33 - Dez anos

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Escorrego os dedos por entre os cachos curtos

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Escorrego os dedos por entre os cachos curtos. Nem acredito que Bia teve coragem de cortar tanto. E foi até estranho não acordar com aquele tanto de cabelo na minha cara, ou emaranhado no meu braço.

Obviamente ela continua linda, mas foi muito impactante vê-la com os fios curtos. Quando nos conhecemos, oito anos atrás, os cabelos dela já eram bem longos, porém, com o passar dos anos, ficaram ainda maiores. Bia tinha um zelo surreal por aquele cabelo, até mencionou uma vez que tinha vontade de cortar, mas nunca achei que teria mesmo coragem.

Após vários minutos apreciando a visão do seu corpo nu e parcialmente descoberto grudado ao meu e seu rosto lindo encostado no meu peito, tiro com cuidado meu braço de baixo da sua cabeça e levanto, imaginado que ela não vai acordar nem tão cedo. Tivemos três rounds durante a madrugada e dois cochilos entre eles, foi uma noite cansativa. Extremamente prazerosa, mas cansativa.

Entro debaixo do chuveiro com um sorriso idiota e orgulhoso estampado no rosto. Como uma menininha apaixonada de filme, fico relembrando cada momento, desde que desci do Uber e reconheci o carro e a placa dela, até nosso último round. Foi realmente uma noite intensa.

Visto minha cueca sorrindo para sua figura adormecida em minha cama.

Deus... Mal posso acreditar que é real. Estou realmente namorando Beatriz. Isso é... É surreal. Parece que estou sonhando. Quase me belisco para tirar a prova, mas desisto. Se isso for um sonho, não quero acordar nunca mais.

Seguro o lençol, cobrindo o corpo dela até os ombros, e beijo sua testa. Bia se mexe um pouco, mas não abre os olhos.

Entro na cozinha cantarolando Trem Azul de Roupa Nova. Coloco o pó do café no coador e me apoio na pia esperando a água ferver.

Estou olhando alguns storys no Instagram e quando aparece uma foto de Hellen solto uma risada incrédula. Eu agora meio que sou padrasto da minha melhor amiga.

Deus, que loucura!

Como se invocada pelo meus pensamentos, o aparelho vibra anunciando uma ligação de Hellen.

— Bom dia! Caiu da cama? Só isso explica você estar de pé às sete horas da manhã de um sábado.

— Vai te lascar, Gustavo! Por favor, me diz que minha mãe tá por aí. Acabei de chegar no apartamento dela e não tem nem um sinal de que ela dormiu por aqui. Já liguei mas o celular nem chama. Eu sei que vocês não de falam há um tempão, mainha me explicou mais ou menos o que aconteceu, mas eu já falei com minha tia e com Paty mas ning...

— Ei, calma. Respira! Sua mãe veio aqui pra a gente conversar.

— E?

Sorrio.

— Pode me chamar de papai Guga.

Consigo ouvir seu suspiro de alívio, seguido por segundos de silêncio.

Quando Menos Imaginei Onde histórias criam vida. Descubra agora