Epílogo - Uma vida linda

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Oito anos depois

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Oito anos depois...

Helena Aparecida da Silva.

05/03/1950 – 03/12/2032

Mãe, avó e bisavó amorosa

 
Me seguro para não revirar os olhos diante da frase na lápide e abraço minha filha, que chora sem parar.

Helena morreu há dois dias de causas naturais. Foi dormir e não acordou mais. Passamos a noite de ontem inteira no velório e hoje foi o enterro.

Sendo bem sincera, eu não derramei nem uma única lágrima e odiei cada segundo do velório e enterro. Odeio cemitérios e por mim não teria vindo, mas Hellen era apegada a bisavó e, apesar de ter o apoio de João Paulo, quis estar aqui por ela. E também por Esmeralda, que está sofrendo muito com a morte da mãe. Mesmo que nossa relação ainda não seja das melhores, quis estar aqui por ela.

Nesse momento, enquanto JP e eu consolamos Hellen, meu irmão Carlinhos e minha cunhada Bárbara estão ao lado da minha mãe, segurando-a enquanto ela chora compulsivamente como tem feito desde que encontrou a velha Helena sem vida.

Trinta minutos após o fechamento do túmulo, Esmeralda começa a se encaminhar para a saída do cemitério e minha filha decide ir também. Seus passos são lentos e em certo momento parece que ela vai desmaiar de tanta tristeza.

— Pode deixar que eu pego Enrique na casa da Mônica e fico com ele hoje, amanhã também se você precisar. Tome seu tempo para sentir o luto — aviso quando chegamos ao carro de João Paulo. Beijo a testa da minha garotinha e me despeço dela do meu genro.

— Mãe, quer ficar lá em casa hoje? Talvez as crianças te acalentem um pouco.

— Não, filha, obrigado. Vou pra casa da sua avó.

— Não parece uma boa ideia ficar lá no meio das lembranças — argumento.

— Nós vamos pra lá com ela, Bia — meu irmão se aproxima — pode ficar tranquila que nós cuidamos dela.

Me despeço de Carlos, Bárbara e dos meus sobrinhos. Sigo até Gustavo, que agora está me esperando ao lado do seu carro.

— Vamos pegar as crianças na casa dos meus pais?

— Prefiro passar em casa antes para tomar banho e tirar essa Inhaca de cemitério.

— Tudo bem.

Vamos para o meu apartamento, que se tornou nosso quando completamos um ano juntos e Gustavo se mudou para morar comigo. Foi uma decisão fácil e natural, considerando que ele já passava muito mais tempo no meu apartamento do que no dele próprio. Um ano depois o loiro me pediu em casamento e mais um ano depois, na véspera de São João, nos casamos. Foi uma terça-feira, mas ele quis fazer exatamente no dia 23 pois foi quando ele sentiu algo diferente por mim pela primeira vez. Gustavo acha que se apaixonou nesse dia, então é uma data que ele guarda com carinho.

Quando Menos Imaginei Histórias para pegar e não largar. Descubra agora