Caroline Biazin.
Era por volta das oito horas da manhã quando abri a porta do quarto de hotel e encarei Mari andando de um lado para o outro, eu já sabia o que viria depois disso então apenas joguei minha bolsa sobre a mesa e fui até a cafeteira, em completo silêncio. Me servi uma dose generosa de café e bebi rapidamente, senti sua presença atrás de mim e senti aquele medo de me virar, medo de quem fez coisa errada a noite toda, dei um longo suspiro e a olhei nos olhos.
— Vai me dizer aonde estava? — perguntou cruzando os braços.
— No estúdio. — falei dando de ombros.
— De banho tomado? — perguntou passando as mãos no meu cabelo úmido.
Havíamos transado no chuveiro também. Arg.
— Hã... Me ofereceram uma suíte para descansar, eu disse que apenas tomaria um banho antes de vir, para acordar sabe. — foi a melhor coisa em que pensei, mas ela estava irreversível, então eu mudaria de assunto — Consegui um ótimo avanço para minha ressaca compositora. — eu estava há alguns meses sem conseguir tirar as músicas do papel, mas eu sabia o que era...
— Entendi. — disse ainda de braços cruzados — Não dava para atender o telefone? — continuou buscando motivos para brigar comigo.
— Estava sem bateria. — dei de lembro — Vou me deitar um pouco, me acorda no almoço? — perguntei e a vi assentir se jogando no sofá.
Fui para o quarto sabendo que as coisas ficariam estranhas por um tempo, mas que Mariana logo esqueceria, como da última vez. Tirei as roupas, do meu corpo e joguei em algum canto do quarto, me deitei na cama confortável e me deixei lembrar do quanto era bom ter Dayane novamente. Apenas ela soube trilhar meu corpo, mesmo depois de tanto tempo e com a sensação que ela havia se perdido nele, ela soube fazer exatamente o que eu queria. Soube dedilhar, soube beijar, soube chupar e soube me comer...
Diferente do que Day pensa, eu não quis supera-la com outra pessoa, eu estava um caco quando ela me deixou. Se ao menos tivesse ligado uma única vez eu me sentiria melhor, mas diferente disso, ela apenas ignorou minha existência. Day se afasta para sarar de algo, ignora o óbvio e vive como se aquilo não existisse, mas eu... Eu pedia por ela todas as noites e em uma viagem tudo mudou. Conheci Mari em uma praia, era nítido que ela não tirava os olhos de mim, me ofereceu uma bebida e eu neguei todas as investidas dela, disse que não estava disponível emocionalmente e ela insistiu em uma amizade. Amizade essa que virou um namoro, no começo eu me forçava a gostar dela e achava o sexo desastroso, uma sensação que não combinávamos em nada, mas conforme fui tentando aprendi a amá-la.
Com Day eu nunca precisei pensar em "precisar" amar ela, apenas aconteceu e quanto mais eu negava, mais aquilo crescia dentro de mim. O sorriso mais lindo, os cabelos negros mais bonitos que já vi e a simplicidade na forma de viver, mesmo seu pai sendo um bilionário. Quando eu a vi senti meu corpo gelar e ao mesmo tempo meu coração disparar, era tudo o que eu mais queria, mas se tornou horrível por eu não estar pronta para revê-la, ainda mais nessas circunstâncias. A vontade de abraçar seu corpo alto e forte me consumiu, o desejo de beija-la saudosamente e esquecer que estava em uma reunião de negócios foi avassalador. Eu apenas queria sentir Day novamente, sentir que a pertencia e que meu coração nunca mudaria de lado. Ela gosta de dizer que fui a primeira paixão dela, o primeiro amor, mas porra... eu achei que já havia amado antes, mas agora eu tenho certeza que nada jamais chegará aos pés do que sinto por ela.
— Não consegue dormir? — ouvi a voz de Mari me tirando de meus pensamentos impiedosos sobre o corpo de Dayane.
— Estou ansiosa. — respondi com um leve suspiro.
— Posso saber sobre o que? — ela tentou usar um tom preocupado, mas eu sabia que suas intenções eram tentar tirar algo de mim.
Eu entendo que dormir fora de casa é suspeito e inaceitável, mas eu precisava falar com Day sobre ter me visto com minha namorada na praia. Eu queria tanto que não houvesse algo para nos afastar e falando assim parece sujo, mas eu sentia uma conexão muito forte com Dayane. É como se meu corpo implorasse por seu contato, não sexualmente, mesmo que eu sentisse muita falta do sexo quente com ela, mas sua presença ou uma conversa valia muito, me sentia presa naquele sorriso. Poderia escrever uma música sobre isso, como gostaria de amá-la sem culpa.
Senti a cama afundar atrás de mim e me virei para olhar, era Mari com os cabelos bagunçados e rosto corado.
— Sinto você tão distante, bê... — alisou meus cabelos de uma forma tão delicada — depois que viemos para cá você anda me dando muito perdido. — eu sabia que era verdade, mas não precisava admitir isso.
— Não é isso. Você sabe que vim a trabalho. — as vezes me pergunto o que aconteceria se eu contasse sobre Day, provavelmente ela surtaria, mas não me largaria.
Talvez eu esteja sendo muito babaca em segura-la a mim com a única certeza que ela me ama tanto ao ponto de não me deixar. As viagens não são tão solitárias e as noites não são frias, os jantares não são solitários e quando o corpo súplica, há alguém para satisfazer. Mas aquilo era injusto, ela tentava preencher um lugar que nunca foi dela, eu nunca quis que fosse dela, mas que fui preenchendo a carência e a raiva que sentia por Dayane ter me abandonado. De certa forma eu sentia que Mariana sabia que me faltava algo, que eu esperava por algo e que não havia superado seja lá o que. Nunca trocamos uma palavra sobre isso.
Me dói mais ainda olhá-la e ver que ela está no lugar da mulher que eu amo, e que a mesma mulher nunca colocou ninguém no meu lugar. Nunca tocou ou beijou alguém depois de mim, ela jamais precisaria me dizer isso, pois senti sua necessidade assim que me tocou, tive ainda mais certeza quando a senti querer gozar em cada estocada que dava dentro de mim, saber disso me satisfez tanto em meio a tanta saudade de seu toque.
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The Lake House (Dayrol)
FanfictionLondres: tempos atuais. Fui enviada da Califórnia para cá na tentativa estúpida de resolver mais um caso. O que eu não acho ruim, viajar tem sido meu alicerce para fugir de alguns problemas pessoais, mas não há nada de bom em casos assim. Uma garo...
