summer and winter

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O inverno sempre foi minha época favorita, a neve caindo do céu, a chuva molhando as janelas no topo de um prédio, a fumaça saindo por meus lábios e o cheiro de terra molhada depois de uma tempestade. Mas agora eu estava conhecendo um novo sentimento, o amor pelo verão. O sol queimando minha pele, o sal da água do mar que deixa meu cabelo tão volumoso e bonito, a água de coco em um quiosque de praia, os vestidos sem um monte de casacos e a vontade de viver um novo dia sempre que amanhece.
Eu sabia exatamente aonde gastar essa vontade de viver, em uma praia com enormes casarões da cidade. Nadando com a vista da varanda da casa de praia dos Limins. Olhando em direção ao primeiro lugar aonde vi Dayane depois de tantos anos, deixando que a água me levasse até onde meus pés alcançam o chão.
Um incrível sol de final de semana, em uma linda tarde para correr atrás da mulher que amo. É engraçado, pois eu a amo e ela nem imagina o quanto, talvez por minha causa, talvez porque eu pego tão pesado quando ela me cobra algum pingo de dignidade. Ela tem total razão, eu estou a usando e isso não é justo, nem comigo e muito menos com ela. Ignorar esses sentimentos só me levará ao sofrimento primitivo, a primeira decepção amorosa, a dor de perca, o luto por algo que nunca existiria. Ah, relembrar dói! Entender que Dayane está certa certamente me torna mais madura, porém o que devo fazer? Terminar com Mariana? Largar tudo e pular em um penhasco que eu nem sei se me dará pé? Isso é mais difícil do que eu pensei. Talvez uma boa conversa faça com que minha mente abra.

Você por aqui? — ouvi a voz do homem atrás de mim, agora sem ternos e gravatas, uma camisa simples e bermuda.

Olha se não é meu agente favorito! — falei o cumprimentando com um aperto de mão.

Temos que ter uma folga né? Minha mulher pediu para vir pegar sorvetes. — disse sorrindo, o mesmo sorriso da mulher que amo.

Você é sua filha se parecem muito, uau! — falei admitindo para ele, ele ficou levemente avermelhado, mas agradeceu o elogio.

Como foi o jantar com ela? — perguntou enquanto guardava alguns picolés em sua sacola.

Muito agradável. Aliás, fiquei de ajudá-la com um assunto... será que teria como o senhor chamá-la para cá hoje? Mas não precisa dizer que é em meu pedido. — ok, aquilo deveria ser uma boa estratégia.

Olha, nem vai precisar. Toda sexta feira Day vem para cá, surfar, ela fica o fim de semana todo aqui. — disse com o olhar um tanto curioso — Você quer entrar para esperá-la lá dentro? Use o banheiro para se secar. — disse com um sorriso gentil.

Claro! — peguei minhas coisas e o acompanhei até a casa mais incrível de todas aquelas.

Pode usar essa suíte, tem alguns produtos no banheiro que... ah você sabe, minha filha que entende, vocês mulheres usam muita coisa. — disse rindo.

Obrigada César, eu já desço! — falei pegando as toalhas que ele me ofereceu.

Fique a vontade! — falou se retirando.

Eu estava no quarto de Day, o primeiro quarto dela. Me sentei em sua cama macia e fitei a praia, as pessoas se divertindo, fugindo de seus passados, ignorando seu presente e apenas vivendo. Aproveitando cada minuto daquela tarde ensolarada, ouvindo um bom som e comendo uma comida bem temperada que apenas praias sabem oferecer. Caminhei até o closet e encontrei algumas peças de roupa, as inalei sentindo seu cheiro frutado. Você é tão cheirosa! Sinto falta de sentir seu cheiro em minha pele, de seu toque firme e sua boca tão, mas tão macia.
Fui para seu banheiro e tomei o melhor banho desde que cheguei aqui, usei todos os seus produtos que me fizeram sentir cada vez mais sua presença aqui. A ansiedade tomou meu estômago quando comecei a me lembrar dela, a pensar que a veria ainda hoje, que se ela me pegasse em seu banheiro não gostaria tanto assim. Por que de tantos quartos na casa, ele me ofereceu justamente o quarto dela? Hm, talvez porque aqui tenha produtos.

