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LUCIUS WALKER

Hoje fazem trinta dias que eu e Megan nos casamos e uma semana que retornamos da lua de mel. E eu não poderia estar mais satisfeito com a atual situação em que minha vida se encontra.

Líder de uma das maiores organizações criminosas do mundo, casado com a primeira e única mulher que já amei na vida e agora, pai. Confesso que ainda estou me acostumado com a ideia, não que eu não esteja feliz, pelo contrário.

Só não me adaptei ainda a ter que dividir minha esposa com outro ser humano. Meg anda muito enjoada e com um humor extremamente confuso. Uma hora está feliz mas em segundos já está chorando, isso quando não está rindo e chorando ao mesmo tempo. É assustador.

Segundo a médica que cuida da gestação do meu filho, tudo isso se dá por contar dos hormônios da gravidez, o que me deixa mais tranquilo.

Porém, a situação em que me encontro agora é um pouco mais delicada que tudo isso que estava pensando para tentar distrair a mente da real situação atual.

Eu estou levando minha esposa para o porão.

Isso. A porra do porão. O exato lugar que deixei Pérez apodrecendo desde o dia que Alec o trouxe para mim e daí em diante eu e meu cunhado vínhamos nos revezando nas sessões de tortura.

Porém, por um mínimo deslize meu que acreditei que Meg finalmente havia voltado a conseguir dormir pelas madrugadas, acabei sendo seguido e encurralado por minha própria esposa.

Confesso que foi extremamente sexy e me deu um tesão do caralho vê-la me interrogando sobre uma possível amante. Megan com ciúmes é meu paraíso.

Mas, como nem tudo são flores, jamais permitiria que ela cogitasse a ideia. Então contei a verdade, até porque esconder aquilo dela estava me dando nos nervos.

E como já era esperado, a garota não me deixou em paz até que eu concordasse em trazê-la aqui.

Respiro fundo e a encaro novamente.

- Tem certeza disso? Ao vê-lo irá reviver os momentos horríveis pelos quais passou. Não acho que seja necessário meu amor, eu posso resolver isso para você. - Tento convencê-la.

- Lucius, ou você me deixa entrar agora, ou eu sumo com essa criança e você nunca mais nos encontrará.

Suspiro derrotado. Golpe baixo.

Destravo a porta de ferro com reconhecimento facial e adentramos.

Mantenho Megan sempre atrás de mim, não porque é inferior, longe disso. Mas sim com intuito de protegê-la.

No fundo da sala escura avisto Alec encostado na mesa de tortura enquanto encara uma de suas preciosas facas. Sua obsessão desde que entrou para a bratva.

Ele não concordou com essa ideia desde o início, mas também não conseguiu convencer a irmã do contrário, por isso está aqui conosco. Veio mais cedo e preparou Pérez para receber a filha.

O filho da puta está quase desfigurado de tantos socos que leva por dia, sem contar a desnutrição devido a falta de alimentação. Ele só está vivo devido a bolsas de soro e alguns pedaços de pão que as vezes permito.

Se ele morresse rápido não teria graça.

Como uma brincadeira de mal gosto, Alec o acorrentou exatamente como Pérez fazia com Meg e fez questão de deixá-lo bem acordado para esse momento.

- Gostou? - Meu cunhado pergunta enquanto se aproxima de nós.

- Seu humor é perverso. - Afirmo enquanto dou espaço para minha mulher ficar a minha frente.

Procuro alguma emoção em seu rosto mas é inútil. O olhar de Megan é vazio, seu rosto não esboça reação nenhuma.

Confesso que achei que ela iria chorar, gritar, ou sei lá mais oque. Mas não, ela só o encara por longos minutos antes de ir até o irmão.

Alec se afasta instantaneamente. Não por medo da irmã, mas sim por que tem problemas com toques. O garoto não suporta a ideia de pessoas próximas demais.

- Eu quero uma faca. - Meg exige e estende a mão em sua direção.

Ele a encara e logo desvia o olhar para mim, em um pedido silencioso de ajuda.

Sei que Alec iria adorar entregar uma coleção de facas a irmã, ele é um fodido psicopata que sempre prefere um maldito estrago. Mas ele sabe que agora não se trata de sua irmã e cunhado mas sim da baronesa e barão da bratva.

- Meg.. - Não consigo finalizar a frase pois ela ainda de costas para mim estende um dos braços me barrando.

- Você sabe que eu preciso disso Lucius, não tente me parar agora.

Então dou um leve aceno de cabeça.

Ao contrário do que pensei, Alec retira apenas uma faca de seu estojo e entrega a irmã que segura rapidamente.

- Você demorou... - O filho da puta solta com deboche. - Estou te esperando já tem um tempo. Acaba logo com isso, faça o que seu marido e seu irmão não tiveram coragem.

Prendo meus próprios pés no chão ao ouvir isso, minha vontade é ir até lá e fazê-lo engolir suas palavras, mas me controlo em respeito a minha esposa.

Já Alec parece alheio a situação, entediado eu diria. Mas minha atenção retorna para Megan quando vejo um pequeno sorriso surgir em seu rosto.

- Morrer assim? Tão fácil? - Dá de ombros.

- Garota maldita! Faça o que tem que ser feito! Me mate de uma vez!

E então em um movimento inesperado por mim, ela enfia a faca no olho esquerdo de Pérez e em seguida puxa, fazendo com que o órgão fique grudado na mesma.

O homem grita desesperado e tenta se livrar das correntes enquanto Meg pressiona a ponta da lâmina em seus lábios.

- Shiiih.. eu não gosto de barulho, sabia? Fica calmo, está tudo bem.. - Sussurra lentamente.

Um sorriso orgulhoso cresce em meus lábios. Porra! Que mulher foda!

Pelo canto do olho vejo quando seu irmão sai da sala de fininho. Eu também faria o mesmo e deixaria minha esposa aproveitar esse momento incrível que é matar pela primeira vez alguém que realmente merece.

Mas mesmo amarrado as correntes, não arrisco deixar Pérez sozinho com minha mulher e filho. Então apenas me afasto o máximo possível, sento na mesa que Alec estava encostado a pouco tempo e aprecio o show que virá a seguir.

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