Capítulo 5 "Lembranças Dolorosas (2)"

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- Oi Eleninha! Você não está tão bonita hoje, não é meu bem? - ela disse enquanto passava as mãos sobre meus cabelos.

Meu coração dispara. Meu Deus o que eles vão fazer comigo?

- Eu estava esperando você chegar meu amor. - Bernardo disse e a abraçou.

- Já estou aqui, pode falar. O que você quer? - ela fala e acaricia o rosto dele.

- O dinheiro, Celina, você sabe! - disse e a beijou. - Como faremos pra pegar o dinheiro?

- Amorzinho não seja burro, eu sou responsável por ela, não esqueça que nossa bebezinha só faz 18 anos semana que vem. Bom eu vou sair com a Carol, marquei de sair com aquela chata pra que ela não viesse até aqui atrapalhar nossos planos. E você fica quietinha hein Eleninha. -disse rindo muito e se atracou com Bernardo.

- Agora somos só nós dois, meu amor. - disse me olhando.

Tive muito medo, meu coração parecia que ia sair pela boca. Bernardo se aproximou e tirou a mordaça, disse que se eu gritasse ou mordesse ele me bateria até eu desmaiar.

- Por que você está fazendo isso Bernardo? - disse baixinho. Sentia tanta dor.

- Porque eu quero que você sofra, como eu sofri com sua rejeição. - ele disse me alisando nos seios. Senti muito nojo. - Eu te desejei todo esse tempo e você me fazendo esperar, eu era um ótimo namorado e você me chutou... Foi aí que eu planejei com sua tia, eu sabia que ela morria de inveja de você, mas pra minha surpresa ela é pior do que eu. - ele falou e deu uma gargalhada.

- Não faça isso, por favor. - pedi enquanto ele beijava meu pescoço. 

Me desesperei e gritei, e ele me calou com um chute que quebrou meu braço, me amordaçou novamente e continuou com suas carícias imundas, até me penetrar violentamente, senti uma dor tão grande, só chorava baixinho.

Enquanto ele gemia no meu ouvido o quanto estava gostando e o quanto havia sonhado com aquilo, eu só queria morrer, nunca pensei que sofreria tanto... quando pensei que a tortura acabaria ele me virou de bruços e continuou me penetrando e dizendo o quanto eu era gostosa, que mesmo que eu tivesse outros homens eu nunca deixaria de pertencer a ele.

Que eu nunca esqueceria que minha primeira vez foi com ele, que quando outro homem me tocasse, seria como se as mãos dele estivessem me tocando. Então puxou meu cabelo com força e atingiu o prazer me chamando de puta e vagabunda, me deixando lá jogada e marcada para sempre. Eu chorei nem sei por quanto tempo, quando minha tia adentrou o quarto onde eu estava, riu muito e eu não entendia como ela poderia estar feliz.

Mesmo me odiando, como poderia saber que o namorado esteve com outra mulher e não se importar, e como se lesse meus pensamentos disparou:

- Eu deixei ele fazer isso com você, pra que você não tivesse uma primeira vez como você sonhou. Por mais ciúmes que eu possa sentir, te causar essa dor compensa. - ela disse rindo. - E eu vi o ódio em seus olhos. - Já está de manhã Eleninha, já estou indo ao banco pegar tudo que é seu. - disse gargalhando. E me deu três tapas na cara.

Eu não conseguia mais falar, sentia tanta dor, estava tão machucada. Mas a dor maior era na alma e isso nunca iria curar.

Então a ouvi dizendo pra que Bernardo ficasse de olho, mas que não encostasse mais em mim a não ser que fosse pra bater, que não queria mais que ele me estuprasse. Nesse momento senti um alívio, preferia apanhar do que ser abusada de novo. Mas assim que ela saiu, ele adentrou o quarto e disse:

- Não via a hora de ter você de novo, sente o que você faz comigo. - pegou minha mão e passou sobre seu membro.

Eu já comecei a chorar, a tortura começaria de novo. E fez novamente, me estuprou, bruto, sem dó, me bateu e fez tudo o que quis e dessa vez eu desmaiei. Quando acordei senti uma língua na minha orelha, me afastei como pude, então minha tia entrou no quarto.

- Calma sobrinha, já estamos indo embora com o seu dinheiro. Vamos aproveitar já que você não o fez. - ela se abaixou e disse olhando nos meus olhos. - Tomara que você nunca encontre o amor, você é suja, não merece ser amada, não passa de uma vadia. - e saíram rindo.

Eu fiquei sozinha, toda machucada,
amarrada e amordaçada, desmaiei novamente e quando acordei Carol estava lá. Fui levada pro hospital, levei um mês pra recuperar a parte física. Porque a psicológica acredito que nunca vou recuperar.

Passei todo esse tempo sem visitar minha vó, não conseguia sair de casa. Quando me recuperei completamente fisicamente, resolvi enfrentar o medo, precisava ver minha vozinha, foi aí que tive outro baque da vida, ela havia falecido. Era sofrimento demais pra uma pessoa só, eu nem pude me despedir. Se não fosse a Carol eu teria desistido de tudo, ela nunca me deixou. Estava ao meu lado todo o tempo.

Após um ano dessa tragédia na minha vida, minha tia e Bernardo foram presos, me senti aliviada, pois ainda tinha muito medo. Mas como a felicidade não foi feita pra mim, os pais da Carol a mandaram pra Nova York, concluir o último ano dos estudos lá.

Eles disseram que seria uma ótima oportunidade pra ela, mas nós sabíamos a verdadeira razão. Queriam que eu fosse também mas eu não podia, tinha que participar do julgamento daqueles malditos e acabei ficando tempo demais sem minha amiga.

Terminei os estudos e fiz minha residência e especialização no Brasil, e então Carol me convocou, disse que dessa vez não tinha desculpas que eu iria e pronto. Tinha uma vaga disponível no hospital onde ela trabalhava, então eu fui com visto de turista pra ser mais rápido. Consegui o emprego e aí mudei pro visto de trabalho, foi um pouco complicado já que entrei com o de turista. Consegui pois o Mount Sinai Hospital estava empenhado em me contratar, então excepcionalmente meu visto teria um ano de validade.

E se eu estivesse adaptada ao país e ao trabalho poderia ser renovado. Nesse dia tomei meu primeiro porre, era incrível como a Carol tinha o poder de me deixar pra cima, era uma nova fase da minha vida, um novo país, um novo trabalho, uma vida nova.

Muito sofrimento né, será que o amor pode ajudá-la a superar esse trauma?

SAVE MEOnde histórias criam vida. Descubra agora