2010, Fevereiro- Sabado

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Foram duas ou três horas que elas levaram cuidando do corpo de Jose, ao final, ele estava limpo, com um terno sóbrio, deitado em sua cama, pareceu a Beatriz que estava vivo, tirando um de seus "breves cochilos", esperando que Beatriz se arrumar para saírem, como fizeram tantas vezes antes de sua saude piorar.

Sentaram-se na sala, Karen parecia em sua propia casa, sentaram-se na mesa aonde a pouco Bia estava jogando gamão com seu tio. Karen se sentou no lugar dele, apenas trocou a cadeira, pois a que ele usava estava ensaguentada. ficaram se olhando por um tempo até que Karen disse :

_ Agora você tem de escolher, ou o anel, ou a arma.

_ Como assim ?

Karen apontou a mesa, ainda estavam a arma e o anel em cima dela.

_ O que acontece se eu pegar a arma ?

_ Você se mata, simples.

_ Eu não vou fazer isso.

_ Tem certeza ?

_ Tenho.

_ Então resta o anel.

_ Não posso não pegar nenhum dos dois ?

_ Você sabe que isso não é uma opção.

Bia já tinha se decidido, apenas queria ver o que Karen falaria. Pegou o anel e o colocou em seu dedo mindinho.

Karen pareceu triste por um momento, depois, apenas guardou a arma e o jogo de gamão, e colocou um baralho sobre a mesa. Virou-se para Beatriz, e disse :

_ Corte

_ Cortar?

_ Corte o baralho. Vou ler sua sorte.

_ Não, eu não quero.

_ Eu faço isso para todos, quando começam na sociedade.

_ Eu nunca deixo ninguém ler minha sorte.

_ É uma tradição de seculos.

_ Eu sei, digo, imagino, mas a minha você não vai ler.

As duas se olharam por um bom tempo, finalmente, Karen guardou o baralho como se fosse algo sem importancia e disse :

_ Daqui a dez minutos um carro estará lá embaixo te esperando, arrume suas coisas e vá.

_ E Meu tio ?

_ Eles virão pegar seu corpo para o funeral. Eu vou ficar velando por ele.

Beatriz ficou parada, quase que em choque, mas percebeu que Karen falava sério, tomou um rápido banho, pegou só o caderno que o tio havia dado, e ia embora, mas, teve um pressentimento e foi ao quarto de seu tio, abriu a gaveta secreta de uma comoda e pegou todo o dinheiro que havia lá, pegou também o cartão de credito dele, e o do banco. Botou tudo em sua pequena bolsa, menos um pouco de dinheiro, que guardou dentro do sutiã.

Foi para a sala, onde Karen a esperava.

_ Só vai levar essa bolsa ?

_ Só.

Karen fez sinal de "tanto faz" com os ombros e se despediu dela.

A Ordem NegraOnde histórias criam vida. Descubra agora