Beatriz foi mãe muito jovem e passou a vida se dedicando a sua filha. Devido seu histórico familiar complicado, decidiu se manter distante de todo e qualquer relacionamento amoroso. Tem alcançado seu objetivo com êxito, mas o garoto de intenso olhos...
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Entramos em silêncio no meu apartamento. Sua confissão lá embaixo e meu pedido sofrido para que não brincasse comigo, foi seguido por um longo silêncio preenchido por uma intensa troca de olhar. Tinha tanta coisa não dita ali, mas, aparentemente, Beatriz resolveu dar voz as palavras não ditas e perguntou se podíamos conversar. Como o bom idiota apaixonado que sou, aceitei sem hesitar.
Me sinto estúpido por admitir, mas algo em seu olhar me deixou esperançoso.
O que posso fazer se sou um idiota apaixonado?
Bia coloca a bolsa no braço do sofá e me encara, porém não fala nada. Os minutos se arrastam e começo a temer o que ela vai falar, abro a boca para perguntar se ela veio reforçar que o beijo na casa dela foi um erro, no entanto, Bia se adianta.
— Estou apaixonada por você — arregala os olhos castanhos, como se a confissão tivesse escapado sem querer.
Desnorteado, aperto com força o tecido macio do encosto do sofá. Com certeza não era isso que eu esperava ouvir.
— Você... Você está...? Está apaixonada por mim?
Meus ouvidos se recusam a acreditar no que ouviram. Meu cérebro parece entrar em curto circuito e não sei como reagir.
— Não era assim que pretendia começar — responde sem jeito.
— Está ou não, Bia? — Acho que minha voz sai um pouco ríspida, mas não tenho certeza. Tudo que consigo ouvir é meu coração pulsando no ouvido. Eu preciso da confirmação de que não ouvi errado.
Desvia os olhos para o chão. Seu menear é tão sútil que mal percebo.
— Sim — sua voz é praticamente um sussurro.
Ajeito minha coluna, ficando ereto. Engulo a saliva com nervosismo e pigarreio.
— Isso... Isso muda alguma coisa entre nós?
Meu coração, por mais impossível que pareça, dobra a velocidade. A sensação que tenho é que a qualquer momento ele vai atravessar minha caixa torácica.
Segundos, talvez minutos, se arrastam lentamente sem resposta.
Permaneço em silêncio. Inquieto, porém calado.
— Eu... Eu não sei — sua voz sai embargada. — Eu realmente não sei. É difícil aceitar e confessar, mas eu gosto de você e quero ficar com você, mas... Merda, Gustavo! Você não poderia ter nascido uns dez anos antes?
Ela não faz ideia de quantas vezes, desde que percebi que estava apaixonado, desejei ser mais velho. Mas, infelizmente, não podemos mudar isso.
— Eu gostaria, Bia, gostaria muito de poder alterar isso, mas não dá. Infelizmente, não dá.
Senta no braço do sofá. Abaixa a cabeça e consigo ver as lágrimas pingando e molhando sua calça jeans.