Luísa
Ela vem, brota no meu setor.
Som altíssimo, um grave do caralho, do jeito que eu gosto. Tava dançando com as meninas e me acabando.
Essa música é do caralho, tem nem como não gostar, é viciante e você não consegue ficar parada.
Olhei na direção do Marcos e ele me olhava de cara fechada como sempre, alguns da mesa estava olhando pra gente e logo saquei.
Dei o ultimo gole e fui na direção dele, parei na sua frente e sorri animada e colocando a mão na cintura.
Marcola: Bora?
Luísa: Mas já?- fiz bico.
Marcola: Mais tarde vai ter mais pô, que isso?
Concordei e ele levantou, assobiou chamando os meninos que veio correndo e foi se despedindo da galera. Falei com o povo e fui saindo.
Rhavi: Brayan vai dormir com a gente?
Marcola: Vai sim menor, por que?
Rhavi: Eba- falou feliz- queria dormir com todos vocês- falou baixo e olhando pro nada.
Por incrível que pareça o Rhavi deu um tempo das suas crises, da ultima vez que ele teve foi quando o mesmo meteu a mão na cara de Andressa.
Sempre estou levando ele nas consultas médicas e tudo mais.
Brayan: Eu gosto do Rhavi, ele é um bom amigo- falou todo eufórico, do nada.
Marcola: Que bom.
Fomos andando mesmo, mas percebi que na nossa rua tinha um grupinho de meninas, Marcola passou um braço em volta do meu pescoço e com a mão livre, ele pegou na mão do Rhavi.
Brayan andava na nossa frente mas logo me deu a mão.
Marcola: Renata...- falou quase em um sussurro.
Já logo bati neurose mas fiquei quieta.
Xx: Acha mesmo mona? Todo envolvido é safado, vai larga a mulher em casa e vir correndo pra mamãe aqui, igual nos velhos tempos- falou alto e rindo junto com as amigas- aa...oi Marcola, quanto tempo!
Meu marido nem respondeu e continuou andando.
Xx: Quem é essa macaca? Sua parente? Ai amor, vou estar te esperando lá em casa- falou mordendo a ponta do dedo.
Brayan e Rhavi sairam correndo e entrando dentro de casa, só restou eu e Marcola.
Marcola: Ta chamando quem de macaca?- falou puto e se aproximando dela.
Ele se soltou de mim e cruzou os braços.
Xx: Essa ai mesmo.
Cara, aquilo acabou com o meu dia.
Pode falar tudo de mim, mas não fala do meu filho e muito menos ser racista comigo.
Odeio.
Já fiquei com os olhos cheio de lágrima.
X: Tem boca e não fala- disse a amiga.
Marcola: Coé- falou no rádio.
- Fala patrão, é pra intervir ai?
Isso mermo, pode levar todas elas, ja sabe oque fazer.
XX: Marcola, eu sou sua ex mulher, você tem que ter consideração por mim!
Marcola: Pra casa do caralho Renata, leva logo palhaço- gritou com o vapor que veio correndo- se tentar fugir pode meter bala.
Marcola estava revoltadissimo, e eu estava segurando o choro total, isso mexe comigo, não é lagal sofrer racismo.
Entrei dentro de casa ouvindo os berros daquelas malucas na rua e procurei os meninos, estavam brincando de bola no quintal, fui pro quarto e ali eu pude chorar.
Chorei muito.
Muito mesmo, mas chorei baixo.
Fui escolhendo minha roupa e peguei um vestido branco mesmo, separei minhas maquiagens na penteadeira e Marcos entrou no quarto.
Marcola: Desculpa fazer você passar por isso, elas vão ter oque merece- falou segurando meu rosto.
Não respondi, até por que a culpa não é dele.
(...)
Te contar? Tava muito feliz, sério mesmo.
A galera fez uma mini festinha pra mim na casa do Marcos e no momento estava disputando quem iria ficar com o primeiro pedaço.
Hg: Eai?? É meu né pô, pode falar- disse fazendo graça.
Faz tempo que a gente não conversa, mas de todas as maneiras eu quis ele aqui.
É meu meio irmão, me ajudou muito.
Assim como o Wt, estou me tornando amigona dele.
Dressa: Cala boca, o MEU primeiro pedaço vai para o meu sobrinho- disse debochada e Hg mandou dedo.
Rhavi: E o teu mamãe?
Luísa: Pro...Felicía- falei sorrindo de leve.
Felicía: Viuu- falou jogando o cabelo na cara do Marcos que riu debochado.
