Capitulo 71

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Negrito

Acordei cedo, radinho tocando logo cedo, os cara tava na atividade do final de semana, dia de baile, mandei fazer três dias de baile pra comemorar na comunidade.

Comemorar oque? Não sei também, mas eu estava afim de fazer festa e decidi fazer.

Ligia: Desliga esse troço aí, to querendo dormir.

Negrito: Sua vida tá de madame né? Acordar tarde, academia, comer, transar e dormir, pô.

Lígia: O gostoso do meu marido me proporciona essas coisas.

Falou e eu sorri apertando a bunda dela.

Negrito: Vem sentar pra mim, to com saudade.

Falei e ela veio toda cheia de fogo.

Fazia quase um ano que estávamos juntos, mas sério mermo era só dois, botei ela pra morar comigo depois que a mandada se mudou daqui.

Procurei mermo só nos primeiros dias, mas depois vi a paz que minha vida tinha sem ela aqui, pra encher meu saco, pedir pra sair do tráfico, ficar na minha orelha falando asneiras e me estressando.

Bagulho chatão, mané! Sem condição.

....

GBL: Irmão, tava vendo pra nós ir para Fortaleza, vida boa pô.

Negrito: Mas no final de ano é lotado, quero perreco não.

Perna: Da pra ir Bahia, descansar, pegar um axé, ficar suave.

Negrito: Não dá mane! O bagulho é ir pra cidade tranquila porra! Nossa cara é conhecida.

Picuti: Então fica em casa pô, bandido que é bandido não se esconde da polícia.

Negrito: Nos vai tá com a família, cuzao.

Picuti: Tua mulher liga pra isso? Ela gosta é de adrenalina, ela num é igual a Sabrina pô! Tu sabe bem.

GBL: Tu vai levar tua mulher? - concordei olhar pra ele - então to fora dessa viagem.

Perna: Ih ala, qual foi?

GBL: Elas tem treta pô, não vou fazer a virada da minha mulher ser ruim para curtir com vocês pô, foi mal aí.

Negrito: Treta por causa de que?

Picuti: Toda vez que junta elas, a tua mulher fala da Sabrina pô!

Perna: Papo reto, até a mina que eu levei queria saber quem era a tua ex mulher, cara.

Negrito: Fala nada, ela nunca conheceu Sabrina e mermo se conhecesse, sabe nada sobre ela.

GBL: Quem não sabia era a Sabrina mermo, porque ela sabe até demais da vida de Sabina, sabe até o ape que ela estava morando quando tu tirou ela da favela.

Negrito: Não sabe, fiel! To te falando.

Picuti: Ela sabe, irmão. Vai na nossa, ela sabe muito bem.

Negrito: Jaé, avisa tua mulher GBL, que ela não vai mais falar de Sabrina e quando eu chegar em casa troco um papo com ela sobre essas paradas aí.

Perna: Tu vai trocar um papo?

Negrito: Tá duvidando da minha palavra? Quando foi que ela deu curva?

Picuti: Irmão, tu nunca soube conversar, seu conversar é sempre porrada.

GBL: Ele mudou pela mulher dele, pô.

Negrito: Mudei nada não, eu voltei a ser oque eu era antes daquela puta, mulher enchia minha cabeça e não queria que eu enchesse ela de porrada?!

Perna: Vou ir pro meu turno, tem coisa que não tem cabimento ouvir, fé aí!

Picuti: To partindo também, nunca gostei dessas paradas e tu colocar a mina como culpada de um bagulho que você sempre gostou de fazer, é não assumir as paradas que tu faz.

GBL: Fez bem ela meter o pé, agora tu é um novo homem.

Falou e saiu rindo da minha sala.

Negrito: Mete o pé mermo, tava quase metendo bala em vocês, bando de pau no cu.

Falei e sentei na minha mesa indo trampar.

Se eu fosse me estressar com as coisas que esses caras falam, eu tava era com a cabeça pegando fogo.

Karla

Eu não sabia como contar para as outras pessoas, também nem queria contar para ninguém, mas logo a barriga iria aparecer, perguntas iam surgir e eu não sabe oque ia fazer.

Desde que o Gustavo me deixou em casa, estou sentada no sofá, chorando e pensando no que fazer, já disquei o telefone do Vinicius várias e várias vezes, mas sem coragem alguma de ligar.

Entrei nas redes sociais, para saber se tinha algum sinal, e o pior é que tinha mesmo, ele apagou todas as nossas fotos, tinha foto com uma outra garota.

Totalmente padrão, pele clara, loira, magra, cabelo grande, unhas intactas, roupas de marca, cheia de plástica, linda mesmo.

Eu não sabia oque pensar, mas fiquei com dó dela estar passando tudo que eu passei, espero que não esteja, isso não é bom para ninguém, e que se esteja, consiga sair.

Karla: Oh meu Deus, oque eu faço?

A dúvida ainda estava pairando na minha mente, mando mensagem? Ligo para ele? Vou até ele e conto? Todas essas opções me levavam a um caminho só:

Morte.

Certeza que se ele me visse pessoalmente me mataria, sem esperar explicação alguma, por mensagem e ligação me rastrearia e viria até aqui e me matava.

Ou me sequestrava e me torturava.

Eu estava enlouquecendo, não sabia oque fazer, como iria cuidar de uma criança sozinha? Sem ajuda e o pior, sem a minha família por perto.

Eu sempre desejei me casar, ter filhos e mesmo sem minha mãe, ter a minha família unida e completa, mas como ter isso se estou longe de todos que eu amo?

Eu precisava fazer algo.

Levantei do sofá, tomei um banho e almocei. Me arrumei e arrumei minha mala, entrei no site de passagem e comprei uma para o Rio de Janeiro.

Eu precisava mudar a minha vida.

Sabrina (M) Onde histórias criam vida. Descubra agora