quadragésimo terceiro

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43. por mim
JUNG HOSEOK

Manter distância de Yoongi era mais difícil do que eu imaginava. A cada dia minha dizia para ir vê-lo, e Deus sabe que eu queria vê-lo, ouvir sua voz, sua risada, olhar seu lindo rosto e saber como ele estava indo.

Para não mencionar, nos primeiros dias de ausência de Yoongi, Sunny me deixou louco falando de Suga oppa sem parar. Eu não tinha intenção de perder a paciência com ela, mas desde que o fiz, ela não havia trazido o tema Suga novamente.

Foi como eu havia dito que aconteceria, eu sabia desde o começo como as coisas terminariam, com uma garotinha perguntando onde ele tinha ido e meu maldito coração esmagado por causa disso.

Não havia como negar que o encontro com os pais de Yoongi havia mudado tudo. Nós estávamos dando uma espécie de tempo, na verdade eu precisava de um tempo longe de Yoongi para organizar meus pensamentos.

Havia tanta coisa que estava me aterrorizando, eu estava morrendo de medo. Eu queria ser suficiente, capaz de suprir as suas necessidades mas todas às vezes que tinha um pequeno vislumbre de seu mundo, de como as coisas funcionavam por lá, eu sentia como se estivesse sendo empurrado por um força invisível.

Uma voz constantemente me lembrava que eu não pertencia àquela vida. Eu sentia meu coração doer, meu estômago embrulhar, aquele frio na barriga carregado de uma sensação tão horrível que me dava agonia.

Minhas noites eram frequentemente passando acordado olhando para meu teto, desejando ter uma vida diferente. Poder dar algo maior para Yoongi, algo que eu sei que ele merece e eu quero tanto lhe dar.

Desde criança eu via meus pais planejando viagens e programações comigo e Sunny, juntavam o que sobrava das despesas para conseguirmos concluir o sonho, mas sempre alguma dificuldade acontecia para nos impedir. Sunny precisava de remédios para sua asma, naquele tempo ela ainda não havia feito a cirurgia, e sua cardiopatia congênita a deixava vulnerável a sempre acabar pegando algum resfriado, infecções respiratórias etc.

Meus pais precisavam quebrar o cofre para me ajudar a comprar os livros caros de medicina, ou coisas de primeira mão porque não queriam que seu filho ficasse deslocado no meio de uma faculdade cheia de alunos com dinheiro. Eles não queriam que eu fosse olhado diferente porque não tinha roupas de marca ou livros de segunda mão por isso sempre gastavam aquele dinheiro com o nosso bem estar. O meu e o de Sunny.

Eu cresci vendo meus pais desistirem de alguns de seus sonhos para nos dar o melhor. E quando eles morreram, em um piscar de olhos eu tinha a guarda total da minha irmãzinha, uma hipoteca, débitos escolares e tantas outras despesas para arcar e desde então eu compreendi o sentimento de meus pais ao precisarem deixar de lado alguns sonhos por falta de condições.

Havíamos coisas importantes para nos preocupar.

E agora com Yoongi, eu queria lhe dar tantas coisas que gostaria de dar à Sunny. Queria lhe dar conforto e presentes, e pode soar como uma idiotice, mas quando eu passo em frente à uma loja e vejo algo que o lembra, não posso comprar porque o crédito do meu cartão está estourado com tantas coisas que precisei comprar para Sunny e meu débito está quase zero. A poupança tem sido guardada para Sunny quando ela estiver mais velha.

Aquela era a minha realidade, completamente divergente a de Yoongi e eu não queria trazê-lo para isso.

— Sunny?

Estava um completo silêncio na casa. Isso não era um bom sinal. Eu virei a esquina da cozinha à sala de estar e pisei em algo molhado e quente.

INEFFABLE | yoonseokOnde histórias criam vida. Descubra agora