O que aconteceu ?

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Pov. Bill

Três dias se passaram desde o incidente com o Pine Tree. Tudo havia voltado à rotina normal, mas, por algum motivo, eu não conseguia ficar tranquilo. Algo me incomodava. Um mau pressentimento insistia em não ir embora.

Bufei, passando a mão pelos cabelos em frustração. Não importava o quanto eu pensasse, aquela sensação não desaparecia. E ainda havia o problema do acordo. Por enquanto, Dipper não tinha nada que realmente me interessasse, mas há algum tempo eu vinha considerando tomar suas memórias felizes. Memórias felizes e puras são extremamente raras, e eu poderia conseguir muita coisa com isso.

O problema é que ele não tinha nenhuma que atendesse aos dois requisitos.

Mesmo nas memórias felizes, o garoto sempre carregava algum sentimento negativo: às vezes ciúme da irmã, outras vezes raiva, tristeza… e até inveja da Estrela Cadente.

Sim. Por mais que a inútil da Estrela Cadente adorasse dizer que todos preferiam o irmão mais novo, havia inúmeras memórias em que o Pine Tree era deixado de lado por causa dela — fosse pelos pais, fosse pelos amigos. A maioria dessas lembranças envolvia Stanley Pines, antes de descobrirem a existência do irmão gêmeo, Stanford.

A inocência dele foi embora cedo demais, consumida pela própria inteligência e curiosidade.

Com isso, meu plano original foi por água abaixo. Também não posso manter o pirralho aqui para sempre. Ele vai ter que ir, querendo ou não. Sei que ele vai ficar bem.

A Estrela Cadente, por outro lado, precisa ser morta logo. O choro dela só me dá dor de cabeça. Estou perdendo a paciência com aquela garota.

E, mesmo com essa infinidade de problemas, sinto que nenhum deles é realmente o que vem me incomodando. Não sei o que é… mas algo ruim está prestes a acontecer.

Suspirei e fui até o quarto de Dipper.

— Pine Tree.

Ele estava deitado na cama, mexendo no celular.

— O que foi, Bill? — perguntou, sem tirar os olhos da tela.

— Vou sair. Volto logo.

— Tá bom.

Estalei os dedos e, no instante seguinte, já me encontrava diante de um garoto franzino.

Eu estava dentro de um círculo de invocação, na minha forma triangular.

— E aí, garoto?



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Quebra de tempo

Voltei para casa… e a sensação de que algo estava errado continuava ali, mais forte do que antes.

— Pine Tree?

Fui até o quarto dele. Estava vazio.

— Dipper?

O pressentimento só aumentava.

Comecei a procurá-lo por todos os cômodos da casa.

Quando cheguei ao quarto onde mantínhamos Mabel presa, ela também não estava lá.

O que está acontecendo?

Dipper se foi?

Mabel o levou?

O que aconteceu enquanto eu estava fora?

— DIPPER!



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Pov. Autora

Em outro lugar, em uma mansão no meio do nada…

— Você fez muito bem, Pines — disse Gideon, acomodado no sofá de couro.

— Obrigado, mestre — respondeu Dipper, em pé diante dele.

— Diga à minha noiva o que devemos fazer com o seu irmão e com Cipher.

Gideon se virou para a bela garota de cabelos castanhos, sentada em uma cadeira de veludo. Ela observava o fogo da lareira enquanto bebia uma taça de líquido carmesim.

— Não é óbvio? — disse Mabel, sorrindo. — Vamos acertar as contas.

— E você vai nos ajudar, não é, Pines?

Dipper hesitou por um breve instante.

— …Sim.



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Ódio. (Completo)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora