|Capítulo 53|

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P.O.V Narradora

A porta da casa dos Swan se abriu com um rangido suave, e Charlie deu um passo para o lado, permitindo que Embry entrasse primeiro com Abby nos braços. A garota estava completamente entregue ao sono, seus cabelos ruivos caindo em mechas suaves pelo ombro de Embry. Logo atrás, Bella entrou acompanhada de Edward, e ao notar o olhar do pai, esboçou um sorriso contido — aquele olhar de ciúmes protetor, o típico de um pai coruja.

— Vou levar a Abby para o quarto dela. — murmurou Embry, mantendo a voz baixa para não acordá-la.

Charlie apenas assentiu com a cabeça, os olhos seguindo cada passo do rapaz subindo as escadas com cuidado, como se carregasse algo frágil demais para o mundo.

No quarto, a penumbra suave era cortada apenas pela luz fraca do abajur. Embry se aproximou da cama e, com todo o cuidado do mundo, deitou Abby sobre os lençóis. Tirou lentamente os sapatos dela e os deixou no canto. A garota se mexeu sonolenta, os olhos ainda fechados, e com um gesto quase instintivo puxou Embry para mais perto.

— Fica... — murmurou, a voz embargada pelo sono.

Um sorriso suave se desenhou no rosto de Embry. Ele deitou ao lado dela, sentindo a cabeça da ruiva repousar em seu ombro. Seus dedos começaram a traçar carícias lentas e reconfortantes pelos fios macios do cabelo dela, até que o ritmo da respiração dela voltou a se acalmar completamente.

Nos dias que se seguiram, Dean havia se instalado na casa dos Cullen, mas frequentemente aparecia na casa dos Swan para conversar com Charlie. O xerife ficava impressionado com a habilidade do rapaz em reunir provas, sempre atento e perspicaz. Em uma dessas tardes, o telefone tocou.

Era Renner.

Charlie ouviu em silêncio enquanto ela despejava acusações do outro lado da linha, a voz exaltada:

— Ela está mentindo, Charlie! Você sabe que está! — vociferava Renner. — E além disso, Abby nem é sua filha!

Charlie apertou o maxilar e respondeu firme, a voz carregada de convicção:

— Abby é minha filha, sim. E eu acredito nela. Sempre vou acreditar.

Renner resmungou algo e desligou com um estalo.No topo da escada, Abby estava encolhida, escondida, ouvindo tudo. Ela observava o pai ainda com o telefone na mão, visivelmente nervoso. Sentindo o peito apertar, ela recuou alguns passos e sentou-se nos degraus, mergulhada em pensamentos confusos.

Charlie percebeu sua presença e subiu devagar. Ao vê-lo, Abby ergueu os olhos, hesitante.

— Posso te fazer uma pergunta? — disse baixinho. — Mas promete que não vai ficar bravo?

Charlie parou ao lado dela, encostando-se na parede, e assentiu.

— Pode, ruivinha.

Ela respirou fundo antes de deixar as palavras escaparem:

𝗜𝗠𝗣𝗥𝗜𝗡𝗧𝗜𝗡𝗚 | 𝙀𝙢𝙗𝙧𝙮 𝘾𝙖𝙡𝙡Onde histórias criam vida. Descubra agora