Beatriz foi mãe muito jovem e passou a vida se dedicando a sua filha. Devido seu histórico familiar complicado, decidiu se manter distante de todo e qualquer relacionamento amoroso. Tem alcançado seu objetivo com êxito, mas o garoto de intenso olhos...
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— Mônica, que bom te ver!
Abro a porta para ela entrar, mas meu sorriso morre quando lembro o porquê a estava evitando.
— Bom dia, Bia! — Me dá um abraço rápido e entra. Quando chegamos na sala ela para, fecha os olhos e puxa a respiração com força, inalando o ar. — Brownie?
Sorrio.
— Sim. Tirei do forno há vinte minutos, vou buscar para a gente.
Sigo para a cozinha e ela me acompanha.
— Quer um café pra acompanhar?
— Nem precisa perguntar.
Senta em uma das cadeiras enquanto preparo um café coado.
— Posso? Pergunta apontando para a forma com brownie.
— Oxe, claro que sim.
Entrego uma faca para ela, que se encarrega de parti-lo em quadradinhos. Com o café pronto e o doce disposto em um prato largo e raso, voltamos para a sala.
Me remexo diante do seu olhar insistente e avaliativo.
Jesus, não acredito que com trinta e seis anos na cara tô nervosa por conversar com minha sogra.
— Então, norinha, quando você vai parar de fugir de mim? — Engasgo com o brownie que havia colocado na boca na falha tentativa de aplacar o nervosismo.
Dá uns tapinhas nas minhas costas, rindo e se desculpando.
— Desculpa se fui direta demais.
Balanço a cabeça, tomando um longo gole de café.
— Eu só queria quebrar o gelo — explica quando me recomponho. — Eu sei que é clichê falar isso, mas eu nunca vi meu filho tão feliz. Tá até me visitando mais, sabia? Guga parece que tá andando mas nuvens e conversando constantemente com o passarinho verde.
Rio, tomando um pouco de café para limpar a garganta.
— Ele contou que você tem se recusado a ir lá no sítio com ele porque ainda se sente desconfortável com a diferença de idade.
Confirmo com os olhos baixos, mesmo que não seja uma pergunta.
— Guga nunca te contou minha história com o pai dele, não é?
Nego, levemente confufa com a mudança de assunto.
— Olha, eu também senti na pele o preconceito de namorar alguém mais novo. Augusto é oito anos mais novo que eu e entrou na faculdade no mesmo ano em que passei a dar algumas aulas de direito familiar na universidade dele. O garoto só tinha dezoito anos, mas se apaixonou imediatamente e passou dois anos flertando comigo descaradamente, sem se importar se eu era mais velha e sua professora. Obviamente rejeitei todas as investidas. Dei aula por apenas dois anos antes de decidir continuar apenas advogando. No ano em que deixei de ser professora, Guto começou a estagiar na empresa da minha família, naquele ano o garoto parecia mais determinado a me conquistar, e não é que conseguiu?