Havia tanto mato e mosquito em volta do chalé de madeira onde estávamos, que mal se podia ver alguma coisa pela janela da pequena sala. Não havia muita iluminação do lado de fora e uma pequena estrada de pedrinhas, levava a um portão gigantesco. Nós havíamos andado tanto mas eu consegui gravar três cachoeiras enormes, uma fazenda e um vilarejo pelo caminho. Me questionei o caminho inteiro a qual distância Gustavo estava de mim todo esse tempo. O sangue no braço dele também não saía da minha cabeça e muito menos a conversa de Lucas com Leon.
Ao chegar no chalé, fiquei completamente inquieta, meu coração parecia querer sair pela boca, eu andava de um lado para o outro fazendo um bocado de perguntas a Batôro, que ele teria que beber alguns litros de água para recuperar as salivas da língua de tanto se explicar.
— Então só pra ver se entendi...
— Hm. Sim?
— Você era da mafia do pai do Gustavo e ele te procurou pra ajudar ele. O Lucas tá envolvido com os rivais, mas ligou pra vocês... arrependido?
Ele me encarava, sentado no sofá e com cara de quem havia fumado uns dez baseados.
— Ele não concordou com algo referente a fazer mal a você. Mudou os planos. A Júlia não quer você viva.
— Mas ele queria?
— Bom, no começo disso tudo, não sei. Mas ele quer agora. Ele se desentendeu com a Júlia e quebrou a aliança deles.
— Na verdade, ela quer atingir o Gustavo.
— Basicamente isso.
— E tem quantos de vocês? Onde a gente tá?
— Bom, estamos longe, na casa deles. Mas Lucas nos orientou também.
— Isso é suficiente?
— Não seria, mas, o sul e sudeste estão nos ajudando também, eles sempre quiseram o que Gustavo ofereceu.
Parei de perambular e encarei-o, raivosa.
— O que Gustavo ofereceu?
— Olha, Gabriela, isso é uma conversa entre voc...
— Porra! O que ele ofereceu? Fala!
— Eu não posso fal...
Me aproximei dele, interrompendo sua fala e inclinei os pés.
— Se você não me falar agora o que Gustavo ofereceu, eu saio por essa mata, mesmo sem direção, mesmo correndo risco e sumo!
— Você não vai fazer isso.
— Quer pagar pra ver?
Batôro me encarou de cima a baixo e apertou os olhos, se afastando de mim. Ele passou a mãos pela cabeça lentamente e desviou seu olhar.
— Ele vai voltar...
— Voltar? Pra onde?
— Ele vai voltar a ser o chefe. Gustavo era muito bom no que fazia, tudo fluía na paz e ele sempre foi muito correto. Todos queriam isso e...
— Todos queriam isso? Quem? Que bando de filho da puta!
Gritei, raivosa. Esse pesadelo não podia ser real. Minha cabeça rodou, minha pressão com certeza tinha subido, um enjoo surreal tomou conta do meu corpo. Corri pro banheiro e ajoelhei na altura do vaso, colocando tudo para fora.
VOCÊ ESTÁ LENDO
La puta ll
RomansaO segundo suspiro entre nós dois parecia o último. O que era real? O que era nós dois?
