Casamento, união de almas

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POV — Dipper Pines

Acordei com Bill me balançando suavemente.

— Hm… o que foi? — murmurei, sem abrir os olhos.

— Acorda, Pine Tree. Estamos atrasados para o nosso casamento.

Resmunguei baixo antes de abrir os olhos. Bill já estava pronto, impecável, me observando com aquele sorriso confiante de sempre.

Levantei-me e o encarei com seriedade.

— O que somos agora?

— Como assim? — perguntou ele.

— Antes, não éramos nada. Mas… e agora?

Bill inclinou a cabeça, pensativo.

— Agora vamos fazer esse casamento dar certo.

Fiquei alguns segundos em silêncio, analisando-o. Então sorri.

— É um bom plano pra mim.

Fui me arrumar e, poucos minutos depois, vestia um terno elegante que parecia ter sido feito sob medida.

— Vamos? — Bill perguntou, estendendo o braço.

Segurei-o, sorrindo.

— Vamos.

Ele nos levou até o que parecia ser uma caverna. No centro, havia um círculo com um hexagrama desenhado no chão. Ao lado, um homem um pouco mais velho que Bill nos observava.

Ele sorriu e se aproximou.

— Então você deve ser o futuro esposo do meu irmão. Sou Phil, o irmão mais novo desse idiota aqui. Agora me diga… como ele te chantageou para aceitar?

Perguntou com um sorriso estranhamente sádico.

Bill o fuzilava com o olhar.

— Hm… isso faz parte de um acordo — respondi.

— Ah! Então foi isso. Boa jogada, Bill.

— Cala a boca. Vamos acabar logo com isso — rosnou Bill.

— Certo. Onde está a irmã dele?

Bill estalou os dedos, e Mabel apareceu ao nosso lado, usando um vestido formal lindo.

— Oi, bro… desculpa ter sumido daquele jeito. Fui resolver uns probleminhas.

Eu a encarei, descrente.

— Sei…

Ela sorriu sem graça, até perceber Phil, que praticamente a devorava com os olhos.

— Hm… sou Mabel Pines. Quem é você?

— Phil Cipher, querida — disse ele, pegando sua mão e beijando-a.

Mabel ficou vermelha na hora.

— O-o… oi…

— Depois vocês flertam. Vamos logo com isso! — Bill gritou, impaciente.

— Ele tem razão. Dipper, vá para o centro do círculo com Bill. Mabel, fique ao meu lado.

Obedecemos.

— Phil Cipher sum ego, da mihi benedictionem matrimonii. Seniorem fratrem meum iungo aeternum vinculum.

( Eu, Phil Cipher, consinto com esta união, para que suas almas estejam ligadas pela eternidade. )

Os olhos de Mabel começaram a brilhar quando Phil terminou. Logo em seguida, ela falou, como se estivesse em transe:

— Ego, Mabel Pines, huic unioni consentio. Bill Cipher fratri meo aeternum coniungatur.

( Eu, Mabel Pines, concordo com esta união. Que Bill Cipher esteja ligado para sempre ao meu irmão. )

Phil cortou a própria mão com uma adaga, deixando o sangue cair no círculo, e entregou a lâmina a Mabel, que fez o mesmo.

O símbolo começou a brilhar. Um cálice surgiu na mão de Bill.

— Beba — ordenou.

Hesitei, mas obedeci. Assim que terminei, tudo começou a girar. Precisei me apoiar nele para não cair.

— Accipio Dipper Pines ut socium meum aeternum.

( Eu aceito Dipper Pines como meu companheiro pela eternidade. )

Era minha vez.

Mas a dúvida veio como um golpe.

Eu quero isso mesmo?

Todos desapareceram da minha visão. Eu estava sozinho no círculo.

— Você o ama? — uma voz sussurrou.

Não senti medo.

Eu sentia atração. Proteção. Confiança.

Eu não queria vê-lo sofrer.

Eu queria tentar.

— Você o ama? — insistiu a voz.

Eu não sabia o que era amar de verdade. Mas eu queria aprender. Com ele.

— É suficiente para se entregar a ele pela eternidade?

Não.

Mas era suficiente para dar o próximo passo.

— A escolha é sua. Uma vez unido, jamais poderá se separar.

Tudo voltou ao normal.

— Non amo, sed tamen me tibi trado, Bill Cipher. Scio me aliquando te toto corde dilecturum.

( Eu não te amo… mas me entrego a você, Bill Cipher, porque sei que um dia te amarei com todo o meu coração. )

O círculo brilhou intensamente. Senti algo se prender ao meu pulso, ligando-se ao de Bill. Apertou, doeu — e então virou apenas um leve incômodo.

— Está feito — disse Bill.

— Uau… nunca achei que isso fosse dar certo. Nas últimas vezes, não deu — comentou Phil.

— Como assim, “últimas vezes”? — perguntei.

— Melhor vocês conversarem isso a sós. Senhorita Mabel, me acompanha?

— Adoraria. Felicidades, maninho.

E eles desapareceram.

Bill me puxou pela cintura, e já estávamos na mansão.

— Você está ligado a mim para sempre — disse ele, ainda incrédulo.

— Pois é… agora você pode me explicar o que seu irmão quis dizer?

Ele me encarou, surpreso.

— Você quer mesmo saber?

— Quero.

Suspirei, irritado, cruzando os braços.

— Eu já tentei me unir a outros ao longo dos anos — confessou.

A raiva veio quente.

— Você… amou algum deles?

Ele me analisou por alguns segundos… e riu.

— Claro que não. Você é o mais perto disso que eu já cheguei.

O calor que se espalhou no meu peito apagou toda a raiva.

Eu sou o mais próximo.

Bill parou de rir.

— Pine Tree… você está bem?

— Estou.

Ele sorriu e se aproximou.

— E você? Sente algo por mim?

— Sinto. Não é amor ainda… mas está bem perto.

Bill tocou meu rosto com cuidado e me beijou.

Foi diferente de tudo.

Carinho. Intenção. Presença.

Foi a primeira vez que alguém me beijou assim.

Ódio. (Completo)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora