sexagésimo quinto

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65. escolhas
MIN YOONGI


Houve um tempo quando era criança que meu maior sonho era ser próximo do meu pai, nunca tive a oportunidade de passar muito tempo com ele mas das poucas vezes nós nunca conseguimos nos dar bem. Quando era criança ele dizia que meu comportamento o irritava, quando me tornei adolescente eu era mimado e depois de ter chegado a fase adulto nosso relacionamento era do tipo uma trasação de negócios . 

Não foi fácil para uma criança enxergar que seu pai não gostava de si. Pelo menos se gostasse não o trataria de uma forma tão fria. Eu me acostumei.

Pelo menos por muito tempo não permiti que a maneira que ele tratava não me afetasse. Meu não se metia em minha vida enquanto eu o garantisse que estaria presente para cuidar dos negócios da família. 

Eu fui tolo em achar que ele simplesmente deixaria tudo de lado e não tentaria fazer nada. Meu relacionamento com Hoseok não era aquilo que sonhava para seu filho, além de claramente ter havido uma mudança de carater. Eu não era o mesmo e nem pretendia voltar a ser o que era antes. 

Uma coisa que sabia mas nunca imaginei que meu pai usaria contra mim: Ela joga sujo. 

Quando ele me chamou em seu escritório eu deveria ter desconfiado que algo estava prestes a acontecer. 

✉️✉️✉️

— Filho! — me recebeu com um sorriso, ganhando apenas uma careta sem ânimo. Aquele compartamento estranho me fez pensar em diversas coisas que ele poderia estar aprontando e eu não gostava nenhum pouco — Sente-se, por favor. 

Fazendo o que ele tinha dito, sento em uma das cadeiras em frente a sua mesa. Espero nervosamente pelas suas palavras que demoram para vir, meu pai passa alguns minutos completando a vista belissima de sua janela. 

— Está vendo essa vista, filho? — perguntou levantando-se da cadeira e chegando mais perto do vidro — É uma das melhores vistas de toda a cidade, um dos motivos de eu ter feito meu escritório aqui. 

Franzi o cenho, observando a vista junto com ele mas sem entender nada. Aonde ele queria chegar? Não fazer a menor ideia do que estava por vir já começava a me dar nos nervos. 

— Não são todas as pessoas que tem o privilégio de uma vista como esse. Infelizmente, mas é normal para manter o ciclo natural das coisas. — explicou seu ponto de vista com um tom amargo. 

Reviro meus olhos disfarçadamente. Meu pai e sua mania de achar que os pobres deveriam continuar como pobres, não havia lugar para eles no mundo em que viviamos. E pensar que por um tempo eu os achava despreziveis só por não ter as mesmas condições. Eu já fui tão rídiculo. 

— Aonde o senhor quer chegar? — pergunto querendo encontrar o propósito de toda aquela conversa sem sentido. 

Meu pai da uma risadinha, dizendo algo sobre ter puxada a impaciência de minha mãe. Eu tento não mostrar o maior desdém mas sinto que não fui muito bem naquela missão. Meu pai volta para a sua mesa, tirando de lá alguns envelopes e coloca na minha frente. 

Confuso vou até ele, pegando os envelopes que claramente são para mim. Abro o maior primeiro, vendo que seriam exames de uma hospital. Meu primeiro pensamento fora que algum deles estava com alguma doença séria, mas ao ler o nome do hospital e logo mais o nome da paciente, sinto todo meu sangue gelar. 

Jung Sunny. 

— O que é isso? — perguntou se me preocupar em ler de fato o que tinha naqueles exames, a única coisa que passa em minha cabeça é como meu pai teve acesso àqueles exames. Deus, claro! Ele é um dos principais acionistas daquele lugar. 

— São exames, querido. — disse com uma tranquilidade assustadora — Eu tomei a liberdade de dar uma olhada nos exames da irmã de seu namorado, queria ver por mim mesmo quais as doenças que ela tem. Você sabia que há uma grande dificuldades em pessoas com síndrome de Down em terem uma vida normal? 

Eu juro que não consigo enxergar seu rosto ou nada na minha frente. Minha visão estava nublada com ódio, raiva, desprezo e tantos sentimentos ruins. 

— Síndrome de Down não é uma doença! — retruco enraivecido — Que tipo de jogo o senhor está tramando? 

Vejo em poucos segundos a expressão tranquila do rosto do meu pai mudar completamente. Foram poucas as vezes que tive o desprezer de vê-lo tão fora de si. Um arrepio terrivel cobriu a minha espinha e eu me senti doente. Não fazia ideia do que ele poderia fazer mas sabia que não seria nada de bom. 

— Eu vou deixar bem claro, Yoongi, porque você tem me subestimado muito nesses últimos meses. Eu não trabalhei minha vida toda para ver meu filho me humilhar e me desrespeitar da maneira que você tem feito. — ele pegou o outro envelope pequeno, colocando em minha frente — Eu tive uma conversa com seu namoradinho mas não foi suficiente para fazê-lo mudar de ideia e agora infelizmente, eu me vejo precisando usar você, filho. 

Com as mãos tremendo pego o envelope sobre a mesa, abrindo-o e dando de cara com fotos de Hoseok e meu pai em um restaurante. Eram poucas fotos, em uma delas dava para ver que meu pai entregava dinheiro para Hoseok. Não havia uma foto que mostrava se ele tinha aceitado o dinheiro. Embora eu soubesse que ele nunca aceitaria. 

— Eu vou direto e objetivo. — disse sem mais delongas — Eu quero que esse relacionamento chegue ao fim o quanto antes, quero esse Hoseok longe de nossas vidas e você focado em seu trabalho como meu sucessor. E eu lhe digo que não terei medo de usar todo que estiver ao meu alcance para mostrá-lo o que posso fazer se me desobedecer mais uma vez. — apontou para os exames de Sunny. 

Meus olhos se arregalaram. Ele teria mesmo a capacidade de fazer algo contra uma criança? Meu coração batia acelerado e eu nunca senti tanto medo do meu proprio pai como naquele instante, mesmo quando criança e suas expressões costumavam me matar de medo não chegava nem aos pés do calafrio que ele me dava. Se em algum momento da minha achei meu pai detestavel aquele momento com certeza era um deles. 

— Você não faria isso. — murmurei assustado. Eu queria acreditar que meu pai séria capaz de uma monstruosidade como aquela. 

— Você quer esperar para ver, Yoongi?

A resposta era não. Eu sabia do que seu pai era capaz, só nunca imaginei que seria uma das vítimas de sua loucura. 

— Ótimo. — abriu um sorriso quando notou que não falaria nada —  Estarei esperando por notícias do fim do seu namoro. Pode sair agora. 

Meu corpo trabalha automaticamente que nem percebo quando entrei exatamente no meu escritorio. Olho ao redor me sentindo um estranho naquele lugar, nunca consegui sentir como se pertencesse àquela empresa. Na verdade ficar trancado naquele lugar era como a morte para mim. Meu pai pretendia me matar duas vezes e nem sequer pensou nas cicatrizes que isso causaria. 

Com o envolope em mãos, coloquei em cima da minha mesa. Eu precisava terminar com Hoseok o quanto antes, só seria mais doloroso para nós dois prolongar aquele relacionamento.

INEFFABLE | yoonseokHistórias para pegar e não largar. Descubra agora