2010, Fevereiro - Segunda

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O Homem invisível

                Bia estava meio apática, com raiva do que Roberto fez, falou para Antonia :

_ Quebre mais uns três dedos.

Antonia quebrou um por um, devagar, Roberto gritava, chorava, implorava dizendo que não sabia de nada, Beatriz estava impassível, esperou ele parar e disse :

_ Acho que Marcos disse a mesma coisa para você alguns anos atrás.

Nessa hora ele chorou, implorou perdão aos deuses, aos santos, dizia que só estava cumprindo ordens, mas Beatriz só falou o seguinte :

_ Você não nos deu nenhuma informação útil, o Homem do saco que procuramos está vivo e na ativa, e preciso encontrá-lo, ou você me dá uma informação que eu possa usar, ou ela vai quebrar seus dedos restantes, um a um, devagar.

Demoraram mais de duas horas por lá, ao final, Roberto teve todos os dedos quebrados, não sabia realmente mais nada. O deixaram amarrado e foram embora, no carro, depois de um silencio, Beatriz falou :

_ Desculpe Antonia, mas, minha mãe tem uma amiga que foi torturada pelos militares, um dia, eu vi as cicatrizes, sei lá o que me deu.

Antônia apenas deu um sorriso, Bia continuou:

_ E não adiantou nada.

_ Como assim ?

_ Não conseguimos nada!

_ Pelo contrário, conseguimos várias pistas.

_ Que pistas Antonia ?

_ Pra começar, descobrimos que não pode ser Marcos que pegou aquele sem teto que mora debaixo do viaduto.

_ Porque não ?

_ Aquele garoto deve ter uns 19 anos, no máximo, Marcos já estava morto.

_ E daí ? Ele também não pode ter pego o menino que estamos procurando.

_ Verdade Bia, mas sabemos que os dois crimes estão ligados, e é alguem ligado ao Marcos.

_ Pode ser o Ricardo, ou o filho dele louco ?

_ Por isso vamos atras deles !

_ Mas aonde ?

_ Roberto disse o nome completo de todos os envolvidos.

_ Ele disse muitas coisas enquanto você quebrava os dedos dele...

_ Está arrependida ?

_ Só de não tê-lo castrado...

_ Podemos voltar lá.

_ Não, deixa aquele merdinha pra lá, temos um garoto para nos preocupar.

_ Ótimo, vamos procurar a família do Ricardo ?

_ Acho que é um bom começo.

Antonia ligou para alguém, logo depois, recebeu uma chamada de volta.

_ Bia, Ricardo e a esposa estão mortos, um dos filhos sumiu no mundo, o mais novo, está a anos sem nenhuma especie de contato possível, mas, o garoto chama-se George e está numa instituição aqui perto, vale a pena irmos lá ?

_ Claro !

As duas foram, se apresentaram como amigas da família, mas não conseguiram muito, George estava um pouco dopado, e as enfermeiras falaram que quando não estava, não falava nada coerente, a unica informação que tiveram é que todo dia 7, e durante os três dias seguintes, ele surtava.

Conversaram com o médico, mas, a unica informação válida que tiverem é que ele recebia de tempos em tempos a visita do irmão, mas não tinham como o contactarem, a não ser por um celular, que prontamente passou as meninas, o celular não atendia, só podiam deixar recado.

Foram a casa de Ricardo, estava fechada desde sua morte,segundo os vizinhos. Mas as contas eram pagas em dia, informou a sindica do codomino.Eram pagas por um advogado.

Foram ao advogado, ele disse que administrava os bens de Ricardo, que não eram muitos, a não ser pelos do filho mais novo, que recebia muito, muito bem, e o deixava gerenciar tudo. Mas ele também não sabia como contactá-lo, só pagava todas as suas contas. O estranho é que não haviam contas de casa, apenas cartões de credito, raramente usados, documentos de um carro, de um estacionamento e um celular.

Elas foram ao estacionamento, com uma pequena gorjeta ao guardador e o charme feminino, conseguiram acesso ao carro, nada de estranho, apenas, escondido em um dos bancos estavam uma carteira com cartões de crédito e um celular desligado, Bia o ligou, mas, estava travado por senha, então, nada conseguiu.

_ Estamos sem pistas.

_ Dessa vez estamos Bia, mas, eu acho esse cara, Julio é muito suspeito.

_ Parece que ele é invisível.

_ Invisível ?

_ Ele não gasta quase nada, não tem casa, alem da foto da identidade, ninguém tem fotos dele, ele parece quase o homem invisível.

_ Não Bia, para mim ele parece outra coisa.

_ O que ?

_ Um morador de rua.

_ Como assim ?

_ Olhe, ele tem de dormir em um local, que tal a rua ?

_ Então, pra que ele teria carro, celular, cartão de credito ?

_ Para resolver coisas no nosso "mundo", ninguém dá ouvidos a um sem teto, um morador de rua, quando chegam perto, ou saímos correndo ou damos logo um dinheiro para eles irem embora.

_ Isso faz sentido, mas por que alguém escolhe viver na rua, assim, do nada ?

_ Olha, tem muita gente assim, acredite, o garoto conviveu com o irmão, que foi morador de rua por dois anos, imagina a cabeça dele ? temos de achá-lo.

_ Mas não temos nem foto, só a foto da xerox da identidade, que pegamos no advogado, mas, foto de identidade é o mesmo que nada.

_ Eu sei o que temos de fazer.

_ Sabe ?

_ Sei, mas, não vou te dizer, vamos, confie em mim.

As duas entraram no carro e Bia ficou um pouco mais animada com a decisão de Antonia.

A Ordem NegraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora