Luísa
O Marcos estava conseguindo, estava voltando a andar, eu estava tão feliz por ele. E o engraçado era que ele só andava quando estava perto da Carol ou de mim e das crianças.
Odiava andar na frente do outro povo, o por que? Eu não sei, mas não insisti.
Estava chegando na favela e ele mandou parar na boca.
Luísa: Fazer oque lá Marcola? Que caralho hein- resmunguei e ele me biliscou de leve- Aí.
Marcola: Fica quietinha- fez careta e beijou minha testa.
Cruzei os braços e vi os moleque abrir a porta do carro e ajudar ele a levantar e colocar na cadeira de rodas.
Olhei pra calçada e reparei que os meninos montaram uma rampa, sorri de leve e vi um deles empurrar a cadeira de rodas e entrar na boca com ele.
Marcos podia muito bem levantar e ir, mas preferiu fazer cena, garoto ridículo cara.
Sai do carro e fui atrás, entrei ali e todos abaixaram a cabeça ou virou o rosto só pra não me olhar.
Isso tem dedo do Marcos.
Entrei na sala dele e vi o mesmo de cara fechada e olhando pra cara do moleque que estava ali.
Marcola: Relaxa o caralho, se liga rapá, perdi 15 mil nessa porra, tá achando que minha favela é brincadeira?
: Não mano, nois vai correr atrás do prejuízo pô
Marcola: Tu vai mermo, te dou uma semana.
: Me dá duas, qual foi chefe, impossível arranjar essa grana e essa droga toda em uma semana pô
Marcola: Se vira, pau no cu.
O Menino saiu da sala quieto e eu me mantive calada.
Luísa: Tá tudo bem?
Marcola: Ta fazendo oque aqui? Eu vou demorar, vai pra casa, não te quero aqui.
Respirei fundo e busquei oque me faltava, paciência. Eu não vou larga o Marcos aqui, a dona Felicía iria me matar quando soubesse que ele queria ficar aqui sozinho, ainda mais no estado que ele se encontra.
Luísa: O caralho que eu vou pra casa sem você, enquanto você não melhorar cem porcento, você não fica mais de quinze minutos nessa boca de fumo- falei me revoltando.
Marcola: Sou o dono da favela, tenho que comandar essa porra e principalmente agora que está uma bagunça.- me puxou pra perto dele.
Luísa: Não consegue fazer isso dentro de casa?- cruzei os braços.
Marcola: Não consigo, tenho que assinar vários bagulho, fazer reunião com os moleque e principalmente fazer a contagem de todas as boca.
Luísa: Você não vai pra casa?
Marcola: Coé mô, vai ficar bolada?- abaixou a guarda.
