Já tinham se passado dois dias desde o imprevisto no banheiro com Martin. Eu estava confusa e nervosa. Precisava sair daquele lugar o quanto antes, mas não podia sair de lá sem algumas respostas.
O bilhete que Bah escreveu era claro: "Consiga respostas, estamos a caminho". Alguns homens já tinham ido embora ou estavam dormindo em um canto da sala. Eles poderiam continuar assim quando nós atacássemos.
Um homem alto e com cabelos pretos tinha deixado claro um dia antes que o chefe não nos queria morta. Nem se um imprevisto acontecesse. Era nossa chance. Eles não podiam nos matar, iriamos sair ilesas e sem nenhum arranhão. Era o que eu esperava.
- Ok, onde está minha moto? – Perguntei de repente pegando alguns de surpresa, mas eu estava olhando diretamente para Martin. Ele ficava na mesma posição de sempre. Não dormia, não comia, não ia ao banheiro. Ele era uma máquina humana e ninguém tinha se dado conta ainda.
- Está guardada. – Ele respondeu chamando atenção de alguns homens com sua voz grave.
- Eu posso vê-la?
- Não.
Uma palavra. Um simples não. Porra! Ele sabia que aquela moto era um bebê para mim. Se eu a perdesse eu iria chorar e fazer um escândalo. Iria mesmo. Pode me chamar do que quiser, mas aquela moto era a coisa mais preciosa para mim, depois das minhas amigas.
- Quem vocês são? – Marian perguntou me surpreendendo. Ela não olhava diretamente para ninguém. Seu rosto passeava por todos que estavam ali naquele galpão. Eu tinha certeza que alguns estavam caidinhos por ela. Ela sabia como usar sua beleza. Eu a admirava por isso.
- Nós somos uma organização. – Um cara respondeu no canto do galpão, nos surpreendendo. Os olhos de águia de Martin voaram para ele.
- Secreta? – Marian continuou.
- Sim. – Dessa vez outro cara respondeu. Ele estava mais próximo de nós jogando cartas com um outro homem ruivo e mais velho. Eu realmente não sabia como reagir. Eles estavam falando e bem rápido, como se nada os impedisse. Algo estava errado.
- Do governo? Ou são ilegais? – Perguntei esperando que aquilo funcionasse mesmo.
- Pode-se dizer que os dois. – O cara ruivo me respondeu.
- O que vocês procuram?
- Pessoas capacitadas para...
- Já chega! – Martin deu a ordem e todos se calaram.
- O caralho que já chega! – Gritei de volta para ele. Mas que merda! Quando finalmente alguém ia me dar algumas respostas, ele corta a pessoa. Estava cansada disso. – Você não pode pelo menos nos dar algumas respostas?
- Bom, senhorita Avril – ele respondeu se aproximando da minha cela – o que eu posso te dar é o seguinte: nós somos uma organização secreta que busca pessoas que podem ter alguma singularidade. Você e suas amigas parecem se encaixar nisso. Satisfeita?
- Que singularidades? – Devolvi me aproximando dele. Não podia fazer nada, afinal estava me sentindo um bicho de zoológico. Exposta para algumas pessoas verem em um pequeno espaço que não podia nem ficar em pé direito.
- Você vai descobrir.
- Porque não me fala? – Perguntei de novo o mais próximo possível dele. Ele estava a um passo de distância da minha prisão. Obviamente evitando que eu o puxasse para bater de cara nas barrinhas de ferro que tanto me serviram a dois dias atrás.
Por falar nisso, Dollan estava mais feio do que nunca. Seus lábios e supercílio ainda estavam sangrando e seus olhos estavam inchados. Ele não falou mais nenhuma palavra depois do ocorrido. Só me olhava com desconfiança e quando eu encarava de volta ele olhava para outro lugar.
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Atrás do Perigo
RomanceElla está cercada. Alguém está atrás dela e de suas amigas e ela precisa correr. Ela não sabe de absolutamente nada e só o passado conturbado de um homem misterioso pode lhe dar algumas respostas. Um tiro e uma fuga. "Que merda está acontecendo?" va...
