One More Time

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Como Bárbara tinha falado, em três dias elas estariam lá. E elas já estavam. Fui ao banheiro no momento em que pressenti que a hora de partir estava chegando. Na janela do banheiro tinha um pequeno bilhete, sendo bem objetivo: "Agora". E foi nesse momento que quando saí do banheiro olhei para Marian e ela começou a gritar. O grito dela era doloroso aos nossos ouvidos e ninguém conseguia chegar perto.

Nosso plano tinha mudado um pouquinho desde o primeiro dia. Ela iria chamar a atenção dos guardas enquanto eu colocaria a senha e sairia para ajudá-la, mas eu já estava fora. Não precisou da bendita senha. Seus gritos também funcionariam para avisar as meninas que era a hora de agir.

Um guarda entrou em sua cela e tentou agarra-la para que parasse de gritar, mas ele levou um chute na canela. Eu acredito que não foi proposital, mas deu tudo certo. Ela saiu da cela e alguns homens apontaram a arma para ela.

Dei uma cotovelada no homem que tinha me carregado até o banheiro e ele se assustou um pouco. Um soco em sua garganta fez com que ele parasse no chão inconsciente. Eu esperava que não estivesse morto.

Alguns homens vieram em minha direção, mas caíram no chão quando tentaram. Logo vi o porquê: eles tinham pequenas seringas vermelhas em seus pescoços. Olhei para aquilo um pouco curiosa, mas Bárbara chamou minha atenção para ela. Ela estava com uma roupa toda preta e tinha em suas mãos uma arma de dardos tranquilizantes. Sorri para ela e chutei mais uma canela que vinha em minha direção. Todos os caras que apontavam uma arma em direção a Marian, estavam caídos no chão.

Meu Deus, Bárbara era realmente boa no que fazia.

Olhei em direção a Martin, mas este se encontrava no chão com a mão na arma, mas desacordado. Seu cachorro estava ao seu lado chorando. Merda!

Cheguei perto do corpo de Martin e o cachorro olhou pra mim tristemente. Eu não podia fazer nada. Eu não levaria o cachorro comigo. Acho que Martin enfartaria. Passei a mão por seus pelos negros e ele chegou um pouco mais perto de mim.

- Ei, amigo. Ele não está morto. Ele vai acordar daqui a algumas horas. Confie em mim. - Ainda assim sabendo que o cachorro não ia me entender, eu tentei falar com ele. Mas, o mais incrível que ele fez foi parar de chorar e lamber minha mão.

Eu não entendi se aquele sinal era de concordância, mas o cachorro ficou lá quando eu passei por todos os corpos caídos e saí pela porta.

Cheguei perto do carro das meninas e elas abriram a porta para mim, mas eu não consegui entrar. Eu tinha que buscar minha moto. E eu iria até o inferno para busca-la.

- Podem ir. Eu alcanço vocês. - Falei com elas e elas já iam falar que aquela não era uma boa ideia, mas eu já tinha voltado para dentro daquele galpão. Eu não sabia onde procurar. Merda. Aquele galpão nem tinha uma segunda porta. Fui até a porta do banheiro e vi uma escada que subia para lugar nenhum. Subi na escada mesmo assim e encontrei uma alavanca. Eles seriam tão burros desse jeito?

A alavanca pedia uma senha. Eu não tinha merda de senha nenhuma e já estava perdendo muito tempo naquele lugar. Alguns homens ainda estavam acordados e gemendo de dor no chão. Outros estavam escondidos. Eu não sabia o que fazer.

Eu tinha minha senha. A senha da minha cela. Mas não podia ser, certo? Eles não colocariam a mesma senha em todas as coisas. Não importa pensar nisso agora. Eu preciso sair daqui o mais rápido possível.

Coloquei a senha que Marian tinha me falado e uma porta atrás de mim se destrancou. Olhei para a porta que ficava atrás da minha cela e franzi os olhos. Como ela podia estar ali a tanto tempo e eu nem percebi. Desci as escadas e corri em direção a porta. Cheguei em um lugar aberto e me impressionei com o que vi. Havia uma extensão de carros pretos em um único estilo militar. Eles estavam lado a lado e alguns tinham o capô aberto.

Atrás do PerigoOnde histórias criam vida. Descubra agora