POV: Dipper
Eles me levaram até a cachoeira. Havia uma festa acontecendo ali, algo parecido com uma festa de praia, cheia de jovens espalhados pelo lugar.
O pessoal que me deu carona era bem legal. Por isso, decidi que não os machucaria. Assim que saí do carro, me despedi deles e comecei a andar pelo local, observando tudo ao redor.
— E aí, gatinho, tá perdido? — perguntou alguém.
Me virei e vi um moreno atraente, aparentando ter entre dezenove e vinte anos. Tinha olhos verdes e lábios finos.
Sorri de forma doce.
— Não — respondi. — Só estou andando.
Ele se aproximou um pouco mais.
— Sou Lucas. E você?
— Hã… Ronaldy. Mas pode me chamar de Rony.
Para todos, Dipper Pines estava morto. Seria estranho sair por aí usando meu verdadeiro nome.
— Então, Rony… posso te acompanhar nessa caminhada?
— É Rony — corrigi. — E sim, eu gostaria da sua companhia.
Sorri, passando a língua pelos lábios.
Para ele, aquilo parecia interesse.
Para mim, era fome.
É impressionante o que um corpo bonito provoca.
Depois que Bill me transformou em vampiro, tudo mudou. Minha pele ficou branca como porcelana, frágil e delicada. Meu cabelo se tornou mais macio, meus olhos castanhos ficaram mais claros — mas, quando sinto fome ou raiva, assumem um vermelho intenso. Meu corpo também mudou, mais definido, mais chamativo. Todos os pelos desapareceram.
Lucas me levou para um lugar mais afastado. Ele se aproximou demais, e eu correspondi, levado pelo impulso da transformação. O desejo vinha fácil demais agora.
Ele me ergueu por um instante, e eu me deixei levar. Poderia simplesmente tê-lo mordido ali mesmo… mas havia algo mais inquieto em mim desde que despertei como vampiro.
Quando ele tentou avançar mais, senti uma mão forte me puxando para trás. Fui separado bruscamente de… Lucas.
— Ei! — protestou ele.
Olhei para quem havia me afastado da minha presa.
Era Bill.
E ele não parecia nem um pouco satisfeito.
— O que você está fazendo aqui?! — rosnei. — Eu estava ocupado, caso não tenha percebido.
Eu estava com fome.
E irritado.
— É melhor ficar quieto, Pine Tree — disse Bill, me arrastando para longe.
— Eu cheguei primeiro! — reclamou Lucas, vindo na nossa direção. — Solta ele!
Bill me lançou um olhar sério.
— Termine logo a sua refeição — disse em voz baixa. — E vamos embora.
Antes que Lucas pudesse reagir, segurei seu rosto. Ele me olhou confuso. Ignorei sua expressão, virei seu pescoço para o lado e afundei minhas presas sem hesitar.
Ele gritou e tentou se afastar, mas era inútil. Minha força era muito maior agora. Segurei-o com firmeza até que seus movimentos cessassem.
Quando terminou, deixei o corpo cair no chão.
Eu estava satisfeito.
Minha boca e minha camisa estavam sujas de sangue, mas não me importei.
Só então lembrei que Bill ainda estava ali. Olhei para ele, irritado.
— Posso saber por que você me atrapalhou?
Ele não respondeu. Apenas segurou meu braço.
Tudo girou.
De repente, estávamos em uma mansão.
— Onde…? — comecei.
— Minha casa — disse Bill. — Pensei melhor e decidi que você pode ficar aqui. Seu quarto fica no segundo andar. A porta tem seu nome.
Ele continuou, sério:
— Não entre em nenhum outro quarto daquele andar. Pode circular livremente pelo primeiro andar, apenas por ele. Se me desobedecer, vai para a rua. Boa noite, Pine Tree.
E desapareceu.
Demorei alguns segundos para processar o que havia acontecido.
No fim, subi para o meu quarto.
Estava exausto.
Precisava dormir.
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POV: Bill
Eu não queria o Pine Tree comigo. Aquele garoto estava acabando com todo o meu autocontrole. Mesmo assim, decidi observá-lo pela minha dimensão — o mundo preto e branco.
Revirei os olhos quando o vi se oferecendo descaradamente no carro. Ridículo.
Mas fiquei atento quando percebi que ele teve piedade dos garotos. Vampiros não deveriam sentir isso.
Continuei observando.
Não demorou para ele encontrar outra presa fácil. Eu o deixaria se alimentar — queria ver o que faria depois. Mas tudo mudou quando entendi suas intenções.
Uma raiva inexplicável tomou conta de mim.
Fui até lá sem pensar duas vezes e o afastei daquele imbecil. Se o garoto fosse morrer, que ao menos servisse de alimento.
Os olhos do Pine Tree estavam vermelhos. Ele estava faminto. Ordenei que terminasse logo, e sabia que ele obedeceria.
E obedecia.
O olhar de terror da vítima quando o Pine Tree o mordeu…
Ele realmente estava com fome.
Depois disso, levei-o para minha casa, dei ordens bem específicas e fui para o meu quarto.
Não sei por que tomei essas decisões hoje.
Só espero não me arrepender.
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Ódio. (Completo)
RomanceTraído pela própria irmã, Dipper vê seu mundo desmoronar. Anos depois, Bill Cipher retorna após ter passado esse tempo aprisionado na forma de uma estátua - e oferece ao garoto exatamente o que ele mais deseja: vingança. O que Dipper não esperava er...
