2010, Fevereiro - Domingo

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O carro está rodando a duas horas com Bia no banco de trás, o motorista quase não falou, mas ela também não queria puxar assunto. Sempre confiou no seu tio, ele foi mais que um pai, por isso, não recusou e não temeu a responsabilidade, se ele queria que ela seguisse seus passos, seguiria, não importa aonde eles a levariam.

Reconheceu o caminho, estavam indo a Angra dos reis, pararam no porto, logo, outra pessoa levou Bia a uma lancha que seguiu por meia hora em direção ao mar e atracou num iate.

Era a primeira vez que Bia estava em um, ainda mais um com heliporto, a tripulação ajudou a subir a bordo, foi levada para dentro, onde uma salão muito maior do que esperava a aguardava, as escotilhas lhe permitiam ver o mar.

Aquele mundo não era o dela, não sabia aonde se sentar, aonde por as mãos, pela primeira vez, naquele iate, se deu conta que talvez estivesse se metendo em algo grande demais, mas ainda confiava no seu tio, não recuaria.

 Ela foi deixada sozinha por pouco tempo, uma mulher muito bonita chegou perto dela, e, num português correto, mas carregado de sotaque francês disse :

_ Você deve ser a substituta de Jose, sua sobrinha Beatriz ?

_ Sou eu.

_ Sinto muito por Tio, ele era muito querido por mim.

Beatriz abaixou a cabeça, uma lagrima escorreu, pela primeira vez ela se deu conta realmente da morte de seu tio. Foi tudo tão rápido...

A Mulher levou um lenço aos olhos de Bia e secou-lhe delicadamente as lagrimas, depois, deixou o lenço com ela, as duas sorriram.

_ Eu sou a Sacerdotisa.

Bia, meio sem jeito lhe fez uma delicada e profunda reverência. a Sacerdotisa apontou o sofá , sentaram-se e ela disse :

_ Beatriz, os próximos dias definirão seu papel em nossa organização, você por tradição vai tomar o lugar de seu Tio, mas antes, também por tradição, deverá demonstrar que merece essa responsabilidade.

_ O que devo fazer ?

_ Vai assumir um pequeno caso aberto do seu tio, algo bem simples. Deverá resolve-lo de algum modo, e nos trazer a solução dentro de no máximo dois meses a partir de hoje.

_ E se eu falhar ?

_ Beatriz, eu não mentirei para você, se você falhar provavelmente morrerá tentando resolver o problema.

Bia ficou um pouco quieta.

_ E se resolver desistir, será morta. Sinto muito.

_ Desculpe Sra. Sacerdotisa, mas eu nunca pensei em desistir, meu tio me escolheu, não vou decepcioná-lo.

A Sacerdotisa soltou um sorriso triste. Depois a mandou se despir e se ajoelhar a sua frente, Bia fez isso, estavam as duas sozinhas.

A sacerdotisa pegou uma faca e um incensário, e os pôs ao lado de Bia, depois estendeu um tapete repleto de símbolos em frente a bia, e ficou em pé, em cima dele.

_ Beatriz, como uma candidata você vem a mim, despida de tudo que aprendeu e pronta a renascer, assim como saiu do ventre de sua mãe ?

Beatriz demorou a perceber que aquilo tinha sido uma pergunta, mas respondeu :

_ Eu venho minha Sacerdotisa.

_ A partir de agora eu assumo o compromisso de que a trarei renascida em uma nova vida, só que não posso fazer isso hoje, vestirá suas roupas e voltará a seu mundo, mas, cumprindo uma missão para sua nova família. Deve cumprir essa missão ou morrer tentando e, se morrer, assumira o compromisso de voltar em uma outra vida, como uma filha de nossa tradição, pode assumir tal compromisso ?

_ Posso minha Sacerdotisa, eu assumo.

A sacerdotisa usava uma roupa bastante comum, mas tinha uma faixa de seda na cintura, que Bia achou ser parte do vestido. Ela a tirou, e pôs ao redor do pescoço de Beatriz, depois, com o incensário, fez vários símbolos e gestos ao redor de bia, enquanto dava voltas em torno dela, que continuava ajoelhada. A sacerdotisa entoava cânticos melodiosos, mas, eles não eram de nenhuma língua que Bia reconhecesse, e Bia conhecia muitas.

Depois de alguns minutos, a sacerdotisa espetou seu dedo, e derramou três gotas de sangue na testa de Beatriz.

_ Esse é meu sacrifício e minha benção, ele é apenas simbólico comparado aos sacrifícios que fará Beatriz, mas, agora, seu caminho é sem volta. Por favor, coloque suas roupas e siga-me.

Beatriz abaixou a cabeça, e agradeceu a sacerdotisa, não sabe porque, mas aquela cerimonia a tinha tocado profundamente, parecia que seu tio havia estado do seu lado, e segurado a sua mão.

Beatriz colocou as suas roupas e seguiu a sacerdotisa, iam ao heliporto, Bia estava muda pela experiencia que teve. Chegaram ao heliporto e o helicóptero estava sem o piloto, isso pareceu aborrecer a sacerdotisa que disse :

_ Fique aqui, eu irei chamar o piloto.

Bia ficou parada lá sozinha, a tripulação se mantinha afastada dela, mas, um garoto de uns dezenove anos talvez, estava por perto, vestia somente uma bermuda meio rasgada, Bia pensou ser o filho de algum empregado. viu que ele a olhava e deu um sorriso para ele, que fingiu não ver o sorriso e continuou a brincar com uma bola de tênis.

Tudo aconteceu muito rápido, a bola escorregou e caiu do iate, o garoto se apoiou na borda para pegá-la e pareceu a Bia que ia escorregar, ela saiu correndo, por instinto e, quando o segurou pelo short, sentiu-se agarrada por várias mãos e atirada ao chão, com mais de cinco pessoas a imobilizando.

_ Afastem-se!

A sacerdotisa disse isso em um tom muito seguro, todos saíram. ela a levantou, Bia ainda estava meio desorientada pelo que aconteceu.

_ Henry, isso não se faz !

_ Desculpe mãe.

_ Peça desculpas a Beatriz, Agora!

O garoto foi a Bia e estendeu a mão.

_ Desculpe a brincadeira... E obrigado por tentar me salvar.

_ Posso tocar em você ? ninguém vai me fazer de paçoca no chão ?

Os dois sorriram. O primeiro sorriso despreocupado que Bia dava desde a morte do tio.

_ Perdoe meu filho, ele passa tempo demais longe de pessoas de sua idade, alem disso esta se tornando, como vocês dizem "um aborrecente".

_ Qual é mãe, ela é da minha idade, acho que até mais nova !

_ Não meu filho, Beatriz é uma mulher, você é só um garotinho, o pestinha da mamãe.

_ Pô mãe, não humilha, qual é.

Bia riu, a sacerdotisa também.

Ficaram conversando um pouco os três, assim, Beatriz conheceu o filho da Sacerdotisa, Henry era um garoto muito inteligente para sua idade, simpático e divertido, mas a primeira vista o achou um garoto ainda assim. Logo, o piloto veio, e Beatriz pela primeira vez andou de helicóptero. Pousaram na Barra, outro carro a levou ao barrashopping, lá, lhe foi dito que se sentasse em uma poltrona em frente de determinada loja, e aguardasse.

A Ordem NegraOnde histórias criam vida. Descubra agora