— Usando minhas coisas? Que feio. — ouvi uma voz tomar o ambiente, me virei rápido para me tampar, bosta de box de vidro!

Caralho! — gritei assim que a vi, o susto teria sido menor se fosse outra pessoa.

Seus olhos desceram por todo o meu corpo, me deixando um pouco constrangida.

Não precisa se cobrir. — falou em um tom autoritário ainda com os olhos em mim, ela levou suas mãos aos bolsos de sua calça. Entendi.

Sorri. Destampei meu corpo e levei minhas mãos para meus cabelos ruivos, removendo todo condicionador. Eu sentia minha pele queimar com seu olhar, eles estavam em meus seios e eu nem precisava abrir os olhos para saber que sim.

Em minha defesa, seu pai me ofereceu seu banheiro. — falei desligando a água e saindo do box, ainda molhada.

Eu não estou reclamando. — seu olhar encontrou o meu — Só não esperava te ver...— falou dando um sorrisinho — não depois de quarta-feira. — torceu o lábio.

Estava de passagem... curtindo uma praia. — que papo mais furado.

Tá blefando... — disse como se estivesse lendo minha mente — está com saudade de mim. Seu corpo suplica por mim, seu coração me chama sempre que estou longe e estou o vendo pulsar rápido em sua garganta, está nervosa ou ansiosa para que eu beijar logo? — por favor faça isso!!! Quase gritei.

Para de ser convencida, garota. — falei me virando de costas para ela, sabendo que ela voltaria a descer o olhar por toda minha pele, mas virei mesmo assim.

Convencida? — disse se aproximando e colando nossos quadris, ela me queria! Fiquei estagnada, esperando para que ela tomasse alguma atitude — Se assim prefere. — ela despejou um beijo em meu ombro nu e se afastou, saindo do banheiro.

Eu apenas quis me esconder de mim mesmo, chorar por ter deixado que ela fosse embora. Me sequei rapidamente com aquela toalha felpuda e fui até o quarto dela. E lá estava, sentada em sua cama fitando seu celular com um semblante bravo, com os olhos pronto para me devorar.

Vai fugir sempre que algo te desagradar? — falei segurando firme a toalha em meu corpo.

Eu não fugi, mas... você sim. — seu rosto se virou para mim, não estava meigo como geralmente é, estava frio — Saiu fugida do meu apartamento quando decidiu que eu jamais te teria. — ela bufou, como se aquilo fosse um blefe.

Eu não entendo o que você quer de mim. — senti meu rosto ficar vermelho, o pigmento sempre me aquece.

Como não entende? Jura? — ela bateu na cama nervosa, dei uns passos para trás — Como não entende que eu te quero para a vida, Caroline? Como não entende que eu gostaria de fazer tudo por você? Se eu pudesse jamais teria te deixado naquele apartamento, Deus sabe o quanto eu gostaria de ter te trago comigo. Ele está nos dando mais uma chance, nos colocou aqui e nunca deixou meus sentimentos por você morrer, mas sinto que você está disposta a acabar com tudo isso. — ela voltou a se encostar na cama, agora olhando para o outro lado com os olhos marejados.

Eu não sei o que dizer. — foi a única coisa que consegui tirar da minha boca.

Claro que não. — ela riu com um olhar tão triste que senti uma pontada em meu coração.

Day... — suspirei seu nome quando a vi se levantar.

Tudo bem, Carol. Eu entendi. — falou me olhando por cima de seu ombro antes que saísse do quarto.

E assim ela se foi.
Sinto que daqui 2 anos ela aparecerá novamente.

The Lake House (Dayrol)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora