Karla
Consegui sair da cidade sem precisar falar com ninguém, o Wesley estava voltando de uma viagem, então não peguei ônibus com ele, fui de ônibus até uma cidade próxima e peguei um avião de lá, pois queria chegar rápido e de ônibus demoraria muitas horas.
Se eu não me engano, chegaria em dias. Não tenho paciência para ficar esperando tudo isso e também precisava ir logo, eu tinha que ir no final de semana.
Cheguei no Rio de Janeiro sexta feira à noite, por volta das 20h, fiz check-in no hotel e já fui me organizando.
Deixei a roupa que eu usaria no dia seguinte arrumada, oque eu precisaria para arrumar o cabelo e as outras coisas, desci no restaurante do hotel e jantei.
Subi para o meu quarto depois das 22h e fui dormir, precisava estar descansada para acordar daqui algumas horinhas.
....
04:30 da manhã.
Acordei com o despertador tocando alto, desliguei o mesmo e fui tomar meu banho, olhei minha barriga enquanto a água quente caía e simplesmente não parecia que um ser estava crescendo ali, dentro de mim.
Era muito estranho a sensação de que eu estava tentando uma criança dentro de mim.
Será que eu serei uma boa mãe? Espero que sim. - falei comigo mesma.
Senti uma temidinha estranha na barriga e sorri.
Karla: Você se mexeu pra mim? - falei sorrindo e fazendo carrinho.
Senti mais uma mexidinha e depois nada mais.
Sai do banho depois de uns longos minutos naquela água quente, o clima ainda estava frio por ser de madrugada, mas não iria colocar blusa de frio.
Coloquei uma calça leggings e uma camiseta larga, assim quem me visse, não veria a barriga, calcei meu chinelo e penteei meu cabelo em um rabi de cavalo, estava sem ânimo para arruma-lo hoje.
Tinha feito algumas comprinhas em um mercadinho perto do hotel, arrumei em uma sacola e levei comigo.
Sai de casa, as 05h da manhã e chamei o Uber, fiquei esperando em frente ao hotel e quando ele chegou, entrei e passei o código.
Uber: É este endereço mesmo? Está correto?
Karla: É sim! Está certíssimo!
Uber: Ok, desculpa a pergunta, é que tu não aparece uma mulher que visita esses locais.
Karla: Eu imagino que não pareça mesmo.
O caminho até lá foi silencioso. Cada esquina, cada semáforo, como se o tempo estivesse me empurrando devagar pra algum lugar que eu não queria ir. Eu encarava o chão a maior parte do tempo, desviava o olhar das pessoas ao redor, como se o simples fato de olhar nos olhos de alguém fosse me fazer desabar.
Quando cheguei o cheiro foi a primeira coisa que me atingiu. Uma mistura de desinfetante, poeira antiga e um pouco de ferro, como se o ar tivesse gosto metálico.
Não era o tipo de lugar que você esquece fácil.
Passei por uma porta, depois outra e mais outra. Cada uma com um barulho de ferro pesado se fechando atrás de mim.
Era como se o mundo lá fora fosse ficando mais distante a cada passo. A luz era fria, meio amarelada, e as paredes pareciam contar histórias que ninguém queria ouvir.
As pessoas ao meu redor, algumas tinham o olhar perdido, outras olhavam fixo pra frente como se quisessem terminar logo com aquilo. Teve quem chorasse. Teve quem andasse de cabeça baixa o tempo todo.
Eu só tentava controlar a respiração. Inspirar. Expirar. Sem demonstrar nada.
Minhas mãos suavam. As pernas pareciam de algodão. Toda vez que eu achava que já tinha passado por todas as etapas, vinha mais uma: mais uma fila, mais uma porta, mais uma revista.
Um protocolo atrás do outro, como se o lugar fosse feito pra te fazer desistir antes mesmo de chegar ao final.
Eu me pegava olhando pros detalhes mais bobos, só pra tentar distrair a mente. O som dos sapatos contra o piso. O barulho de chaves sendo giradas. As câmeras nos cantos. A tinta descascada perto do teto.
Quando finalmente me chamaram, o estômago deu um nó. Eu hesitei por meio segundo, mas dei o passo adiante. Não era mais hora de voltar atrás.
Sentei na cadeira que apontaram. As mãos apoiadas no colo. O olhar fixo num ponto qualquer da parede, só pra não demonstrar fraqueza. As palavras estavam todas entaladas na garganta, mas nenhuma delas saiu.
Era a primeira vez. E, de alguma forma, eu sabia que jamais esqueceria aquele dia.
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Sabrina (M)
FanfictionEu me apaixonei pelo sorriso dele, Mas não é qualquer sorriso, É aquele sorriso que ele dá Quando só esta somente nós dois, Sozinhos. Vivendo os nossos momentos, No nosso mundo, Porque no nosso mundo, Só nós vivemos, Só nós sabemos, Só nós con...
