Duas semanas se passaram desde o meu desentendimento com Tony. Desde então, nós não temos mais nos falado. Quer dizer, evito a qualquer custo estar no mesmo ambiente em que ele está, excluí seu número do meu celular e o deletei das minhas redes sociais.
Não consigo mais encara-lo em qualquer lugar que eu o encontre e aquele velho desconforto acaba sempre pairando no ar quando isso acontece.
Na verdade, quando o vejo sinto, por conhecê-lo há tanto tempo, que apesar de sua constante indiferença pela minha presença, esse gesto não passa de uma máscara que ele passou a usar. No fundo, bem lá no fundo, noto que ele se exibe propositalmente quando estou por perto, está sempre sorridente e rodeado de garotas, mas nunca me olha, passei a ser invisível. É como se sua nova postura gritasse 'olhe para mim! Veja como sou mais feliz sem você.' E eu, bom, finjo não ligar, afinal a vida segue em frente, Natasha e eu acabamos por nos tornar amigas e construímos uma amizade descente, apesar de nossas diferenças.
Entretanto, sinto um nó na minha garganta, um revirar em meu estômago e uma sensação esmagadora dói intensamente no meu peito como uma ferida aberta quando ele está por perto.
Minha mãe e tia Rose notaram que nossa desavença dessa vez foi séria. Em uma tarde de sábado, no dia do aniversário da mãe de Tony, ela nos chamou para ir comer bolo em sua casa. Claro que eu não quis ir, embora sentisse saudade das gostosuras caseiras feitas pelas mãos de fada doceira da tia Rose, facilmente teria uma ingestão se passasse mais de 5 minutos perto do garoto que partiu meu coração. Contudo, depois de minha mãe insistir tanto — e de me persuadir me ameaçando tomar meu computador por uma semana — resolvi que poderia ir, mas só por consideração à tia Rose, Pois ela não tinha culpa pelos péssimos atos de seu filho.
— Olá ! — minha mãe diz alegre a mãe de Tony quando a porta da casa dos Sanders se abre.
— Olá minhas queridas, sejam bem vindas! Que bom que vocês vieram!
Me encolho atras de minha mãe e dou um sorrisinho fraco por educação. Zac ao lado dela pigarreia.
— Ah, oi para você também rapazinho.
— Trouxemos doce de abóbora pra você, senhora Sanders.— anuncia Cloe segurando um pote grande que contém a sobremesa laranja açucarada.
— Oh, não precisava meu docinho. Adoro doce de abóbora — ela pega o pote —muito obrigada. Vamos entrar!
Passamos pela porta e quando ela é fechada tia Rose logo indaga:
— E o pai de vocês? Não vem?
— Não, Rose. Ele estava se sentindo indisposto e tinha umas pendências a resolver... — minha mãe acrescenta com um sorrisinho amarelo desconfortável.
— Tudo bem. Vocês podem levar um pedaço de bolo pra ele depois. — minha mãe e meus irmãos se dirigem ao sofá, como sou a última a me mover tia Rose toca em meu ombro gentilmente e me intercepta — e você Elize? Como anda?
— Muito bem, senhora Sanders. Obrigada.
— O Tony já está descendo, querida. — ela comenta casualmente como faria nos velhos tempos em que eu e ele éramos amigos. A menção ao seu nome me trás um certo incômodo e reaviva uma ligeira mágoa, mas espanto os sentimentos antes que ela perceba — Gostaria de me ajudar a levar o bolo pra sala?
— Tudo bem.
Ao chegar na cozinha me deparo como uma verdadeira obra de arte comestível em cima do fogão. O bolo caprichosamente feito e exageradamente grande, é coberto por uma camada espessa de chocolate com M&Ms e em suas laterais estão grudadas pedaços de Kit kat envoltos por uma fita sedosa cor de rosa. Minha boca começa a salivar na hora.
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Diverso
TeenfikceElize é uma garota comum, com uma vida comum, que vive em um lugar comum. Contudo certas escolhas que ela faz mudam sua vida de cabeça para baixo, fazendo desmoronar tudo aquilo que ela construiu e no que ela acredita. Por isso, nunca subestime uma...
