Lilian começou a passar mal, não sabia o que fazer, e o desespero começava a tomar conta de si.
“Será que eu chamo uma ambulância?” pensava andando de um lada pro outro. “Respiração boca a boca?”
Ela novamente olhou para sua mãe, e percebeu que mais do que isso, ela precisava dos seus primeiros socorros o mais rápido possível.
Lilian foi ao encontro da mãe pronta para ajudar com qualquer coisa que fosse, se necessário doaria seu Rim. Mas, como se ressuscitasse dos mortos, Romênia abriu os olhos e começou a levantar como se nada tivesse acontecido.
- Você não estava desmaiada? - perguntou sem conseguir esconder a surpresa estampada em seu rosto.
- Claro que não! - Romênia tirou a poeira imaginária de suas roupas. - Eu apenas tropecei.
- Mas você estava… Estava desmaiada! Você estava ali e… Eu não estou louca! Tenho certeza!
- Bom… você certamente não está louca - Sua mãe a olhou de forma indescritível -, mas está exagerando!
- Mas mãe…
- Já disse que tropecei!
Lilian estava incrédula, ela tinha certeza que sua mãe havia desmaiado, aquilo não poderia ter sido um tropeço, Romênia havia ficado tempo demais no chão pra ter apenas tropeçado.
“Bem, talvez eu tenha exagerado.” Começou a pensar, tentando convencer a si mesma que aquilo foi só um tropeço e começou a levar aquilo como certo, mas no fundo ela sabia que tinha algo errado, e aquela pontada de incerteza não desapareceria tão fácil.
***
Lilian e os gêmeos estavam na biblioteca fazendo lição, tanto Júlia quanto João haviam trazido seus notebooks, mas como o notebook da Lilian estava quebrado ela fazia do jeito tradicional, lápis, papel e livro.
O notebook quebrado de Lilian foi o motivo que fez os três irem fazer lição na biblioteca aquele dia. Apesar deles serem amigos suficientes para copiar o trabalho uns dos outros não o fariam daquela vez porque a professora havia lhes passado três temas diferentes já que não aguentava mais ver três trabalhos idênticos.
Apesar de tudo, era agradável estar em meio aos livros, e o silêncio da biblioteca era acolhedor. Lilian não era uma pessoa muito inteligente se tratando dos estudos, mas sabia apreciar um bom livro. Ela gostava do perfume do papel. O cheiro dos livros velhos traziam nostalgia. O cheiro dos livros novos traziam felicidade. E a biblioteca trazia o cheiro de ambos.
- O que vocês estão fazendo? - perguntou uma voz familiar por cima do ombro de Lilian.
Ela olhou para trás e se deparou com Ana Clara, a garota mais bonita da cidade. Tinha um cabelo rebelde e cacheado, pele escura, olhos grandes e brilhantes. Um corpo alto e escultural. Basicamente, a garota que todas as meninas invejam, e que todos os garotos queriam namorar.
- Trabalho de física! - respondeu Lilian.
Ana fez uma cara de surpresa.
- É pra sexta, né? - perguntou em desespero.
João se pôs a rir, como sempre, nem um pouco delicado. Já Júlia estava muito concentrada no seu trabalho para poder rir.
- É pra amanhã… - Lilian respondeu receosa, não gostava de dar notícias ruins.
Ana prendeu a respiração, e então sentou-se na mesa.
- Meu Deus! Como pude esquecer que o trabalho era para amanhã. - Ana bateu na própria testa. - O pior é que combinei de sair com as minhas amigas hoje!
- Vai ter que cancelar… - cantarolou João.
- Mas de jeito nenhum! Vou madrugar, mas não vou cancelar! - disse por fim.
- Boa sorte então! - desejou João.
- Bem, de qualquer forma eu tenho que ir. - disse, e saiu de cena.
O resto da tarde passou mais rápido do que o esperado. Já o trabalho, mais difícil do que o esperado.
Apesar de física ser uma merda, e escrever trabalho à mão ser uma merda ainda maior, passar a tarde em uma biblioteca com seus melhores amigos foi muito bom, foi um dia do qual Lilian não ia se arrepender.
Depois de todos os trabalhos estarem terminados, os três se despediram e foram para suas casas. Os três estavam exaustos, mas também muito felizes.
O céu estava escuro, e havia incontáveis pontinhos brilhantes no céu, como se as estrelas fossem jóias enfeitando a lua. Aquilo fez com que o caminho de Lilian para casa fosse menos monótono.
Logo Lilian chegou em sua casa, e se surpreendeu em ver que sua mãe a esperava no sofá da sala enquanto assistia a um programa de TV qualquer.
- Mãe, você chegou mais cedo hoje! - disse numa mistura de alegria e surpresa.
Romênia a olhou gentilmente e deu um sorriso acolhedor.
- Me liberaram mais cedo hoje! - disse como uma criança que acabara de fazer uma travessura. - Eu estava pensando, porque não assistimos um filme?
- Sério mesmo? - Romênia fez que sim. - Eba!
- Então vou estourar a pipoca! - disse Romênia se levantando e indo para cozinha.
Lilian estava muito feliz, esperava pacientemente no sofá sua mãe terminar de estourar as pipocas para que as duas pudessem assistir juntas. Não havia alegria maior que essa no mundo.
O barulho da pipoca estourando era animador, e o cheiro que enchia as narinas era delicioso.
“Nem me lembro quando foi a última vez que assisti com minha mãe.”
- Prontinho! - disse Romênia sorrindo enquanto trazia um enorme balde de pipoca amanteigada consigo.
- OK! Então vou colocar o filme!
Logo as duas estavam assistindo no melhor clima possível. O filme não era importante, muito menos a pipoca, o que realmente importava era o tempo que as duas estariam juntos, era atenção que Romênia estava dedicando a Lilian, isso era o que importava.
Mas um dia tão bom ia contra as leis do mundo.
- Filha… - O clima na sala começou a mudar. Lilian se arrepiou. Ela não sabia o que a aguardava, mas sabia que não queria ouvir.
- O que foi mãe? - perguntou receosa.
Lilian não queria ouvir, mas ouviria.
- Eu… - Romênia fechou os olhos como se procurasse por força dentro de si -, eu acho que você deveria visitar seu pai.
Aquela frase foi o que desencadeou um sentimento indescritível em Lilian, seus olhos de repente se tornaram vazios, seus punhos estavam cerrados, e uma expressão assustadora se encontrava em sua face. Aquela era quase uma outra Lilian.
- Não. - Romênia se encolheu perante aquela palavra tão fria, e entendeu que não importava o quanto ela tentasse convencer Lilian, aquela era sua palavra final.
***
Está aí o capítulo, agradeço a todos por terem lido.
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Amo vocês <3
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O oposto do inverso
Romance"Tomo sua dor como minha e seus problemas como meus, isso se chama amor." Como qualquer pessoa de uma cidade pequena, Lilian vive em uma rotina simples e monótona. Mas sua vida dá uma reviravolta quando se vê envolvida com Eric, um garoto que acaba...
