MARCOLA
Subi na laje e sentei na cadeira de praia que tinha ali. Papo reto mermo? O meu morro era oque eu tinha de melhor, esse complexo é foda. Não precisei pisar em ninguém pra estar aqui e apenas fiz os corre calado.
Não é bem assim também né, ganhei o morro quase de mão beijada, meu pai cansou de liderar essa porra e jogou a bronca pra mim.
Felícia: Filho?
Marcola: Fala mãe- falei cansado e escondendo o baseado.
Felícia: Seu pai quer falar com você- falou rápido e logo desceu as escadas.
Já sei até oque vem por ai. Levantei da cadeira e fui descendo as escadas devagar, procurei ele pelo andar de cima e depois desci vendo ele na sala.
Todo jogado no sofá.
Vini: Senta ae- falou se ajeitando e continuei em pé olhando pra ele.
Respirei fundo e cruzei os braços.
Vini: Como vai a liderança?
Marcola: Indo, só isso?- falei já querendo sair e minha mãe me olhou feio- Tenho que buscar um menor, tô atrasado já.
Felícia: Você vai, mas você volta, e aí de você se não voltar- falou brava e saiu da sala indo pro quarto.
××
BN: Você vacilou, tinha necessidade de puxar o cabelo da mina?
Continuei olhando pros moleque trabalhar e fingi nem estar escutando ele.
BN: Elas vão embora do morro- falou e logo saiu da sala.
Como assim? Indo embora pra onde? Não que eu me importasse é claro, mas querer sair do morro assim??? Do nada.
BN volta pra sala- falei no rádio.
-Tô ocupado
Tá fazendo oque?
-Depois a gente conversa.
Talvez eu realmente tenha vacilado, mas não tinha o por que ela grita e paga de brabona pra cima de mim na frente de geral. Ela tá lidando com traficante, tem que saber que nem tudo é flores. Sai da sala e já dei de cara com o vagabundo do Fj.
FJ: O Marcola, queria conversar contigo- coçou a cabeça e me olhou.
Marcola: É sobre o morro?- falei cruzando o braços e ele negou- então tô ocupado.
Sai e já fui subindo na moto e indo direto pra casa da minha mãe. Tava passando em frente a uma lojinha de roupa e vi a diaba, dei uma encarada legal nela.
Balancei a cabeça.
××
Felícia: Veio fazer oque aqui?
Marcola: O muié, foi tu que mandou eu voltar- falei cruzando os braços e ela me olhou feio.
Felícia: Você pode ter o dobro do meu tamanho, mais eu ainda te desço o chinelo seu moleque- falou apontando na minha direção e voltou a cortar o morango.
Me aproximei dela e fiquei encostado no balcão.
Marcola: Dá o papo
Felícia: Como anda as coisas? Você e seu irmão tá bem?
Marcola: Sim, tô tentando mantes as coisas em ordem, mas você sabe, a todo momento é um problema- falei relaxando os ombros.
Felícia: O seu pai veio conversa comigo hoje...disse que se sente mal por não ter deixado você seguir o seu sonho, mas que queria deixar essa distância que existe em relação a você e seu irmão de lado e tentar ter momento com vocês.
Marcola: O mãe..
Felícia: Marcos, por mais que seu pai jogou toda essa responsabilidade nas costas de você e seu irmão, ele continua sendo alvo, assim como a qualquer segundo eu posso ficar sem vocês, vocês também pode ficar sem ele- me cortou sem eu ao menos terminar- Por favor, vamos começar do zero- falou se apoiando na pia e abaixou a cabeça- por favor.
Não respondi e ouvi barulho de tiro, já fiquei na ativa.
Que porra é essa?
-Foi eu, foi só pra assustar a garota aqui.
Fé
Felícia: Tô fazendo sobremesa pra hoje a noite, vai vir jantar com a gente?
Marcola: Se der, vou ter que ir agora- falei beijando sua cabeça.
Felícia: Vai com Deus, eu te amo meu filho- sai da casa dela.
Bagulho que eu não sei demonstra é afeto mano, que bagulho complicado.
