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Gabriel tinha caído, isso estava óbvio. As asas negras, os atos, a forma como que a sua voz mudara quando falou com Rafael. Mas porque continuava, depois de tanto tempo, me protegendo? Talvez Rafael estivesse parcialmente certo quanto o que ele esperava disso.

— Por que? — não sabia o quão disposto ele estava para falar, o que responderia ou não. Gabriel estava tenso.

— Isso não importa. — ele suspirou.— Quando caí, eu pensei que estando longe protegeria você. E eu não queria ter de estar sempre perto de um humano, de ter de estar sempre disposto. Sentia-me preso.

— Então por que você voltou?

— Ficamos separados por muito tempo, a nossa ligação foi desfeita. Naquela noite ela foi reconstruída, eu olhei o teu rosto, e ouvi a música, as risadas, eu pude sentir você de novo. — ele olhou-me concentrado, as sobrancelhas contraídas contrastavam o olhar verde.— Por mais que eu tenha tentado, não consegui deixar-te.

Foi preciso concentração para segurar as palavras na minha garganta, Gabriel não precisava me deixar, ele podia ficar comigo. Eu queria, que ele ficasse comigo.

— Por que você matou eles? — a minha voz soou mais baixa que o normal.

— Quando um anjo cai, perde as asas. Elas queimam durante a queda. Eu estava doente, eu gosto muito de voar, e quando fiquei sem elas, fiquei completamente debilitado, e me sentia vazio. Lúcifer me encontrou, e devolveu as minhas asas. Então, eu recolho almas para ele, desde que fui expulso do inferno. Em 13 de Setembro, quatro anos atrás, Lúcifer pediu a tua alma e dos outros.

— Por que nós? Por causa do jogo?

Ele apenas assentiu em concordância.

— Então porque você não matou Tessa?

— Não estava na lista. Provavelmente a alma dela foi queimada durante o jogo.

— É o que você fez com os outros?

— Sim.

Rapidamente Cobe, Gustav, Nathalie e Thalia invadiram a minha mente. Os seus sorrisos, as memórias, coisas que nunca poderemos viver de novo, porque eles estavam mortos. Gabriel os matara. O meu anjo, matou os meus amigos. Não pude impedir a frustração no meu rosto, por momentos desejei que Gabriel nunca tivesse existido.

— Por que você é o meu anjo? Por que não outro? — a minha voz falhou durante a frase.

Gabriel pensou. Parecia poder sentir que eu estava magoada.

— Porque fui o primeiro a ouvir-te. Quando você cantou pela primeira vez. Eu ouço a melodia sempre que algo está prestes a acontecer com você.

— É assim que se escolhe o anjo de um humano? E se alguém precisar ou quiser trocar de anjo? — o meu tom de voz tornou-se frio involuntariamente.

Gabriel ficou tenso, demorou um tempo para formular as palavras. Eu não queria troca-lo, eu acho. Não poderia.

— Isso só acontece quando o anjo morre. — ele voltou a encarar o nada, abandonando o meu rosto.

— Isso é impossível. — sussurrei.

Ele abanou a cabeça de forma negativa. — Um anjo é mais frágil do que você imagina.

— O que mata um anjo?

— Muitas coisas. Prata, fogo, emoções. Se o coração de um anjo é partido, ele é literalmente partido.

— E o que mata você?

O seu olhar tornou-se frio. Mas ele não deixou de responder. Inspirou de modo profundo.

Crows { H.S }Onde histórias criam vida. Descubra agora