Correr e chorar

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Não sabia como lidar com aquilo, então procurei Suzan - pra quem não lembra é minha melhor amiga - naquele dia eu não fui pra escola.
- Eu acho que você deve dar um tempo pra ele... coitado Constance, ele tem medo... de beijar - Suzan ri que nem uma retardada.
- Seja menos infantil Suzan, isso é um problema sério - eu lembro de como era engraçado saber que alguém tem medo de beijar.
Olho pra ela e rimos que nem retardadas.
- Mas, sério, você tem que tem que tirar esse medo dele. Vai aos poucos. Mas eu digo aos poucos mesmo! - agora ela foi sincera.
- Preciso ir, tenho que esfriar a cabeça!
- Vai lá mana! - me despeço dela e saio.
Caminhando pela praça rumo ao parque à alguns quarteirões dali, eu vejo como minha vida é boa. Tudo que eu tenho. Eu sou mimada, meus pais me amam.
Tudo parecia estar em perfeita harmonia, até que:
- O que a linda jovem está fazendo por aqui - aquela voz grave de novo não!
Gerard entra na minha frente:
- Eu não vou te machucar certo? Você tinha leucemia? - ele estava suspeitando.
- Não é da sua conta! - eu tento correr, mas ele me segura pelos cabelos, eu contenho um grito de dor pelo impacto.
Ele me agarra pelos braços e pergunta:
- Era exatamente isso o que eu pensava. Você bebeu a fórmula que eu e Nick preparamos. Você teve sorte. Seu corpo reagiu bem à tudo isso! Você não tem ideia das milhares de transformações que seu corpo está passando. E eu quero descobrir todas... uma por uma...
- Me solta seu cínico! - dou uma joelhada entre suas pernas.
Ele cai. Quando tento correr, ele segura no meu pé e me derruba. Eu chuto com toda força sua cara. Agora eu corro, e quando olho para trás Gerard está enfiado numa poça de sangue provavelmente desacordado, rodeado de pessoas que estavam ali.
Eu entro no parque e me escondo num arbusto grande.
Não teve jeito. Eu choro, que nem uma garotinha. Talvez isso é o que eu realmente sou. Sou tomada pela emoção! Choro e meu rosto já estava encharcado.
De repente uma mão toca meu ombro. Eu me assusto. Um homem alto e branco com chapéu olha pra mim e pergunta gentilmente:
- Calma! Foi você que fez aquilo com aquele homem?
Eu inocentemente respondo:
- Sim... ele estava... - antes de terminar a frase a gentileza do homem se transforma num grito de ódio:
- Achei a mal criada pessoal!
Ele me segura com força por um braço enquanto outro homem segura com força meu outro braço.
Eu estava tremendo. Estava com medo.
De repente tudo de ruim que eu vira aparecia na minha mente: a morte daquela senhora, a face obscura de Gerard, a mulher careca ameaçando meus pais.
Dou um grito de desespero e me apoio nos homens para dar um golpe apenas. Bato a cabeça de um na cabeça do outro. Corro. Sem olhar pra trás dessa vez. Corro o quanto posso.

Fogo e SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora