O assustador silêncio de Lilian

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Já estava no fim da aula de segunda, provavelmente o pior dia da semana. Lilian arrumava suas coisas com calma, e suspirava pelo péssimo e mal aproveitado final de semana que ela havia tido. Ela não havia conseguido falar com Eric em nenhum momento, o que era frustrante, e pra piorar, sua mãe tinha que trabalhar novamente.

A jovem saiu de sua sala e começou a andar por entre os corredores lotados de alunos loucos para chegar em casa, Lilian se esforçava para não ser atropelada pela multidão, e se orgulhava por ser forte o suficiente para empurrar qualquer que tentasse passar por cima de si.

Logo ela estava no portão da escola, no geral, ela esperava os gêmeos para eles irem juntos pra casa, mas naquele dia Lilian não tinha a menor vontade de fazer-lo, por isso se adiantou e foi sozinha.

Ela andava calmamente para sua casa, gostava muito de fazer-lo para olhar em volta. Era um dia frio, e as nuvens estavam carregadas. Para a maioria dos seres humanos era um dia feio, não viam a beleza em nuvens da cor do carvão. Mas para Lilian, era mais um lindo dia.

A jovem inflava as narinas sempre que sentia a brisa lhe acariciar e trazer o cheiro da chuva, e que cheiro maravilhoso era aquele.

Em seu caminho Lilian se deparou com Eric indo por um caminho que não era o da sua casa. Claro que este pequeno detalhe não passaria despercebido por uma garota tão intrometida. Lilian não perdeu tempo e logo se pôs a seguir o pobre rapaz.

“Onde será que ele vai?” se perguntou em pensamentos, mesmo sabendo que a resposta não viria do além.

A garota tinha certeza que Eric sabia que estava sendo seguido, pois ora ou outra este olhava para Lilian e suspirava. Mesmo assim, a jovem não se atreveu a dizer uma palavra sequer, já que não queria irrita-lo novamente.

Depois de algum tempo de caminhada, Eric entrou na biblioteca, e Lilian o seguiu alguns passos atrás dele. O garoto começou a andar e para surpresa de Lilian, entrou no corredor de livros de culinária, vasculhando cada prateleira com muito cuidado.

Não saber o que Eric pensava era demasiado irritante, ninguém sabia praticamente nada sobre ele, e ele não falava de si.

Lilian queria descobrir, mas não descobria, ela queria que Eric se abrisse com ela, mas ele não se abria, então como ela desvendaria esse mistério?

Eric se sentou em uma das mesas retangulares da biblioteca, e Lilian sentou-se também vendo-o folhear um livro de receitas, ele pareceu não se importar com Lilian o observando e continuou concentrado.

“Qual o problema dele?” se perguntou. “Será que ele gosta desse tipo de livro?”

As perguntas que Lilian queria fazer deixavam-na inquieta, odiava não poder falar o que estava pensando.

Ele leu por alguns minutos, então fechou o livro bruscamente e encarou Lilian parecendo irritado.

- Sabe - Ele apoiou a cabeça na mão -, você pode parar com isso?

Lilian piscou confusa.

- Isso o quê? - perguntou.

- Me seguir por aí sem dizer uma palavra sequer! - esclareceu parecendo irritado.

Os lábios de Lilian se ergueram em um sorriso travesso.

- Você me disse que eu sou irritante quando tagarelo! - acusou se divertindo com a situação.

- Uma stalker é mais irritante! - murmurou se acalmando um pouco.

Lilian estava muito feliz, ela havia matado dois coelhos numa cajadada só. Reouve o seu direito de perguntar tudo o que tinha vontade sem precisar segui-lo, ou apenas imaginar uma resposta coerente.

O oposto do inversoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora