Capítulo 25

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Fazia duas semanas que Kiraz voltara

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Fazia duas semanas que Kiraz voltara. O tempo seguia seu próprio ritmo, entre noites inquietas e manhãs silenciosas. Cada conquista — como dizer "bom dia" ou comer sem alguém insistir — era celebrada como um festival íntimo.

Mas Eda queria mais. Não por ego. Pela urgência.

Ela reuniu folhas, fotos, registros, e começou a desenhar os primeiros traços da ONG Raízes de Aurora — um espaço de acolhimento para meninas que viveram situações parecidas.

Serkan observava, entre preocupado e encantado.

— Tem certeza que quer se expor assim?

— Não é sobre mim — respondeu Eda. — É sobre todas que não têm ninguém pra segurar suas mãos no escuro.

Kiraz escutava as reuniões pela porta. Sabia que algo estava acontecendo. Num desses dias, entrou e perguntou:

— Aurora era o nome de uma flor?

Eda sorriu.

— É o nome do céu antes do dia nascer. E também é o nome do recomeço.

Kiraz pensou um pouco. Depois disse:

— Queria pintar um céu assim. Mas sem sol ainda. Só o começo da luz.

Com ajuda de advogadas, psicólogas e voluntárias, Eda fundou oficialmente a ONG. O primeiro encontro aconteceu em uma antiga escola, reformada com doações. Na entrada, um mural: "Aqui, sua história importa."

Kiraz foi, mas ficou quieta no canto. Até que uma menina, mais nova que ela, mostrou um desenho com formas confusas e rabiscos fortes.

— É o medo — disse a menina.

Kiraz olhou. E pela primeira vez, falou sobre o seu.

— Meu medo também parecia um bicho com muitos olhos.

A menina respondeu:

— O meu, às vezes, come minha voz.

Serkan, ao longe, viu as duas conversando. Uma troca simples, mas gigante. O tipo de coisa que não se aprende — apenas se sente.

Naquela noite, Eda escreveu:

"Quando você semeia dor com cuidado, o que nasce não é revolta. É coragem com raízes."

[...]

Após a prisão do pai de serkan, Eda e Serkan resolveram junto com a psicologa que era melhor para a kiraz e então eles a puseram em uma. 

Na escola decidiu realizar uma exposição sobre arte e sentimentos. O tema era simples: "Meu mundo por dentro." Cada aluno teria um espaço para expressar emoções que não coubessem nas palavras.

Kiraz hesitou ao participar. Ainda era difícil nomear o que sentia, mas Serkan a encorajou.

— Você pode desenhar sem contar — disse ele. — Às vezes, as cores falam mais alto que os gritos.

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