Caroline Biazin.
Estava quase amanhecendo quando senti sua mão quente tocar em meu ombro, estava usando uma camisa de cetim verde musgo e uma calcinha preta. A vista daquele andar me chamou atenção desde a primeira vez que entrei nesse quarto e me debrucei na sacada, as árvores tão verdes e o céu tão estrelado, a linda vista da cidade tão movimentada mesmo as 5h da manhã.
— Um chá quente para te aquecer. — ouvi sua voz doce e melodiosa, suspirei em aprovação.
— Obrigada! — respondi dando um sorriso sem mostrar os dentes.
— Você deve estar cansada, não ando te deixando dormir direito. — um sorriso brotou em seus lábios, mas logo desapareceu — Como está o trabalho? — perguntou mudando rapidamente de assunto.
— Bom, por agora eu ando tendo um grande avanço. — fiz uma pausa para dar um generoso gole no meu chá — Estou finalizando um álbum, na verde acho que... finalizei ontem a noite. — os flashbacks de nós duas juntas me deixou completamente inspirada.
— Você vai me deixar ouvi-lo? — perguntou estendendo o braço e levando uma mecha do meu cabelo para trás da minha orelha.
— Nada seria mais justo do que isso... ele é sobre você! — e então seus olhos me mostraram algo que jamais poderia descrever, um toque de surpresa com um sentimento ainda desconhecido por mim.
— Ah... — sorriu, o sorriso mais belo que já vi em toda minha vida, seus olhos brilhantes estavam lá.
— E você? Como está as férias? — me desvencilhei da enorme vontade de beija-lá brutalmente.
— Essa é a melhor que já tive, nunca me senti tão viva. — falou olhando a paisagem — Você faz com que eu me sinta viva, você é como uma dose de liberdade em meio a tanto caos. — suas últimas palavras saíram como um sussurro.
— Eu me sinto da mesma forma, gostaria dessa liberdade... mas, eu não me sinto pronta para provar dela. — falei colocando a xícara em cima do mezanino e logo passando os braços por seus ombros, a laçando.
— Não quero te pressionar, mas... — seu nariz roçou o meu, senti seu lábio passar ao meu, mas ela não me beijou, estava séria — por que apenas não se liberta? — Uow!
Não consegui evitar minha expressão de desaprovação daquele assunto, ela queria que eu largasse a Mari e simplesmente pulasse nos braços dela? Day é um pouco inconsequente ou eu apenas estou com medo dessa tal liberdade.
— Desculpa, não quis ser pretensiosa. — seus braços me soltaram e ela deu alguns passos de distância de mim.
— Não faça assim. É algo a se pensar. — falei coçando a cabeça — Preciso de tempo para pensar. — agora quem se debruçou no mezanino foi eu.
— Carol, me desculpa, mas... você não está pensando nisso? Não está ao menos cogitando? — a olhei, vi seus olhos manejados por longos minutos e desviei o olhar novamente — Você está sempre aparecendo no meu apartamento, me falando coisas incríveis, tudo que eu gostaria de ouvir e logo após temos sempre uma transa melhor que a outra, mas quando amanhece você vai embora. É esse lugar que eu assumo? É nesse lugar que eu caibo? — seu tom de voz doeu, apertou meu coração.
— Você sabia disso quando ficamos... você a viu. — falei tentando convencer a nós duas.
— Não significa que eu aceite isso para sempre. — falou secando algumas lágrimas que caiam em seu lindo rosto angelical.
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The Lake House (Dayrol)
Misterio / SuspensoLondres: tempos atuais. Fui enviada da Califórnia para cá na tentativa estúpida de resolver mais um caso. O que eu não acho ruim, viajar tem sido meu alicerce para fugir de alguns problemas pessoais, mas não há nada de bom em casos assim. Uma garo...
