Agora é só esperar.

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Pov. Kaus

As coisas com Camila estavam melhorando. Ela já não era tão infeliz e brincava mais comigo e com Bell. Até estava progredindo em chamar Phil e Mabel de tios.

Os únicos com quem continuava na mesma eram nossos pais, mas a forma de resolver isso era tão simples que me surpreendia o motivo deles não terem feito logo. Decidi que não vou me meter nisso. Eles precisam perceber por conta própria.

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Pov. Bellatrix

Já se passou um mês desde nosso passeio ao parque. Carina tem evoluído muito em se socializar, mas sua reação com nossos pais continua a mesma. Infelizmente, mamãe e papai não percebem que a solução é bem simples.

Sei que Kaus não vai se manter preso a esse problema, mas eu conheço meus pais. Sei que eles não vão perceber — ou, se perceberem, pode ser tarde demais.

— Mãe.

Chamei-a enquanto plantávamos algumas flores no jardim. Kaus e Cary estavam na casa do tio Phil, e o papai estava "trabalhando".

Mamãe me olhou sorrindo.

— O que foi, Bell?

— Sabe… eu não queria falar isso. Preferia que você ou o papai percebessem por conta própria, como Kaus disse que deveria ser, mas… eu realmente acho que, se eu não falar, quando vocês perceberem, pode ser tarde demais.

Ele ficou sério e me olhou, preocupado.

— O que aconteceu, Bellatrix?

— Mãe… você ou o papai já conversaram com a Cary sobre como ela foi parar nos Strange?

Mamãe me olhou confusa, sem entender onde eu queria chegar.

— Não.

— Eu e Kaus sabemos, porque vocês nos contaram desde pequenos. Não acha que foi graças a isso que nós não guardamos mágoa? Que não ficamos ressentidos por ter crescido em outra família? Mãe, o que quero dizer é que talvez você e o papai devam ter essa conversa com Cary.

Mamãe ficou com uma expressão triste e culpada.

— Como não percebi isso antes?! É por isso que ela não consegue se dar bem conosco! Ela acha que a deixamos!

Dizia, lamentando-se.

— Só… converse com ela, tá mãe?

Pedi, sorrindo.

— Claro, querida. Vamos conversar sobre isso hoje mesmo.

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Pov. Dipper

Assim que terminamos de plantar as flores, fiquei com o que Bell disse na cabeça pelo resto do dia. Quando Bill chegou, esperei duas horas para falar com ele. É muito chato chegar do trabalho e já ter problemas para resolver.

— O que foi, Pine Tree? Está inquieto… aconteceu algo?

— Bill, Bell falou comigo e percebi que nenhum de nós conversou com Cary sobre o que aconteceu para que ela fosse parar nos Strange.

Bill ficou sério e me olhou atentamente.

— E você quer ter essa conversa agora?

— Sim.

Ele suspirou.

— Então tá… vou pedir para Bell chamar a Carina e dizer que queremos falar com ela em nosso quarto.

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Pov. Autora

E assim como Bill disse, ele chamou Bell e esperou junto comigo em seu quarto. Por mais que o loiro não quisesse demonstrar, também estava nervoso e com medo da possível reação de Carina ao descobrir tudo. Tentava disfarçar tanto quanto eu, mas a verdade é que ele também ficava triste com a forma como ela se comportava.

Eu, por outro lado, não escondia nada: o nervosismo e a insegurança estavam estampados no meu rosto. Chamar Carina para essa conversa era difícil, mas necessário.

Não demorou muito até que uma jovem e insegura Carina entrou no quarto.

— Estão me chamando?

Perguntou, tentando esconder a insegurança.

— Sim, Carina, sente-se, por favor.

Ela pegou uma cadeira, sem querer sentar ao lado dos pais.

— Carina, vamos te contar o que aconteceu para você ter se separado de nós, está bem? Não fale nada até terminarmos de falar.

— Está bem.

Disse, olhando atentamente para nós.

— Bom… tudo começou com…

E assim comecei a contar toda a história. Não escondi nada. No final, Carina nos olhava surpresa.

— Vocês… não me abandonaram.

Disse, sem acreditar nas próprias palavras.

— Claro que não! Nunca iríamos te abandonar.

— Agora você entende o que aconteceu?

— Mas minha mãe… o que vocês fizeram?

Abaixei um pouco a cabeça; ainda era doloroso ouvir Carina chamar aquela mulher de mãe.

— Tínhamos acabado de nos reencontrar. Só queríamos ser uma família de novo. Admito que erramos, mas só queríamos você de volta.

— Eu tentei reverter meu erro e procurar a… Katerina, mas não encontramos nada.

Carina olhou para o chão, triste.

— Vocês não vão achar.

Ela conhecia as proteções que sua mãe tinha ao redor da própria casa.

— Desculpa, Carina.

— Eu… preciso de tempo.

— Tudo bem. Vamos esperar o tempo que for necessário. Somos seus pais, Carina. Esperaremos por você.

Ela sorriu para Bill.

— Obrigada.

— Boa noite.

Ela parou na porta e olhou para mim.

— Boa noite.

E então saiu.

— Agora é só esperar.

— Só espero que as coisas melhorem com ela.


Ódio. (Completo)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora