou dentro de si.

— Eu não tenho ideia, mas eu vou descobrir. Te mando mensagem quando chegar lá, mãe.

Carina ainda estava começando a se acostumar a dirigir o carro, cada dia um pouco mais confiante que o anterior. A viagem até a pequena loja de vitaminas que elas escolheram pra se encontrar era curta, a loira entrou e se sentou numa mesa, pronta pra aguardar. Não demorou muito pra que Tory entrasse pela porta, tocando o sininho de cima. Ela usava as roupas simples de sempre, a mesma cara de brava que usava nas situações de desconforto, mas um fantasma de sorriso surgiu em seu rosto quando viu Carina acenar de longe.

|| 𝐘𝐎𝐔 𝐆𝐈𝐕𝐄 𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐀 𝐁𝐀𝐃 𝐍𝐀𝐌𝐄                   𝗵𝗮𝘄𝗸 𝗳𝗮𝗻𝗳𝗶𝗰𝘁𝗶𝗼𝗻 Onde histórias criam vida. Descubra agora