Camila
Desde quando minha vida pessoal tornou-se motivo de fofocas e discursões, ainda mais diante de alunos? Isso é algo que tem que parar. Dinah e eu discutimos sobre isso, apesar da loira não concordar com tantas restrições que tenho sobre mim, mas querendo ou não a vida é minha, portanto, sou eu quem deve decidir o que quero.
O assunto Carl, foi outro que graças à boca grande de Lucy Vives, Dinah não me deixa em paz. Por mais que eu já explicasse a situação e garantisse que nada está acontecendo entre o professor e eu, ela insiste em voltar a falar sobre.
A verdade era essa, querendo ou não acreditar, não haverá envolvimento romântico se depender de mim. Considero Carl um bom amigo, somente. Sei das intenções do homem, mas não estimulo esses sentimentos em relação a mim. Talvez, eu tenha que expressar isso abertamente, caso o professor pense em tentar algo impróprio, já que somos colegas na Universidade, o que torna isso mais impróprio.
Desde sábado não falo com Dinah, já que a loira saiu batendo a parte com um estrondo ao deixar meu apartamento depois de uma briga entre nós. O motivo? Intromissão em minha vida amorosa, ou melhor, a falta dela, como diz Dinah.
Suspirei ao esconder o rosto nas mãos, com os braços apoiados na mesa da minha sala pessoal na NJCU. Independente dos atritos ocasionais entre nós, cada discursão é desgastante, odeio momentos como esses. Tenho consciência da minha teimosia em se tratando de relacionamentos interpessoais, e Dinah entende meus medos, mas ela preocupa-se que meu isolamento possa levar-me ao estado em que me encontrava há alguns anos atrás.
Olhei o relógio em meu pulso, e quase saltei da cadeira ao perceber o horário tardio. Hoje era segunda-feira, portanto dia de levar as garotas para o estágio no CC Studio, além de ser o primeiro dia da senhorita Jauregui, então com certeza Dinah estaria lá, e espero que possamos resolver nosso desentendimento como sempre fazemos.
[...]
Aproximando-se do estacionamento a passos largos, logo avistei aquele ser humano que adorava contrastar o tom de pele com as roupas escuras que usava. Ri com esse pensamento. A senhorita Jauregui estava encostada na parede lateral do edifício Fries Hall, tentando esconder-se do vento embaixo daquele espaço coberto.
Como sempre, estava com aquele pequeno caderno em mãos, rabiscando incansavelmente seja o que for que tenha em mente. Minha curiosidade em folheá-lo era imensa, adoraria destrinchar os pensamentos e emoções daquela jovem artista apenas observando suas criações. Seus olhos estavam compenetrados no trabalho que realizava, aquele par de esmeraldas nunca perdia aquele brilho tão incomum.
- Olá! - Cumprimentei tentando chamar sua atenção. Então a morena sobressaltou piscando os olhos rapidamente ao me encarar. Aquele susto me remeteu ao dia em que nos conhecemos.
- Oh... Olá! - Ela sorriu corando ao fechar o caderno e guarda-lo na mochila que pendia em seu ombro. Aquela pele tão branquinha não ajudava muito em situações como essa. Reprimi um sorriso para não deixa-la mais desconfortável.
- Allyson ainda não apareceu? - Perguntei olhando em volta, estranhando o atraso da minha aluna.
- Ainda não. - Voltei a olhá-la, percebendo que o vinco marcando sua feição. - Por que está me olhando assim? - Peguei-me perguntando sem conter-me.
- Nada. - Tossiu limpando a garganta já que sua voz saiu mais rouca que o normal. - É só que... É estranho vê-la chamando a baixinha pelo nome. Vejo que isso é trabalho da Dinah. - Ela sorriu e eu cocei a lateral do pescoço envergonhada.
- Exatamente! Dinah sabe ser insistente. Seu passatempo preferido é implicar comigo. - Soltei o ar dos pulmões pesadamente ao lembrar da minha amiga, mas sorri com o que acabei revelando a garota.
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Meraki
FanfictionEncontrar sua alma gêmea não é uma missão fácil. E se o destino cooperar mesmo que de maneira incomum, por que arriscar perder algo tão ansiado? Incertezas, hesitação, medos, fraquezas... O passado muitas vezes impede que o futuro floresça, pois car...
