- Vem comigo. - Martin chegou perto de mim e sussurrou - Suas amigas não vão sentir muito sua falta. Elas já tiveram muito de você por hoje.
Eu já tinha perdido as contas de quantas músicas eu tinha dançado. Martin não se juntou a mim em nenhuma delas. Confesso que fiquei um pouco decepcionada. A outra vez foi tão... quente...
Não tive tempo de dizer nada para Bárbara, a única que não estava se enrolando com alguém na pista de dança.
Entramos no elevador e ele enfiou uma chave no painel com precisão e destreza. O álcool que me deixava levemente solta pedia que eu o agarrasse ali mesmo e não se preocupasse com as milhões de câmeras que estariam de olho em nós. Mas meu lado consciente pedia para me segurar. Eu não estava bêbada como da outra vez, eu estava feliz e bem. A dança havia ajudado a me livrar um pouco da embriaguez.
- Pra onde está me levando? - Perguntei remexendo minhas próprias mãos e olhando despreocupadamente para Martin.
- Você vai ver... - Sempre misterioso... revirei os olhos e me concentrei no painel. Tinha muitos botões ali.
Estávamos indo para o último andar.
- Achei que o último andar era o 96.
- E ele é. Nós estamos indo para o heliporto. Tem um lugar... você vai ver...
Uau, a STO superava minhas expectativas.
O elevador chegou ao heliporto e nós descemos.
- Wow! - Disse assim que vi a vista panorâmica que tínhamos de tudo lá em baixo. O prédio era enorme e a altura não me incomodava, mas aquele andar era realmente alto.
Martin sorriu de lado e foi andando para uma parte lateral do lugar onde os helicópteros pousavam.
O heliporto era oval e tinha uma barreira de proteção que separava a vida da morte. Martin ficou muito perto da beirada do lugar e eu parei demonstrando toda minha aflição por ele.
- Está tudo bem. - Ele sorriu e me ofereceu sua mão. Andei em direção a ele e peguei sua mão. Ele se sentou na barreira e eu fiz o mesmo com receio de fazer qualquer movimento errado e dar adeus a vida. - Melhor?
- Bastante. - Respondi e olhei para a área desértica e pedregosa que ficava ao redor do complexo. Era engraçado o quanto nós éramos diferentes. Eu gostava do último andar no subterrâneo e ele gostava do último andar nos ares. - Vem aqui com muita frequência?
- Não. Quer dizer, eu vinha. Antes de vocês chegarem, eu não tinha muita coisa para fazer então passava a maior parte da noite aqui.
- Como ficou sabendo daqui?
- Quando entrei, Alastor me mandou aprender a pilotar aviões, helicópteros e qualquer coisa que voa. Meu trabalho era aqui. - Uau...
- Era?
- Agora é cuidar de você.
- Eu não preciso que você cuide de mim! - Falei indignada.
- Eu sei que não, mas é legal te ver irritada de vez em quando.
Revirei os olhos. Martin sendo Martin.
- Com quantos anos entrou?
- Eu devia ter 10. Não me lembro muito bem. - Ele estava mentindo. Resolvi não mexer em seu passado. Ele estava se limitando a dizer muitas coisas. Deixaria o assunto em aberto deixando claro que ainda não tinha terminado com ele. Ele soltou um riso nervoso e amargurado. - Faz ideia de como somos fodidos?
Olhei para baixo das minhas pernas encontrando a escuridão e meu coração caindo em pedaços com sua frase. Preferi não responder. Martin estava claramente sofrendo, mas eu não podia ajudar. O que ele estava querendo dizer? Que assim como eu, ele não tinha pais? Que assim como eu, ele se fechou para o mundo a sua volta e não amou mais ninguém? Que assim como eu, ele acharia que morreria nessa missão estúpida? Sim, eu tinha ideia de como éramos fodidos. Mas de alguma forma, isso nos tornou quem nós somos hoje. Isso pode ser ruim ou bom, mas sempre pode ser os dois.
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Atrás do Perigo
RomantizmElla está cercada. Alguém está atrás dela e de suas amigas e ela precisa correr. Ela não sabe de absolutamente nada e só o passado conturbado de um homem misterioso pode lhe dar algumas respostas. Um tiro e uma fuga. "Que merda está acontecendo?" va...
