2010, Fevereiro - Quarta

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Beatriz acabou de pedir ao porteiro para vigiar a sua recém adquirida scooter, já estava acostumada a dar uma volta com as amigas, principalmente nessa, já que de vez enquanto, quando Norberto não estava em casa, ela e Marcinha davam uma volta.

 Beatriz sabia dirigir, tanto carro quanto moto, e dirigir uma scooter não era algo difícil, ainda mais no Rio, dezenas de pessoas andam com essas motos para cima e para baixo, a policia tem mais o que fazer alem de pará-los.

O porteiro deu uma risada quando ela disse que ia no apartamento de Lucas, e ouviu uma mulher que estava na portaria dizer, antes dela entrar no elevador "ele está gostando da fruta agora ?".

 Beatriz subiu e uma senhora lhe atendeu, era a mãe de Lucas, muito simpática, disse que seu filho viria logo, a deixou na sala do pequeno apartamento, nas paredes, haviam várias fotos, ele era um homem grande, fisiculturista, vários troféus em cima da estante

Por isso ficou surpresa quando um homem muito acabado entrou com a ajuda de uma bengala e de sua mãe, ele se sentou em uma poltrona cheia de almofadas, pediu para Bia sentar-se de frente a ele.

Assim que estavam acomodados, a mãe saiu do apartamento, deixando os dois sozinhos. Ele riu, olhou bem para Beatriz e disse :

_ Você vai fazer um acordo com ele ?

_ Vou, não tenho outra solução.

_ Se enforque.

_ Como ?

_ Se enforque, pule desta janela, faça o que for, não faça nenhum acordo com ele. Era o que eu devia ter feito.

Beatriz olhou fixo pra ele, tentando entender o que estava acontecendo. Ele parecia uma pessoa muito amargurada.

_ Claro, você não vai fazer isso, acha que é esperta, que vai dar um jeito. Eu era assim, eu era o máximo !

Ele olha para a estante, vê suas fotos, seus troféus.

_ Num dia comum, eu pegava umas três iguais a você, as meninas da academia queriam trepar comigo toda hora, eu tinha quem eu quisesse. Eram duas, três na minha cama quase toda noite. E eu ainda saia com os meus manos pra quebrar por ai.

_ Quebrar ?

_ Meter porrada ! A gente saia a noite, eles aceleravam o carro e eu metia o braço no estomago dos caras na rua, nos pontos de ônibus, íamos pros bailes , pra night e eu quebrava geral, tinha pra ninguém, as mina diz que não gostam, mas toda a noite umas voltavam comigo, e eu nunca forcei mulher não! elas esfregavam a xota na minha cara, eu era o máximo.

Beatriz não sabe se sentia nojo ou pena.

_ Ai, um dia, eu me perdi dos meus amigos, entrei num beco pra mijar e, sabe o que eu vi ? Duas bichas, na maior boiolagem, uma chupando a rola da outra, num pensei, dei um soco numa, e chutei a boca da que tava chupando, chutei tão forte que quebrou o maxilar, ficou pra fora, pendurado, meti tanta porrada, mas tanta que as duas ficaram a beira da morte.

_Meu erro foi não ter matado de vez as bichinhas. No dia seguinte, tava a policia lá em casa, eu morava num condomínio legal, lá na barra, não nessa merdinha de apê velho aqui. Foi o maior circo, imprensa, direitos das bichas, maior circo, depois de um tempo eu fui condenado e encarcerado, na primeira noite na cadeia, quebrei uns cinco na cela, mas tinham quarenta, não deu pra mim, me curraram. Disseram que eu ia ser a mulher da cela, era pra mim ir me acostumando.

A Ordem NegraOnde histórias criam vida. Descubra agora