Capítulo 35

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Lia Marques

- Está tudo bem, meu amor. Júlia está recuperada, graças à Deus. Já até está indo à escola e eu retomei as aulas na faculdade. Não se preocupe conosco, vá e ganhe esse campeonato. – Respondi a Edu pelo telefone. No dia seguinte, ele viajaria com o Atlético de Milão para alguns jogos do campeonato europeu.

- Vou sentir muito a sua falta, minha linda. E quanto a sua ida ao Brasil? Já resolveram? - Ele quis saber, pois acho que ele era o mais ansioso para que tudo se resolvesse. Eu ainda me sentia amedrontada com a situação.

- Sim, daqui há duas semanas, eu e Dr. Fassoni embarcaremos ao Brasil para dar entrada ao pedido de divórcio e guarda definitiva de Júlia. Inclusive, quero te agradecer por estar custeando, além de tudo, o advogado. Você deve estar gastando demais conosco.

- Eu daria tudo que ganhei por você, Lia, nunca divide disso!

- Não duvido. Vou sentir muito a sua falta.

- E eu a sua. Logo vamos estar juntos, sem nenhum problema, sem ninguém entre nós. Precisamos ter só mais um pouco de paciência. Eu ligo assim que chegar no hotel, está bem?

- Vou ficar esperando. Boa viagem e boa sorte no campeonato! Te amo! - Respondi sentindo um aperto no peito. Acho que já era saudade dele.

- Também te amo!

Desliguei o telefone sentindo meu coração doer. Passamos tanto tempo afastados um do outro, mas agora era quase insuportável a distância entre nós. Eu ansiava pelo momento em que eu poderia tê-lo ao meu lado em qualquer hora ou lugar. Compartilhar todos os momentos sem nada para nos atrapalhar, mas eu tinha fé de que no fim, tudo ficaria bem e nós teríamos o nosso felizes para sempre.

Eu estava em casa, depois de ter passado a manhã na faculdade assistindo aulas. Júlia estava na escola e só precisaria busca-la no fim da tarde, então resolvi adiantar os estudos e trabalhos. Desde que deixei a agência a pedido de Edu, tenho me dedicado mais aos estudos tentando adiantar matérias. Eu me sentia muito feliz em poder me formar. Essa era a minha principal briga com Heitor, pensei, mas procurei desviar meus pensamentos, não queria pensar nele. Naquele dia, eu estava particularmente distraída e com um aperto no peito, mal consegui me concentrar nos estudos. Resolvi guardar todo o material e me arrumar para sair e comprar umas coisas para casa que estavam faltando e depois buscar Julinha na escola.

Tomei um banho demorado, vesti uma calça jeans e uma camiseta, pois o tempo estava abafado, calcei uma sapatilha e quando me preparava para pegar a bolsa para sair, me surpreendi com o toque da campainha da minha porta. Quem seria? O porteiro nem avisou. Eu não conhecia quase ninguém na cidade e mesmo se fosse alguma das pessoas conhecidas, ele ligaria avisando quem era. Talvez fosse algum vizinho do mesmo andar precisando de algo. Olhei pelo olho mágico e não vi ninguém no momento e por isso abri a porta. Aquele era um prédio bastante seguro e por isso jamais imaginei o que me esperava do outro lado da porta.

Abri a porta e fiquei completamente paralisada diante daquela imagem a minha frente que só poderia ser o maior pesadelo da minha vida. Dois homens me olhavam intensamente. Meu coração quase saiu pela boca de tanto susto e medo que senti ao vê-lo ali diante dos meus olhos depois de todo aquele tempo. Aquilo não podia estar acontecendo! Não era daquela maneira que tinha que acontecer!

- Olá, esposa! Há quanto tempo! - Ouvi o som da sua voz grossa e senti que minhas pernas começavam a fraquejar naquele instante.

- Heitor? - Eu estava absolutamente chocada naquele instante e uma onda de pânico começou a me tomar. Dei um passo para trás entrando de volta em meu apartamento e fechei a porta rapidamente, sendo impedida por ele.

Não era para ser assimOnde histórias criam vida. Descubra agora