Capítulo 15

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Heitor Muniz

- Vocês são todos uns incompetentes! - Eu já estava aos berros ao telefone. – Como pode uma mulher sumir desse jeito e um bando de homens que se dizem detetives, nem sequer obterem um sinal. E que pergunta é essa, Guerra? Está insinuando o quê? Que ela fugiu com outro homem? Você está me chamando de corno?

- Pelo amor de Deus, Dr. Muniz! É claro que não, no entanto, ela ter fugido com alguém que esteja lhe sustentando, lhe dando proteção e guarida, é uma possibilidade que não podemos descartar, por que trabalhando, parece que ela não está. Eu só lhe perguntei se desconfia de alguém que pudesse lhe ajudar fora do país? Só isso!

- Se eu desconfiasse de alguém, Guerra, já tinha ido eu mesmo verificar e fazer justiça com minhas próprias mãos, se é que você me entende?

- Entendo perfeitamente, Doutor, e também entendo seu aborrecimento, mas preciso que compreenda que estamos fazendo todo o possível para encontrar a sua esposa, mas achar alguém em outro país que sequer está trabalhando, se torna ainda mais difícil.

- Não quero mais saber, Guerra. Eu quero resultados! RESULTADOS! Está entendendo? - Dei um soco na mesa que acho que ele ouviu do outro lado da linha. – Coloque mais homens no caso! Se o problema for dinheiro, eu pago! Quero que a encontrem logo! Ela está com a minha filha. Quero coloca-la na cadeia. – E bati com o telefone, sem nem ao menos me despedir.

Tinha dias que a ausência de Lia me deixava praticamente descontrolado. Eu precisava encontra-la, nem que isso fosse a última coisa que eu fizesse na vida. Aquele questionamento de Guerra, sobre ela estar com alguém fora do país, me deixou mais nervoso ainda. Será que ela estaria sendo protegida por alguém? Por mais que Lia tivesse partido levando dinheiro, com certeza este já teria acabado! Ela precisaria trabalhar para se sustentar e a menina, a não ser que alguém estivesse cuidando dela. Mas quem?

De repente, uma desconfiança descabida se ascendeu em minha mente: Ela estaria com o namoradinho da juventude? Teriam se reencontrado? Não! Não podia ser! Ou podia? Sabia que tinha sido o amor de Lia e que se separaram de maneira brusca, com a minha ajuda, inclusive. Eu sabia que tinha se tornado um famoso jogador de futebol e que morava fora do país. Será que teria procurado por ele?

Eu precisava alertar o detetive para que averiguasse essa minha desconfiança. Eu achava improvável que isso tivesse acontecido. Aquele moleque tinha feito fama e fortuna fora do país, podia ter a mulher que desejasse agora. Nunca mais tinha voltado ao Brasil, mais uma prova de que não pensava mais em Lia. Mas de qualquer forma, era melhor averiguar. Liguei mais uma vez para Guerra e lhe contei por alto, toda a história. Pedi que verificasse por onde andava o tal moleque, que a essa altura já era um homem feito. Não seria nada difícil saber dele, pois havia se tornado um homem público, famoso.

Naquele mesmo dia, Guerra me ligou para informar tudo o que precisava saber sobre Eduardo Crusciani.

- Fala, Guerra. Alguma informação? - Atendi sem rodeios.

- Sim, Doutor. Fizemos uma varredura na vida de Eduardo Crusciani e, hoje, não há nada que ligue sua esposa a ele. Está morando em Londres há alguns anos e jogando num grande time de lá, o Chels Club. Recentemente, foi eleito o melhor jogador do mundo, e há meses, tem sido visto em companhia de uma modelo famosa chamada Anne Harris. Eles mantêm um relacionamento amoroso. Há especulações da sua saída do time, pois há alguns times fazendo propostas milionárias. Não há nenhum indício que ligue a Sra. Muniz ao jogador.

- Melhor assim. Mas de qualquer forma, quero que fique de olho, pois pode vir a procura-lo, e isso não pode acontecer de maneira alguma, entendeu, Guerra? Lia não pode procurar esse jogadorzinho. Fique atento! Eu quero saber de cada passo dele também.

Não era para ser assimOnde histórias criam vida. Descubra agora