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Já tinham se passado uma semana do acontecimento na cozinha. Eu estava feliz comigo mesma, mas não com Martin. Depois disso, ele ficou mais solto e mais aberto. É claro que no início aquilo foi difícil para ele. Eu tentei dizer que ele estava me ajudando a desenvolver ainda mais a telepatia e eu estava o ajudando a ficar mais leve, mas é óbvio que Martin ficou um pouco receoso no início. Ele não olhava pra mim e eu estava preocupada com o que ele sentia. Tanto o oral, como a passagem que eu consegui para a sua mente não saiam da minha mente. E acredito que nem da mente de Martin. Nós não tínhamos mais no tocado durante toda a semana e a distância que ele estava impondo estava me matando por dentro.

Ele não lutava comigo e tinha arrumado um boneco no qual eu poderia lutar. Era interessante lutar com um boneco em um primeiro momento, mas aquilo começou a ficar chato. Além disso, ele não me deixava entrar na sua mente. Não depois do que eu consegui. Segundo ele, eu estava boa o suficiente. Isso também era um saco, mas eu como ele mesmo disse, eu tinha conseguido algo que ninguém nunca conseguiu. Era natural que ele se fechasse um pouco.

E é lógico que eu já fiz a proposta de ir embora pra Martin, mas ele sempre mudava de assunto ou falava que não. Nenhuma explicação. Nenhuma palavra. Eu liguei para minhas amigas algumas vezes do meu quarto. Eu estava cansada de não ter ninguém pra conversar na vida real. Elas estavam na virtual e isso me satisfazia por um momento, mas quando eu tentava fazer algum contato com Martin, ele fugia falando que precisava trabalhar em algumas coisas, ou que ia na cidade comprar leite. Deus! Nós nem bebíamos leite!

Eu não podia conversar com minhas amigas abertamente, porque como eu já disse: as paredes têm ouvidos aqui nessa casa e eu não quero que Martin ouça que eu estou de saco cheio de ficar ali presa com ele e ele não dando a mínima pra mim. Eu estava cansada de esperar por suas ordens e suas vontades. Se eu não fizesse alguma coisa eu enlouqueceria.

Ainda era de manhã quando eu decidi que precisava testar aquele lago de forma correta, porque da última vez, Shadow me jogou na água e estava muito frio. Mas já estava começando a esquentar e eu precisava de água. Eu sempre precisei de alguma água pra refrescar. Eu gostava do frio, mas no calor eu tinha que entrar na água, era como um ritual. Como não tinha trazido nenhum biquíni pra cá, eu decidi que entraria na água de calcinha e sutiã mesmo. Não tem nada que Martin ainda não viu aqui.

Ele, como sempre, tinha saído de manhã e eu estava sozinha e trancada em casa. Aquelas milhões de fechaduras estavam atrapalhando minha saída de manhã e eu estava de saco cheio. Peguei meu computador e fui pra perto da porta onde conectei um fio do meu computador até a porta. Eu iria destravar aquelas merdas hoje e nada me impediria.

Fiz o que tinha que fazer e destravei o primeiro sistema. 1807 era a senha. Bom, depois que Martin soubesse o que eu tinha feito, não seria mais.

O resto era manual e eu consegui abrir a porta. Shadow estava do lado de fora sempre alerta. Ele era muito parecido com o dono. Foi posto ali pra me vigiar. Sorri pra ele sabendo que ganharia sua confiança e me abaixei para coçar suas orelhas. Deixei a porta aberta e fui até a cozinha pegar um pouco da sua ração. Ele me seguiu prontamente e eu aproveitei que ele estava comendo na cozinha e corri até a porta, fechando em seguida.

- Desculpe, amigo, mas seu dono é muito chato e não está me dando outra escolha.

Peguei uma faca que eu escondia no tapete da porta da frente e saí pela manhã morna. Fiz como Martin tinha mandado e olhei para todos os lugares próximos a casa. Não notei nada diferente e por isso desci as escadas para o lago. A visão de todas as manhãs era linda. O lago parecia um gelo, mas o sol que estava se mostrando no alto das árvores não negaria o dia quente que nos esperava.

Andei até a pequena ponte que ficava mais distante da parte com areia e tirei minhas roupas. Coloquei a faca presa ao lado do meu sutiã, pois caso eu precisasse, ela estaria ali. Eu tinha me mostrado muito boa com facas e outras armas brancas, mas meu coração ainda guardava uma grande parte para as armas de fogo.

Atrás do PerigoOnde histórias criam vida. Descubra agora