Heitor Muniz
- INCOMPETENTES! - Gritei irritadíssimo durante uma reunião que marquei em meu escritório na sede da empresa. O detetive veio a Goiás a meu pedido, pois exigi um posicionamento definitivo. – Fábio Guerra, você me foi indicado como o melhor do país! Não é possível, que não consiga encontrar uma mulher com uma garotinha!
- Dr. Muniz, por favor, se acalme. Estamos falando de uma mulher, com uma garotinha que saíram do país e que estão se escondendo. Está sendo difícil encontra-la por isso, estávamos tentando investigar pelos meios empregatícios, mas ao que tudo indica, a senhora Lia está no mercado informal ou ...
- Ou o quê? Fale, de uma vez.
- Ou está sendo sustentada por alguém.
- Ela não conhece ninguém fora do país, Guerra. Só o tal jogador de futebol que já lhe falei, mas não se falam há muitos anos, de qualquer forma, te pedi para vigiá-lo.
- E estamos fazendo, mas não encontramos nada até o momento. Ele saiu recentemente de Londres e está residindo na Itália. Há poucos meses, estabeleceu residência lá, mas uma coisa me chamou atenção: ele adquiriu dois imóveis. O senhor saberia dizer se algum membro da família foi a Itália?
- É claro que não sei, o detetive aqui é você. O fato de ter adquirido dois imóveis, não quer dizer nada. Ele pode estar investindo o dinheiro dele, mas investigue, Guerra, faça valer o dinheiro que te pago. Estou pensando seriamente, em passar o caso para a polícia. Se ainda não fiz, é porque não quero meu nome envolvido em escândalos. Esse tempo todo, escondi a verdade sobre ela. Pouca gente sabe o que de fato está acontecendo.
- O senhor sabe que passando o caso para a polícia, o crime se configura e a situação dela se agrava muito.
- Eu sei, Guerra, não sou idiota! O que quero é encontra-la e fazê-la pagar por tudo o que está me fazendo passar. Cadeia é muito pouco para ela.
- Bem, Dr. Muniz, e como ficamos? Posso dar prosseguimento as investigações?
- É claro! Verifique a razão do jogadorzinho estar comprando imóveis, veja se não tem mesmo nada a ver com minha mulher.
- Sim, senhor. Espero poder lhe trazer notícias em breve.
- Eu também espero.
Assim que Guerra saiu do meu escritório, minha vontade era de quebrar tudo o que estava a minha frente. Aquela bandida ia me pagar muito caro. Se não tivesse notícias dela no próximo mês, eu a denunciaria a polícia. Não ia mais me importar com meu nome, escândalos nem nada. Ela não iria conseguir se esconder de mim a vida toda. Fiquei pensando no que estaria fazendo durante todo aquele ano em que esteve fugida. Como estava se sustentando? Sei que deve ter levado algum dinheiro consigo, pois houve uma retirada substancial antes do seu sumiço, depois não houve mais nenhuma movimentação bancária. Ela poderia estar no mercado informal, por isso não tinha carteira assinada, ou alguém poderia estar sustentando-a. Será que estava com alguém? Teria tido algum homem durante esse tempo? Eu a mataria se soubesse que teve outro homem. Eu fui seu primeiro e teria que ser o único. Eu não a perdoaria. Bati com a mão na mesa, com força, na tentativa de extravasar a minha raiva. Deveria coloca-la na cadeia e esquecê-la de uma vez. Qualquer mulher daria tudo para ser minha esposa. Era isso que deveria fazer, mas eu não conseguia seguir em frente, eu a queria de volta, nem que fosse para puni-la. Eu a faria se arrepender por ter me feito de idiota todo esse tempo.
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Não era para ser assim
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