Saí do quarto cega de raiva. Eu não sabia ao certo o que tinha me dado esse acesso de raiva repentino, mas uma vontade de arrancar as cordas vocais de Alastor se ele não falasse toda a verdade estava difícil de controlar.
Passei pelo corredor estreito que levava a nossos dormitórios e encontrei uma sala grande pela qual tínhamos passado quando estávamos indo para os quartos. Martin estava parado de tocaia na porta da sala e me viu assim que passei pisando duro e fazendo a minha pior cara.
Agora, nas minhas lembranças, Martin era um menino antissocial e que nunca falava comigo. Eu não me lembro o porquê de seu voto de silêncio, mas era destinado só a mim naquela época. Ele conversava bastante com as outras meninas, mas ele simplesmente não conseguia olhar na minha cara.
Fico de frente para ele e quando falo minha voz sai fraca e frágil.
- Quero vê-lo. – Qualquer coisa que caísse no chão agora, eu desmontaria na frente de Martin. Eu não precisei dizer mais nada, pois ele afirmou com a cabeça e me pediu que o seguisse.
- Suas amigas não vêm? – Ele perguntou parecendo ser simpático.
- Não sei... – Eu nunca fui uma garota de se assustar fácil, por isso, eu mantive minha postura e a cabeça erguida para parecer que estava tudo bem, mas a verdade era que eu queria chorar por dias trancada no meu antigo quarto da minha antiga casa em Gran Forks. Tudo parecia falso aos meus olhos. Nada do que eu via parecia ser real.
Martin abriu uma porta para mim e eu entrei. Alastor estava em um canto da sala grande e iluminada segurando um copo com um líquido âmbar.
- Eu quero tudo. – Disse com a voz mais firme que da primeira vez e cruzei os braços a minha volta. A sala estava congelando, mas não via nenhum sinal de ar condicionado ou ventiladores.
- Eu já imaginava. Sente-se Ella, - Ele se virou para mim e me indicou com a mesma mão que segurava o copo para eu sentar em uma poltrona marrom e aconchegante. – por favor.
Alastor mandou e eu obedeci, pois a cadeira parecia o lugar mais quente que tinha naquela sala. Ele se virou novamente para a grande parede de vidro.
- Bom, você tinha 9 anos quando te tirei do orfanato. Como você já deve saber, sua mãe fazia parte da STO. Na verdade, ela fazia parte da SOG, mas entrou em terras americanas fugindo da própria SOG, pois eles estavam obrigando que ela fizesse mais e mais vacinas com mutações genéticas. Quando ela viu o que aquilo fazia com os animais, quando ela viu que o que ela criou fazia com as pessoas, ela desistiu e abriu mão de toda a vida bem estruturada que ela tinha na Grécia para proteger a si mesma e para proteger a humanidade. A história dela é bem poética se você ver por um lado. Quando ela entrou aqui, a SOG mandou um chamado para a nossa unidade em Minot pedindo que nós ficássemos de olho nela e que a prendesse, pois eles estariam chegando. De fato, eles chegaram daí a uns dois dias, mas nós não a tínhamos. Eu fiquei responsável por acha-la e leva-la para a Grécia novamente, mas antes eu tinha que saber porque ela era tão útil para os caras da SOG. Então, como um passe de mágica eu tinha o que eu estava sonhando durante 10 anos. A fórmula secreta para as mutações genéticas. Direto nas minhas mãos. Eu precisava encontrar sua mãe e quando eu encontrei, ela já estava casada com seu pai. E já tinham construído uma família. Tinham até uma filha! Demorou apenas alguns anos para que eu a encontrasse e ela já estava com uma família construída. Não falei mais nada para SOG sobre seu aparecimento e fui atrás dela. Ela disse que não iria me dar nenhuma fórmula e nem uma pista sobre seu experimento. Ela disse que aquilo havia sido um erro e que nunca mais se repetiria. Eu a ameacei e ela começou a trabalhar para mim, mas ela tentou fugir e... bom, o resto você já sabe. Só que... depois de muitos anos, 4 alunas se mostraram muito boas em algumas singularidades. Você em computadores, Bárbara em lutas e armas, Jade em infiltrações e em fugir dos pais e Marian em disfarces e persuasão. Vocês se mostraram perfeitas e ideais para o cargo. Eu precisava da fórmula e vocês seriam preparadas para roubar essa fórmula da SOG. Por isso vocês vieram pra cá. Só que a SOG estava puta comigo por terem matado seu "gênio". Talvez a melhor coisa que nós fizemos para sua mãe foi matá-la. – E eu já tinha pensado nisso muitas vezes, mais do que Alastor pudesse imaginar. – Depoisdisso, ela conseguiu te esconder muito bem, mas você não era tão útil. Deixamosesse "problema" de lado. Então, a SOG conseguiu um jeito de destruir todo o nosso sistema. Tivemos que tirar a memória de todas vocês e as mandamos para casa de novo. Foi a pior fase para STO. Se você tivesse um pouco mais preparada, tinha evitado esse deslize, mas contratamos uma pessoa que nunca havia feito aquilo na vida. Meu erro, eu confesso... – Alastor estava pensativo. – É isso. Aqui estão vocês. Agora mais velhas e mais maduras para encararem a situação. Agora que nosso sistema está 100% reparado, vocês podem novamente trabalhar.
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Atrás do Perigo
Любовные романыElla está cercada. Alguém está atrás dela e de suas amigas e ela precisa correr. Ela não sabe de absolutamente nada e só o passado conturbado de um homem misterioso pode lhe dar algumas respostas. Um tiro e uma fuga. "Que merda está acontecendo?" va...
