Reviver, siguinifica voltar a vida, renascer, revigorar-se, renovar-se outra vez.
Isso era tudo que Serkan não conseguia fazer. Fazia exatamente cinco anos que deixou de se sentir vivo. O grande amor de sua vida, o deixou com apenas uma palavra, "Ad...
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Serkan sentia como se o mundo ao seu redor estivesse desmoronando em silêncio. Ainda estava parado no meio do quarto, o eco das palavras de Eda reverberando em sua mente como um trovão abafado:
"Foi o seu pai, Serkan."
Seu pai.
Aquele que o ensinou a andar de bicicleta. Aquele que usava ternos caros e distribuía sorrisos em jantares de negócios, que pregava honra, retidão, respeito. Aquele mesmo homem... sequestrou Eda. Torturou a mulher que ele amava. Tentou matá-la - e a filha que ela carregava no ventre.
O mesmo pai que desapareceu anos atrás, alegando estar fugindo da política corrupta, que cortou laços sob a promessa de proteger os filhos de um mundo cruel. Agora, revelado como o próprio rosto da crueldade.
Serkan mal conseguia respirar.
Sentou-se na beirada da cama, os dedos enterrados no cabelo, tentando juntar os cacos de uma verdade que não fazia sentido algum. Uma parte dele ainda se agarrava desesperadamente à negação. Deve haver um engano. Talvez Eda tenha sido enganada. Talvez tudo não passe de um plano de Sinan para me afastar do meu pai...
Mas então ele lembrava dos olhos dela.
Da dor cravada em cada sílaba. Das cicatrizes invisíveis que Eda carregava. Da culpa que jamais verbalizara por cinco anos de silêncio, fuga e sofrimento. E da filha que ele nunca conheceu crescer.
Kiraz.
Ele havia perdido os primeiros passos. Os primeiros sorrisos. Tudo. Porque seu próprio pai quis destruí-lo pela única via que sabia atingir com precisão cirúrgica: o amor.
Serkan cerrou os punhos, uma nova onda de angústia e raiva o preenchendo. A imagem do pai agora era uma máscara podre que caía, revelando algo monstruoso por trás - um predador de rostos inocentes, um comerciante de carne humana, um lobo vestido de patriarca.
"Se ele não está preso é porque ainda falta alguma coisa... alguma prova." A lembrança da mensagem de Sinan queimava em sua mente.
Ele sentia um fogo estranho nascendo em seu peito. Era devastador. Mas era também... libertador. Agora, finalmente, via com clareza.
O pai que ele idealizava não existia. E o verdadeiro - o verdadeiro precisava cair.
Serkan se levantou com os olhos ardendo, o peito em chamas e o coração pendendo entre o luto e a fúria.
- Isso não vai terminar assim. - murmurou para si mesmo. - Esse homem... não vai destruir mais ninguém.
[...]
Serkan entrou na delegacia com passos decididos, o maxilar travado como se precisasse conter o próprio sangue fervendo nas veias. Havia um nó no estômago que ele não conseguia desatar - feito de raiva, incredulidade e uma ferida recém-aberta.