Um susto

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         —Filha, separei umas roupas e queria que você levasse no orfanato, Lar de meninas. Pode levar pra mim? —ela pergunta, já que o orfanato fica bem próximo da minha casa e no domingo é mais tranquilo por lá.

         —Levo, sim! Pega lá que já vamos. Ainda tenho que limpar meu apartamento. —respondo e ela sai do colo do meu pai, por onde esteve por toda a conversa e sai da cozinha.

         Depois de todo esse drama com o Marcelo estou estacionando meu carro, que chegou da autorizada ontem na casa dos meus pais, na frente do orfanato, mas antes passamos na casa dele para deixarmos seu carro.

         —Esse Bentley é foda! — diz sobre meu carro enquanto caminhamos para dentro do orfanato.

        Eu sempre amei esse tipo de carro e meu pai sabendo disso, me deu de presente. —declaro  chegando perto da freira Joana.

        —Boa tarde freira, esse é meu namorado, Victório Thompson. -falo sorrindo e a cumprimentando

       —É um prazer conhecê-la. —Ele fala gentilmente, estendendo sua mão para o cumprimento, logo sendo retribuído.

      Viemos trazer essa bolsa de roupa. —falo a entregando a pesada bolsa.

        Há anos que lá em casa fazemos esse tipo de doações, fora que meus pais ajudam mensalmente com o alimento e tenho muito orgulho deles. Lembro de sempre virmos aqui desde quando eu ainda era bem pequena.

       As crianças estão acordadas? -pergunto, pois a hora que aparecemos, é justamente a hora em que elas tiram um cochilo.

        Que nada! Ganhamos, de doação uma tarde com um palhaço e elas estão lá atrás aproveitando. —explica sorrindo, já andando e nós a seguimos.

       Como eu devo me comportar?

     Victório pergunta andando ao meu lado de mãos entrelaçados, aparentemente nervoso, por não saber cono se comportar.

        Aja naturalmente! Você vai amar. —respondo e entramos no patio.

         Todas as crianças estão sentadas no chão e vidradas no tal palhaço, que parece ser bem engraçado com sua roupa colorida e nariz vermelho. Umas 50 crianças precisando de amor e segurança.

       Elas são carentes não só de comida ou roupas, mas de amor próprio e amor do próximo.

       —Vou fazer uma pergunta e quero que todos vocês respondam bem alto. Ok? —o palhaço colorido fala e todos balançam ae cabecinhas concordando.

      —Se quem vende leite, é o leiteiro e quem vende pão, é o padeiro. Então me digam: Quem vende carne é o...?

        —Carneeeeirooo!! —Todas as crianças respondem, em uníssono e caímos na risada.

        Depois de dez minutos assistindo a apresentação, o palhaço termina seu pequeno show e quando as crianças me veem, correm em minha direção.

       Hannaaa! —elas chegam com tudo e me abraçam.

        Como eu disse, sempre venho aqui brincar com elas e apesar de ultimamente fazer isso apenas uma vez por semana, elas sabem que eu as amo.

       Ei pirralhadaaa! Como vocês estão? —pergunto, dando beijinho no rosto de cada criança.

       —Hoje teve um show pra nós, cê viu? —Carolzinha pergunta.

       Eu vi sim e estava muito bom! —falo e olho para o palhaço, que faz um "joinha", para mim em agradecimento.

      Victório se senta no banco ao meu lado e apesar de não falar muita coisa, participa ativamente com seu sorriso. E que sorriso? Depois de um tempo conversando com a garotada, rindo bastante e falando algumas bobeiras, aviso a elas que já vamos. Não posso ficar, preciso limpar meu apartamento.

Que nada me impeça de te amarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora