Os três mais jovens do clã Cipher entraram em sua nova escola. Eles estavam nervosos, mas tentavam esconder. Por onde passavam, os alunos apontavam e cochichavam.
— É muito tarde para chamar o papai e ir embora? — perguntou Bell baixinho, só para os irmãos ouvirem.
— Acho que sim. — respondeu Kaus.
— Infelizmente, sim. — concordou Cary.
— E a nossa primeira aula é aonde? — insistiu Bell.
— Segundo o horário que a mãe nos deu, é aqui mesmo. — disse Kaus, parando em frente a uma sala.
— Então lá vamos nós. — disse Cary, entrando, seguida pelos irmãos.
— Quero ir pra casa… tô com sono e fome. — choramingou Bell.
— Acabamos de tomar café. — disse Kaus, sentando-se ao lado de Cary. Bell pegou uma cadeira e a juntou com a deles.
— E daí?! Só quero uma balinha. — disse Bell, irritada.
— Pode juntar as cadeiras assim? — perguntou Cary, percebendo que eram os únicos em trio.
— Sei lá. — respondeu Bell.
— Se alguém perguntar, a gente fala que já estava assim. — disse Kaus, indiferente.
— Beleza, então. — disse Cary.
Não demorou para todos entrarem na sala. Em volta, perceberam olhares estranhos de outros alunos.
— Eles estão me irritando. — resmungou Bell.
— Parece até que nunca viram irmãos antes. — Kaus desviou o olhar do livro que lia.
— Relaxem, o professor já deve estar chegando. — disse Cary, pausando o jogo no celular.
— Bem-vindos, alunos! Sou seu novo professor de Raças e Individualidade! — anunciou uma voz no centro da sala.
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Pov. Bell
Não podia acreditar. Ali, bem no centro da sala, com um sorriso gigante, estava…
— MÃE?! — gritou Cary, assustada e incrédula. Eu e Kaus estávamos igualmente chocados, sem conseguir falar.
Mamãe sorriu para nós e voltou a olhar para o resto da turma, que olhava para Cary como se ela fosse louca.
— Serei seu novo professor. Meu nome é Dipper Cipher. — disse ela, sorrindo.
— Mãe! O que você está fazendo aqui?! — agora irritada, minha irmã mais velha perguntou.
Mamãe olhou para Cary com calma.
— Por favor, Carina, aqui não sou sua mãe, sou seu professor. Entendeu, senhorita? — a voz estava carregada de diversão, principalmente pela cara que Cary fazia.
— O pai sabe que você está aqui? — perguntou Kaus, preocupado.
— Sim, Kaus. Agora fiquem quietos, ou irão para a sala do diretor! — disse Dipper, já irritado.
— Mas mãe… — começou Bell.
— Sem “mas”! Prestem atenção na aula, fui claro?
— Sim, mãe. — dissemos, desistindo de discutir.
— Ótimo.
Algumas risadinhas surgiram no fundo, mas ignoramos por enquanto.
Quando a aula finalmente acabou, fomos até ela.
— Não, crianças, vão para a próxima aula ou vão se atrasar! — disse Dipper, nos empurrando para a porta.
— Mas… — começou Bell.
— Depois eu explico, agora vamos para a próxima aula! — disse, batendo a porta na nossa cara.
— Fiquem calmos. Quando chegarmos em casa, ele vai explicar tudo. — disse Kaus.
— Acho bom mesmo! — disse Cary.
— Então… próxima aula, né? — perguntou Bell.
— Isso aí. — respondeu Kaus.
Nos dirigimos para a próxima aula, nos sentamos em trio e esperamos o professor.
— Eu não acredito nisso… — resmunguei.
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Pov. Cary
Eles só podem estar zoando comigo.
— É sério isso? — perguntei, irritada.
Papai apenas sorriu e caminhou até sua mesa.
— Seríssimo, minha flor. Olá, alunos! Eu sou Bill Cipher, o professor que vai ensinar a vocês como plantar o caos! — disse, sorrindo.
— Não era pra ensinar a controlar nossos poderes? — perguntou Kaus, confuso.
Papai sorriu para Kaus e, sem aviso, lançou uma cadeira em sua direção. Usei meus poderes para criar um escudo na frente do meu irmão.
— Você está maluco?! — gritei, transtornada de raiva.
— Ótimo escudo, filha! — disse Papai. — Mas seu irmão também precisa aprender a usar os poderes dele.
Papai e Mamãe nunca ensinaram Kaus ou Bell a controlar seus poderes; eu mesma só sabia graças à minha mãe, Katerina.
— O quê? — murmurei, chocada.
A turma inteira ficou em silêncio.
— Como vocês acham que se aprende a controlar os poderes rápido e eficientemente? Simples! Com o caos! — disse Bill, e de repente todas as cadeiras começaram a flutuar sobre nossas cabeças.
— Já ouviram falar de queimado? — continuou. — Vamos jogar uma versão diferente: cada um tem sua cadeira. Se acertar um colega, fica com duas cadeiras. Quem for atingido, sai do jogo. Simples, né? Só que vou mudar alguns alunos de lugar.
Com um estalo de dedos, fui parar no fundo da sala.
— Como o papai pode fazer isso?! Bell e Kaus vão ser massacrados!
— COMEÇOU! — gritou Bill, e o inferno começou.
Cadeiras voavam para todos os lados, risadas se misturavam com gritos. Mantive meu escudo o mais forte que pude, mas depois da quarta cadeira lançada por ele, ele se desfez. Comecei a usar minha própria cadeira para me proteger.
— Cuidado! — alguém gritou.
Fui empurrada e senti algo colidir com meu escudo.
— Você está bem? — ouvi.
Tonta do tombo, mesmo assim peguei a mão dele.
Olhei para ele e não acreditei.
— Ted…? — murmurei.
Ele sorriu e me abraçou.
— É você mesmo, Cary! Fiquei preocupado que fosse sua irmã.
Era o Ted. Depois de tanto tempo. Era ele!
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Ódio. (Completo)
RomanceTraído pela própria irmã, Dipper vê seu mundo desmoronar. Anos depois, Bill Cipher retorna após ter passado esse tempo aprisionado na forma de uma estátua - e oferece ao garoto exatamente o que ele mais deseja: vingança. O que Dipper não esperava er...
