Capítulo 23

132 14 4
                                        


Eda estava deitada no sofá com a cabeça no colo de Serkan, quando o telefone tocou com uma mensagem codificada de Sinan

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Eda estava deitada no sofá com a cabeça no colo de Serkan, quando o telefone tocou com uma mensagem codificada de Sinan.

— Conseguimos a data — disse Serkan, levantando de imediato. — Hoje à noite. Vamos encontrar Sinan e fechar tudo.

Kiraz ainda dormia em seu quarto, abraçada ao urso de pelúcia e com o caderno de desenhos ao lado. Orion, o cachorro, vigiava a porta como um sentinela fiel.

Antes de sair, Eda passou no quarto, beijou suavemente a testa da filha e murmurou:

— A mamãe volta logo, meu amor.

Mas não voltou. Não a tempo.

Enquanto Eda e Serkan seguiam para a reunião final da operação, um carro preto sem placas estacionou a alguns quarteirões. Selin Atakan Bolat, em seu sobretudo azul petróleo, ajustava os brincos no espelho retrovisor.

— Ela está dormindo, conforme planejei — disse ao homem ao lado, um agente infiltrado no esquema. — Agora é só entrar e apagar a luz. Literalmente.

Kiraz foi retirada do quarto por homens vestidos de operários. Orion tentou avançar, mas foi neutralizado com um tranquilizante. A pulseira de conchinhas da menina caiu no tapete. Um símbolo quebrado de inocência.

Quando Eda voltou para casa, não ouviu o latido habitual. Não viu a lanterna projetada no teto do quarto. Ela só viu o vazio.

— Serkan... ela não está aqui. Ela... ela...

Ele correu. Gritou. Vasculhou o quintal, o sótão, o porão. Encontrou apenas o urso de pelúcia sem braços e a pulseira azul. Eda caiu de joelhos.

— Eles levaram a nossa filha. Nossa filha.

[...]

Kiraz acordou dias depois num quarto escuro, com as paredes pintadas em lilás falso. Havia brinquedos, mas todos estavam limpos demais. Esterilizados. Inumanos.

Selin apareceu com roupas brilhantes, sorriso de capa de revista e perfume doce como veneno.

— Oi, minha princesa. Agora você é minha pequena estrela. Vamos te transformar numa menina de verdade. Sem medo, sem dor, sem lembranças.

Kiraz tentou correr. Um dos homens a segurou.

Em uma sala contígua, Alpitikin a observava por uma tela, silencioso.

— Ela não tem o sangue Bolat — disse com desdém. — É emocional demais. Sensível demais. Uma menina dessas só serve pra quebrar homens frágeis.

— Mas ela é sua neta — rebateu Selin, num raro momento de humanidade.

— Ela é o reflexo do fracasso. Da rebeldia da Eda. Da fraqueza do Serkan. Do amor.

Ele planejava apagar a memória dela com medicação e gravações — "reeducá-la para entender quem manda".

Nos dias seguintes, Eda não dormia. Vivia à base de café, raiva e fé. Vasculhava registros, arquivos antigos, seguia rastros de Selin por bastidores da moda.

REVIVEOnde histórias criam vida. Descubra agora