Reviver, siguinifica voltar a vida, renascer, revigorar-se, renovar-se outra vez.
Isso era tudo que Serkan não conseguia fazer. Fazia exatamente cinco anos que deixou de se sentir vivo. O grande amor de sua vida, o deixou com apenas uma palavra, "Ad...
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Epílogo I
Eda acordou antes do sol. O céu ainda era um véu azul profundo, e a casa dormia em silêncio. Ela caminhou até o banheiro com passos leves, como quem não queria acordar nem o tempo. O teste de gravidez estava sobre a pia, ainda virado para baixo. Ela já sabia. O corpo fala antes do papel. Mas queria ver. Queria confirmar com os olhos o que o coração já cantava em segredo.
Virou o teste. Duas linhas. Duas promessas. Duas batidas que, em breve, seriam três.
Ela sorriu. Mas não chorou. Ainda não. Guardou o teste numa caixinha de madeira, junto com uma concha azul, uma fita e um bilhete que dizia: "Dessa vez, você vai ver tudo. Sentir tudo. Viver tudo."
Durante o café da manhã, Serkan falava sobre reformas na sede da ONG. Kiraz desenhava em silêncio, como sempre fazia quando algo a inquietava. Eda observava os dois e pensou: "Eles são meu antes. Agora teremos um depois."
Mais tarde, Eda chamou Kiraz para o quarto. Mostrou o teste e disse:
— Você vai ser irmã.
Kiraz arregalou os olhos. Depois, sorriu com a boca e com o corpo inteiro. — Vai ter alguém menor que eu pra eu proteger?
— Vai — respondeu Eda. — Mas também pra te lembrar que você é feita de luz. E que agora, essa luz vai se multiplicar.
Kiraz abraçou a mãe com força. Depois, juntas, começaram a planejar a surpresa para Serkan.
[...]
No sábado, Serkan chegou em casa com flores nas mãos. Era hábito — ele dizia que a casa só respirava quando havia cor. Mas naquele dia, a cor já o esperava.
Na sala, havia um mural com três estrelas pintadas à mão. Cada uma com um nome: Eda. Serkan. Kiraz.
Abaixo, uma estrela menor, ainda sem nome. E um bilhete: "Ainda não sabemos quem você é. Mas já sabemos que você é amor."
Serkan olhou em volta, confuso. Kiraz apareceu com uma caixa nas mãos. — Papai, tem uma coisa que você precisa ver.
Dentro da caixa, o teste de gravidez, a concha azul, e um desenho feito por Kiraz: uma família com quatro figuras. A menor, envolta por um brilho dourado.
Eda surgiu atrás, com os olhos marejados. — Você vai ser pai. De novo. Mas dessa vez... você vai estar em cada batida. Em cada consulta. Em cada chute. Em cada madrugada.
Serkan caiu de joelhos. Não por fraqueza. Por gratidão. — Eu perdi tanto da primeira vez... Mas agora, eu vou ganhar tudo.
Ele abraçou Eda e Kiraz ao mesmo tempo. Um abraço que parecia querer segurar o mundo inteiro. — Obrigado por me deixar viver isso. Obrigado por me escolher. De novo.
Kiraz encostou a cabeça no ombro do pai. — Vai ser diferente, né?
— Vai ser melhor — respondeu ele. — Porque agora, o amor já sabe o caminho.
E naquela noite, Eda preparou um jantar simples. Pão de queijo, chá de camomila, bolo de cenoura — os sabores que Kiraz dizia que "cheiravam a casa". A mesa estava posta com três pratos e um pequeno pratinho vazio no centro, com um guardanapo dobrado em forma de coração.
Serkan olhou para o pratinho e sorriu. — Já tem lugar pra ele. Ou ela.
Eda tocou sua mão. — Já tem espaço no meu corpo. E no meu coração.
Depois do jantar, Kiraz pediu para ler um poema que havia escrito. Era curto, mas carregava o peso de quem já conheceu o escuro e aprendeu a nomear a luz:
"Mamãe é céu. Papai é chão. Eu sou árvore. E agora... vem o vento que vai nos fazer dançar juntos."
Serkan chorou. Eda chorou. Kiraz sorriu. E o mundo, por um instante, pareceu suspenso entre estrelas e raízes.
Nos dias seguintes, Serkan começou a escrever um diário da gravidez. Desenhava o tamanho do bebê a cada semana, colava fotos, escrevia cartas.
"Hoje você é do tamanho de uma semente. Mas já é o centro do meu universo."
Eda lia em voz alta os livros que não teve tempo de ler na gravidez de Kiraz. — Quero que você ouça histórias antes mesmo de nascer. Porque você já é parte da nossa.
Kiraz pintava murais com quatro figuras. Às vezes, colocava um cachorro. Às vezes, uma lua. Mas sempre havia uma estrela nova.
Na última página do diário, Serkan escreveu:
"Você ainda não tem nome. Mas já tem lar. Você ainda não tem rosto. Mas já tem amor. Você ainda não nasceu. Mas já é nosso n."
Eda, ao ler, colocou a mão sobre a barriga. Sentiu uma vibração leve. Um movimento tímido. E soube: O novo tempo havia começado.