Adeus

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A noite caíra e eu não havia dormido.
Era madrugada e eu não conseguia pregar os olhos. Levantei devagar e fui andando em direção ao meu sapato.
Pulei a janela para não precisar abrir a porta e fui em meio à escuridão de volta para casa. Pulo novamente a janela para entrar em casa.
Tento fazer o mínimo de barulho possível:
- Estava preocupada com você. Por onde esteve? - mamãe estava sentada no sofá da sala com um álbum nas mãos.
- Mãe... - relaxo o corpo inteiro ao ver seus olhos cheios de lágrimas de amor - eu te amo muito!
Ela se levanta e me abraça.
- Você não pode mais ficar aqui querida. Prefiro ver você longe de tudo isso do que num lugar com outras pessoas desconhecidas, até perigosas - falava enquanto ajeitava uma mecha atrás da minha orelha.
- Mãe, você cuida de um lugar onde as crianças são desconhecidas... - ela me interrompe:
- Eles precisam de ajuda, uma ajuda que você não precisa porque você tem um lar e uma família que te ama, entende? Eu quero que você vá embora. Eu separei um dinheiro para você refugiar por algum tempo bem longe daqui... - interrompo ela dessa vez:
- Para onde eu vou? Eu não vou conseguir viver sem você... eu não consigo... - uma lágrima-bomba cai em minha pele.
- Filha, eu já vi você na casa do Nick, aquele homem que mora aqui perto. Vocês me pareciam bastante íntimos. Peça ajuda a ele, em meu nome. Ele não irá negar ajuda. Eu só quero que você vá para longe daqui!
- David. Ele pode ir comigo? - acho que eu já sabia a resposta
- Constance, ele tem leucemia! Ele vive basicamente de medicamentos. Como ele irá sobreviver?
Abaixo a cabeça.
- Eu sei que gosta muito dele, mas é só por um tempo. Isso é pro seu bem!
- Eu sei - concordei.
- Saia ainda essa madrugada. Não pegue van aqui perto, pois todos te conhecem e vão te denunciar. Pegue uma van longe e diferente. Vista uma roupa diferente da que você usa. Vá para o interior! Toma cuidado ok? - minha mãe já tinha tudo na mente - Te amo muito filha, eu e seu pai...
- Me chamaram? - papai aparece na porta entreaberta - Tome cuidado Tancy. Te amamos muito!
Eu amava meus pais. Eles eram ótimos para me fazer chorar.
Nos abraçamos.
Coloco uma perna para o lado de fora da janela e retorno o olhar para meus pais: aquilo era um adeus.
Meu futuro é incerto a partir de agora.
Coloco a outra perna para fora da janela e pulo.
Caminho meio agachada até a casa de Nick, mas, como eu disse, meu futuro é incerto:
- Você é a menina do mal? É você mesmo! Ela está aqui. - uma senhora grita enquanto aponta para mim.
- Não, não sou eu. Por favor não grite!
Eu não tinha escolha: chego perto dela e dou um golpe para fazê-la desmaiar.
Encosto ela no canto de um muro e me escondo atrás dos arbustos.
Uma ou duas luzes haviam se acendido.
Vou para a casa de Nick da maneira mais discreta possível.
Precisava sair daquele lugar urgentemente.

Fogo e SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora