Naquela manhã agradável, uma menina brincava contente no parque da cidade. O sol brilhava, acompanhado por uma leve brisa de verão. O céu estava mais azul do que o normal; parecia que seria um dia perfeito para brincar ali.
Porém, enquanto corria de um lado para o outro, a menininha avistou o corpo de um jovem de cabelos castanhos caído no chão. Assustada, correu imediatamente até a mãe.
— Mamãe, mamãe!
— Diga, minha flor. O que houve? — perguntou a mulher, abaixando-se à altura da filha.
— Tem um moço dormindo ali no chão… e tem um monte de suco de morango em volta dele.
A mulher empalideceu.
— Como assim? — disse, já imaginando a situação. — Me leve até lá.
Antes de seguir até o local, avistou um guarda próximo e o chamou para acompanhá-las.
Após ouvir o relato da mulher e da criança, o guarda decidiu ir com elas até onde o corpo estava. Ao chegar, assustou-se com a cena. A mulher gritou e imediatamente tampou os olhos da filha. O guarda, apesar do choque, manteve a compostura e chamou reforços para isolar a área.
Foi então que percebeu algo próximo ao corpo do jovem: uma carta. Nela havia um nome e um endereço, indicando para quem deveria ser entregue. Quando a polícia chegou e assumiu o local, o guarda recebeu a ordem de levar a carta até o endereço da família Pines.
---
Naquele mesmo dia, Mabel estava novamente no quarto com o namorado de seu irmão. Os dois discutiam sobre o que deveriam fazer a respeito daquela relação perigosa e traiçoeira.
Ela sabia que o que estava fazendo era errado. Sabia.
Mas o desejo falava mais alto do que os laços familiares.
Mesmo se sentindo suja e indignada pelo que fazia com o próprio irmão, Mabel não se arrependia completamente. Pelo contrário, convencia a si mesma de que estava apenas ajudando a encerrar um relacionamento fadado ao fracasso.
Saitor, por sua vez, sequer pensava em Dipper. Tudo o que lhe importava era a morena à sua frente.
No meio da discussão, ouviram batidas na porta.
— Quem será? — perguntou Mabel.
— Dipper tem a chave — respondeu Saitor. — Então não é ele.
— Vou ver. Fica aqui.
Ela desceu as escadas e abriu a porta com cautela. Ao ver o policial, levou um susto.
O que ele está fazendo aqui? — pensou.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou, forçando um sorriso sem jeito.
— Você é Mabel Pines? — questionou o policial, com a expressão séria.
— Sou eu… por quê?
Ele lhe estendeu a carta de forma brusca, visivelmente incomodado.
— Sinto muito pelo seu irmão. Meus pêsames, senhorita.
Disse isso e se afastou com passos pesados.
Mabel ficou sem reação. Fechou a porta, ainda confusa, sentou-se no sofá e chamou por Saitor.
— Quem era? O que aconteceu? — perguntou ele, descendo apressado.
Mabel não respondeu. Continuava encarando a carta, os olhos arregalados, enquanto lágrimas escorriam por seu rosto, incapaz de acreditar no que lia.
— Mabel! O que foi? Aconteceu alguma coisa? — insistiu.
— O Dipper… — sussurrou ela, levando a mão à boca para tentar conter os soluços. — Ele está morto.
— Como assim?! — perguntou Saitor, em choque.
— Ele descobriu… — disse ela entre lágrimas. — Ele descobriu tudo. Não acredito… ele descobriu…
— Explica isso direito! — exigiu.
— Na carta diz…
---
Carta
> Querida irmãzinha.
Quer dizer, nem tão querida assim. Não depois do que você me fez.
Como pôde fazer isso comigo? Depois de tudo o que eu fiz por você. Éramos os Gêmeos do Mistério, lembra? Sempre juntos. Você era a pessoa em quem eu mais confiava, aquela que estaria comigo, estivesse eu certo ou errado.
Mas não foi assim, foi? Você me traiu na primeira oportunidade, sem sequer pensar em como eu me sentiria. Você sabia que isso iria me machucar. Sempre soube.
Talvez seja por isso que tenha feito o que fez.
Mas saiba de uma coisa: eu não te perdoo. Nunca vou te perdoar. Nem você, nem ele.
Quero que apodreçam no inferno. Quero que sofram o que eu sofri. Que chorem em dobro tudo o que eu chorei. Quero destruir vocês dois.
E mesmo que eu precise de uma vida inteira para isso, eu farei.
Então espere, irmãzinha. Eu vou voltar.
Encontrei um velho amigo nosso, e ele vai me ajudar. Pode apostar que estarei aqui para rir de vocês. Você vai sofrer, e eu vou aproveitar cada segundo da sua dor.
Porque isso, irmãzinha… é o que irmãos fazem, não é mesmo?
Até muito em breve,
seu irmão não tão amado assim.
Dipper Pines
---
Dizer que Mabel Pines estava assustada seria mentira.
Ela estava apavorada.
E tinha motivos para isso.
Em breve, conheceria um Dipper que nunca tinha visto antes.
Então cuidado, Mabel. Olhe ao redor. Não confie em ninguém.
Porque ele vai voltar.
E quando voltar, será o fim da sua vida cheia de egoísmo.
---
Em outro lugar…
— Me diga, Pine Tree… como você se sente? — perguntou Bill, bebendo o líquido viscoso e avermelhado de sua taça.
— Eu… — respondeu Dipper, os olhos brilhando em um vermelho cruel. — Eu me sinto mais vivo do que nunca.
Bill sorriu.
— A brincadeira vai começar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Ódio. (Completo)
RomansTraído pela própria irmã, Dipper vê seu mundo desmoronar. Anos depois, Bill Cipher retorna após ter passado esse tempo aprisionado na forma de uma estátua - e oferece ao garoto exatamente o que ele mais deseja: vingança. O que Dipper não esperava er...
