Se passou um tempo. Alguns meses.
Evito ouvir o nome da mulher de cabelos vermelhos, porque ela continua sendo tudo o que um dia eu quis. Ignoro o aperto insistente no peito, o vazio que afunda no estômago todas as noites, quando o dia termina e ela não está. Ela não voltou. E deixou claro que, mesmo se voltasse, não seria por mim.
A verdade é que passo os dias tentando fugir da única verdade que importa. Continuo vivendo, trabalhando, respirando... fingindo que não descobri que a única vez em que me senti realmente viva foi ao lado dela. Nada parece competir com essa lembrança. É desgastante. Como travar uma guerra contra a melhor versão de si mesma e perder todas as batalhas.
Quero seguir em frente. Quero. Só não descobri como se anda quando uma parte de você decidiu ficar para trás.
Solto uma risada baixa.
É curioso como a mentira fica mais convincente quando você a repete vezes suficientes. Às vezes, quase acredito nela quando encaro meu próprio reflexo.
— Está ótimo assim.
Ouço a voz atrás de mim antes mesmo de vê-la pelo espelho. Anna se aproxima devagar e se inclina sobre meu ombro.
Faço um som distraído.
— O cinto. Estava torto.
Ela ajeita a fivela com delicadeza. Seus dedos roçam de leve na minha cintura.
Meu primeiro impulso é me afastar.
O segundo é odiar a mim mesma por isso.
— Obrigada.
Ela sorri como quem já decorou meus silêncios. Caminha até a cozinha e volta alguns segundos depois com uma xícara de expresso.
— Você esqueceu de tomar café de novo.
Aceito a bebida.
Mais pelo carinho do que pela cafeína.
— Também coloquei sua marmita na mochila. Você sempre esquece quando está preocupada.
Meu peito aperta.
Anna faz essas coisas sem esperar reconhecimento. Ela simplesmente cuida.
Talvez esse seja o problema.
Ela cuida de alguém incapaz de devolver o mesmo amor.
— Está quieta. Está tudo bem?
Gostaria de responder que não. Que faz meses desde a última vez em que estive realmente bem. Que existem dias em que levantar da cama parece uma negociação injusta comigo mesma.
Mas é confortável perceber que mais uma pessoa acredita nas minhas mentiras.
— Tudo sim. Só preciso fazer dar certo na delegacia hoje.
Dou de ombros.
— O que é meio impossível, né?
Ela sorri daquele jeito tranquilo que sempre encontra espaço entre os meus desastres.
— Vai dar certo. Sempre dá.
Por um segundo, quase acredito nela.
Então sinto o perfume que ela acabou de passar.
Não é o cheiro da Caroline.
Mesmo assim, meu cérebro insiste em procurar.
Faço o que faço de melhor.
Dou um passo para trás.
Coloco alguns centímetros entre nós antes que ela consiga enxergar mais do que permito.
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The Lake House (Dayrol)
Fiksi PenggemarLondres: tempos atuais. Fui enviada da Califórnia para cá na tentativa estúpida de resolver mais um caso. O que eu não acho ruim, viajar tem sido meu alicerce para fugir de alguns problemas pessoais, mas não há nada de bom em casos assim. Uma garo...
